Dinheiro em Ação

Oi peleja para seguir na ativa

Oi peleja para seguir na ativa

Papéis avulsos

A situação da empresa de telefonia Oi, em recuperação judicial desde o ano passado, segue se agravando. Em julho, a geração de caixa operacional líquida da companhia foi negativa em R$ 540 milhões, contra R$ 177 milhões negativos no mês anterior. Esse resultado reflete principalmente o avanço no pagamento de despesas com aluguéis, processamento de dados e consultorias, bem como o aumento de 29% no capex do período, avaliam os analistas da Coinvalores. No acumulado do ano, a geração já é negativa em R$ 4,3 bilhões, frente ao rombo de R$ 2,6 bilhões registrado no mesmo período de 2018. Os papéis da Oi chegaram a ter um alivio com as noticias que circularam no mercado sobre eventual interesse da Telefônica/Vivo em seus ativos. No entanto, questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia afirmou que “desconhece por completo a informação”. Além disso, há também pressões internas de acionistas que querem trocar o comando da empresa. “O conflito vem influenciando diretamente as conversações sobre alternativas para capitalizar a Oi no curto prazo”, dizem os analistas da Guide.

 

Consumo

Natura aumenta capital em R$ 1,2 bilhão

Os acionistas da Natura Cosméticos aprovaram o aumento do capital social da companhia em R$ 1,2 bilhão, para R$ 1,71 bilhão. Em virtude do aumento, foram emitidas 432,5 milhões de ações ordinárias, sem valor nominal, que serão atribuídas aos acionistas a título de bonificação, na proporção de um novo papel para cada ação ordinária detida por ele. As ações mantidas em tesouraria para suportar os programas de incentivo também serão bonificadas. Os papéis da empresa sobem 62,1% no ano.

 

Touro x Urso

Sem novos ‘drivers’ que façam a bolsa subir em bloco, o mercado tem se movido pela força pontual de determinados papéis. O ataque ao campo de petróleo na Arábia Saudita, por exemplo, fez as ações da Petrobras disparar. A Cielo também teve pregões positivos com rumores sobre uma parceria com a Stone, enquanto a Oi também subiu com um eventual interesse da Telefônica/Vivo em seus ativos.

 

Quem vem lá

Sinqia e BRB em busca de capital

O mercado de ofertas de ações, que teve em 2019 o melhor primeiro semestre dos últimos 17 anos, segue aquecido. A Sinqia concluiu sua oferta de R$ 362,7 milhões com o preço por ação em R$ 62. Já o Banco de Brasília (BRB) informou que pretende iniciar estudos para realizar uma nova oferta, mas apenas no próximo ano. As ações da Sinqia sobem 175,8% em 2019.

 

Destaque no pregão

MRV adia assembleia para ouvir acionistas

A construtora MRV, presidida por Rafael Menin, adiou a convocação da assembleia prevista para 4 de outubro para debater a aquisição da AHS Residential, empresa do setor baseada nos Estados Unidos. No fato relevante, a MRV reafirmou sua recomendação para que seja feito o investimento entre US$ 220 milhões e US$ 255 milhões na aquisição de 50,01% da AHS a fim de internacionalizar as operações. A construtora também abriu um novo prazo para que os acionistas enviem comentários sobre a proposta anunciada no início do mês. Os interessados precisam se manifestar por meio de formulário até 24 de setembro. Uma nova convocação do comitê independente está prevista para 1º de outubro. “Destacamos que a medida é positiva em termos de governança corporativa da MRV, demonstrando o alinhamento entre acionistas minoritários e majoritários”, escrevem os analistas da Guide, em relatório. As ações da MRV vêm tendo um mês negativo, com uma queda acumulada de 5,3%, mas no ano ainda sobem 54,2%.

Palavra do analista:
No curto prazo, os papéis podem ficar pressionados em meio ao contexto da operação, dizem os analistas da Guide. “Isso porque a aquisição pode ser uma sinalização de pouca clareza no crescimento do segmento de baixa renda local, diante dos desafios fiscais e concorrência dos últimos trimestres”, escrevem os profissionais da corretora.

