Sustentabilidade

Ondas de calor oceânico podem levar espécies a fugir por milhares de quilômetros, diz estudo

Ondas de calor oceânico podem levar espécies a fugir por milhares de quilômetros, diz estudo

Picos de calor na superfície marinha podem ter consequências catastróficas, assim como o aumento de temperatura em terra - AFP/Arquivos

Peixes e outras espécies marinhas podem ser obrigados a fugir por milhares de quilômetros para escaparem das ondas de calor oceânicas, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (5), que destaca os danos causados por estas elevações repentinas na temperatura da água.

Estas ondas caniculares são terríveis para os ecossistemas marinhos, pois causam o branqueamento dos corais, matam aves marinhas e obrigam algumas espécies, como peixes, baleias ou tartarugas a buscar águas mais frias, saindo de seu hábitat natural.

Estes picos de temperatura, que muitas vezes podem durar meses e até anos, impõem uma pressão adicional aos oceanos, que já sofrem com um aquecimento progressivo devido às mudanças climáticas.

Enquanto outras pesquisas têm se dedicado a estudar o impacto dessas ondas de calor no mar em sítios estáticos, como as barreiras de coral, o estudo publicado na quarta pela Nature, indaga até que distância as espécies marinhas devem viajar para encontrar uma temperatura marítima “normal” para elas.

“Isto é importante porque sabemos que numerosas espécies marinhas estão se deslocando muito rápido e em longas distâncias para encontrar um hábitat ideal”, explicou à AFP Michael Jacox, pesquisador da Agência Meteorológica Estadunidense (NOAA).

“Eles não ficam quietos em um lugar quando a água está aquecendo, mas até onde podem viajar para encontrar águas mais frias?”, questiona.

Para tentar responder a essa pergunta, os pesquisadores analisaram os dados vinculados a ondas de calor marinhas de 1982 até 2019 e a movimentação das espécies correspondentes.

Em algumas regiões, a água mais fria não está muito longe. Mas em zonas tropicais, onde as variações da temperatura do mar são mais sutis, as espécies podem se deslocar a mais de 2 mil quilômetros de distância para encontrar um hábitat adequado às suas necessidades, segundo o estudo

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