Economia

OMC, FMI e BM pedem reformas das normas do comércio mundial

OMC, FMI e BM pedem reformas das normas do comércio mundial

Placas com bandeiras dos EUA e China na entrada de uma loja de produtos importados em Qingdao (China), em 19 de setembro de 2018 - AFP

A falta de reformas nas normas do comércio internacional alimenta tensões, sob o risco de prejudicar o crescimento econômico mundial e a redução da pobreza, alertam OMC, FMI e BM.

O intercâmbio de serviços representa dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) e do emprego no mundo, assim como quase metade do comércio mundial, “mas as tarifas atuais sobre os serviços são tão elevadas como eram os impostos sobre os bens (fabricados) há 50 anos”, destacam a Organização Mundial do Comércio (OMC), o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) em um relatório conjunto.

De acordo com as três instituições, as mudanças na natureza do comércio não se refletiram plenamente na evolução da regulamentação internacional.

O documento foi publicado depois que muitos pedidos foram registrados nos últimos meses, especialmente na Europa, Canadá e Estados Unidos, para reformar a OMC.

A integração plena do comércio de bens e serviços “pode ter um papel muito maior no fomento da prosperidade”, afirma o relatório, que não faz recomendações específicas.

Na opinião dos três organismos é necessário fazer com que as oportunidades comerciais oferecidas, por exemplo, pela tecnologia da informação ou o comércio eletrônico “sejam refletidas na política comercial atual”.

Além disso, as três instituições recordaram que a abertura do comércio internacional depois da Segunda Guerra Mundial e até o início da década de 2000 contribuiu em grande medida para melhorar o nível de vida e reduzir a pobreza no mundo, “mas isto continua sendo incompleto” na atualidade.

As tarifas de importação foram drasticamente reduzidas, começando pelos países desenvolvidos, seguidos depois pelas economias emergentes e em desenvolvimento. Passaram em média 31% em 1980 para 9% em 2015 nos países emergentes e de 10% para 4% nos países mais avançados “graças às reformas” adotadas até o início da década de 2000.

As três organizações também recordam que o volume do comércio aumentou em média 7% durante a década de 1990, um índice duas vezes maior que o crescimento do PIB mundial, mas depois desacelerou para uma taxa de 1,5% entre 2001 e 2007.

“A desaceleração se deve principalmente a um ritmo mais lento das reformas comerciais após o notável progresso realizado desde a década de 1980 até o início da década de 2000”, insistem.

Em seu relatório, as três organizações destacam que as tarifas e algumas nacionais impedem atualmente a expansão do comércio internacional.

Cada vez mais países – principalmente europeus, Canadá e Estados Unidos – consideram que a OMC não responde de maneira apropriada às distorções comerciais provocadas especialmente pela China, que acusam de subsidiar em grande escala sua economia.

Na quinta-feira, a OMC reduziu a previsão de crescimento para o comércio mundial em 2018 e 2019 (3,9% e 3,7%) em consequência da “exacerbação das tensões comerciais”.

Estados e China protagonizam há alguns meses uma guerra comercial com a imposição mútua de tarifas de importação adicionais.