 

Saúde

Notre Dame Intermédica compra hospital no Rio

Seguindo com o plano de expansão inorgânica, a Notre Dame Intermédica realizou a sétima aquisição desde a abertura do capital na bolsa em abril de 2018. Ela comprou por R$ 105 milhões o hospital Serviços Médicos São José e Nanci, na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. São 106 leitos, sendo 31 de UTI, três centros clínicos e uma carteira de aproximadamente 17 mil beneficiários. As ações da companhia sobem 92,6% em 2019.

 

 

Mercado em números

RUMO
R$ 1 bilhão – É o quanto a empresa vai emitir em debêntures no dia 15 de outubro, em até duas séries, para investir em projetos de infraestrutura na área de transporte e logística

BR PROPERTIES
R$ 306,8 milhões – Foi o quanto a incorporadora recebeu do CSHG Real Estate – Fundo de Investimento Imobiliário pela venda do imóvel ‘Chucri Zaidan’, na avenida de mesmo nome

WEG
R$ 85,75 milhões – É o quanto a fabricante de motores vai distribuir aos acionistas em juros sobre o capital próprio (JCP), correspondente a R$ 0,040 por ação

ECORODOVIAS
4,77% – É a participação que o Itaú Unibanco passou a deter na empresa de infraestrutura após alienar parte de sua posição

TRIUNFO
0,4% – Foi o aumento do tráfego nas rodovias sob administração da concessionária em 2019, até agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado

 

Número da semana

-0,29%

Foi a deflação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) em setembro. No mês anterior, a taxa havia sido de -0,47%. Com o resultado, ela acumula alta de 3,62% no ano e de 3,65% em 12 meses. Em setembro de 2018, havia registrado elevação de 1,20% no mês e de 9,66% em 12 meses. O índice do grupo Matérias-Primas Brutas passou de -0,77% em agosto para -1,87% em setembro. As principais contribuições para este movimento partiram dos seguintes itens: minério de ferro (0,69% para -12,01%), aves (1,66% para -1,27%) e laranja (1,84% para -2,42%). Em sentido ascendente, os movimentos mais relevantes ocorreram nos itens soja em grão (-1,87% para 9,59%), leite in natura (-4,52% para -0,27%) e algodão em caroço (-6,44% para -0,99%).

 

 

Entrevista da semana

“A reforma da Previdência pode levar 2.138 Estados e municípios a patrocinar fundos de pensão”

Antônio Gazzoni, diretor da Mercer

O segmento dos fundos de pensão passa por um momento desafiador, diz Antônio Gazzoni, diretor da Mercer. Com a queda da taxa Selic, a remuneração na renda fixa não é mais suficiente para cumprir as metas atuariais. Em outra frente, o aumento da longevidade tem forçado as fundações a rever suas premissas, gerando crescimento dos passivos.

Quais saídas para a sustentabilidade dos fundos de pensão?
Prevejo um crescimento dos fundos multipatrocinados. Não teremos uma queda no número de planos, que serão migrados para esse tipo de veículo. Mas a quantidade de fundações tende a diminuir. Hoje temos cerca de 250 fundos de pensão no país, e aqueles com patrimônio abaixo de R$ 500 milhões [cerca de 40% do total] talvez tenham de rever o modelo.

A reforma da Previdência pode ajudar o segmento?
Sim. Segundo dados do governo apresentados ao Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC), há no País 2.138 entes federativos com folhas salariais acima do teto do INSS de R$ 5.836,45. Com a reforma, esses entes terão de oferecer a previdência complementar para os servidores, que poderá ser feita tanto pelas entidades abertas como pelas fechadas.

E as fechadas podem ter uma vantagem na largada, correto?
Exato, porque para que as entidades abertas ofereçam a previdência para os estados e municípios, será preciso a aprovação de uma lei complementar, enquanto as fechadas já tem essa permissão. Portanto, assim que a reforma for aprovada, 2.138 Estados e municípios serão patrocinadores em potencial de planos de previdência complementar.