Dinheiro em Ação

Oferta da BR Distribuidora movimenta R$ 8,5 bilhões

Oferta da BR Distribuidora movimenta R$ 8,5 bilhões

Papéis avulsos

A oferta subsequente (follow-on) de 349,5 milhões de ações da BR Distribuidora pela Petrobras, presidida por Roberto Castello Branco, ao preço de R$ 24,50 movimentou cerca de R$ 8,5 bilhões. Foi a maior oferta local de ações desde abril de 2015, que pode ser acrescido de R$ 1 bilhão caso seja vendido também o lote suplementar de 43,6 milhões de ações (os coordenadores da oferta têm um mês para tomar a decisão). Com o lote suplementar vendido, a participação da Petrobras na empresa de distribuição de combustíveis cairá de 71,3% para 37,5%. A empresa deixaria, portanto, de ser estatal, pois seu capital estaria pulverizado em bolsa. Analistas consideraram a oferta positiva para a BR Distribuidora, já que ela deve trazer melhorias na governança e na rentabilidade. As ações da BR Distribuidora sobem 11,3% no ano, enquanto as da Petrobras avançam 21,9%.

 

Cartões

Cielo sente o peso da concorrência

Pressionada pelo aumento da concorrência no setor de adquirência, a Cielo registrou uma queda de 33,3% no lucro do segundo trimestre na comparação com o mesmo período de 2018. O resultado caiu para R$ 431,2 milhões. “Desde o começo, enfatizei que nossa estratégia seria puxada por preços mais competitivos, por ganhos de eficiência e principalmente pela melhoria no atendimento”, diz Paulo Caffarelli, presidente da empresa. “Começamos a colher os frutos, mas não estamos satisfeitos com o resultado até agora. O desafio é grande”, afirma o executivo. A estratégia de oferecer preços mais baixos resultou em um aumento de 14,4% na base de clientes, que cresceu para 1,4 milhão, e de 8,9% no volume financeiro transacionado nas maquininhas, que avançou para R$ 164,5 bilhões, no melhor resultado trimestral desde 2017. No entanto, a estratégia resultou também em uma queda de 4,4% na receita líquida, que atingiu R$ 2,8 bilhões. A Cielo espera alcançar a marca de um milhão de máquinas vendidas até outubro – foram 850 mil até agora.

 

Construção

Trisul revê metas para 2019

Após lançar R$ 527 milhões em empreendimentos imobiliários no primeiro semestre, 78% acima do mesmo período do ano passado, a construtora Trisul optou por elevar suas projeções. A meta anterior era lançar entre R$ 700 milhões a R$ 800 milhões em 2019 e subiu agora para R$ 900 milhões a R$ 1 bilhão. O mesmo vale para as vendas brutas que, de janeiro a junho, somaram R$ 536 milhões, alta de 55%. “A Trisul tem potencial para lançar R$ 1 bilhão se as condições de mercado se mantiverem e a companhia sentir que há demanda para os produtos”, diz Jorge Cury, presidente da Trisul. As ações da empresa têm uma forte alta de 107,3% no ano.

 

Bens de capital

Maquinário na Weg a todo vapor

A fabricante de máquinas e equipamentos Weg surpreendeu positivamente o mercado ao reportar um crescimento de 15,5% no lucro líquido do segundo trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período de 2018, que totalizou R$ 389 milhões. Já a receita líquida avançou 7,5%, para R$ 3,2 bilhões, impulsionada pela demanda do mercado externo, que subiu 14,9%, enquanto a do mercado interno caiu 2,2%. O lucro antes de juros e impostos (Ebtida) foi de R$ 537,2 milhões, alta de 15,4%. Já a margem Ebitda evoluiu 1,1 ponto percentual, para 16,3%. As ações da Weg sobem 30% no ano.

 

Touro x Urso

Com o recesso do Congresso reduzindo as notícias sobre o avanço da reforma da Previdência, os investidores ficaram sem norte. Com isso, o Ibovespa não consegue sair do lugar e vem patinando na faixa entre os 103 mil e 105 mil pontos há três semanas. O ambiente internacional, com as dúvidas em relação à robustez das economias desenvolvidas, também não ajudou a bolsa local no período.

 

Destaque no pregão

Números da Telefônica não agradam

A Telefônica Brasil, responsável pela Vivo, divulgou na manhã da quarta-feira 24 seus números do segundo trimestre de 2019, que não agradaram os investidores. A receita operacional líquida ficou praticamente estável, com um leve aumento de 0,4% na comparação com o mesmo período de 2018, totalizando R$ 10,8 bilhões. Os serviços de telefonia fixa, que recuaram 2,8% para R$ 3,8 bilhões, pesaram negativamente. A desaceleração do crescimento na telefonia móvel, que foi de 2,3% no segundo trimestre, ante 4,7% no período anterior, também não foi bem vista. Com isso, o lucro recorrente antes de juros e impostos avançou apenas 1%, para R$ 3,7 bilhões. Os agentes do mercado enxergaram como positivo nos resultados da empresa o aumento de 13% no fluxo de caixa livre. Apesar da performance aquém das expectativas, as ações da Telefônica sobem 22,9% no ano.

Palavra do analista:
Mesmo avaliando que os números decepcionaram, os analistas da Guide escreveram em relatório que a Telefônica Brasil continua com uma geração de caixa expressiva, mesmo com a aceleração dos investimentos de cobertura 4G. “A melhor eficiência e alocação otimizada de Capex ainda contribuem para o desempenho da companhia”, avaliam os especialistas.

 

 

Mercado em números

JBS
US$ 2 bilhões – Foi o quanto o frigorífico captou no mercado externo. A previsão inicial era captar US$ 1,1 bilhão, mas diante da demanda dos investidores, que superou em mais de quatro vezes a oferta original, o montante foi elevado.

CEMIG
R$ 3,66 bilhões – Foi o montante levantado pela subsidiária Cemig Distribuição em sua sétima distribuição de debêntures, com retorno ao investidor de 108,61% do CDI.

ROMI
R$ 167,8 milhões – Foi a receita operacional líquida da indústria de máquinas e motores no segundo trimestre de 2019, um crescimento de 6,2% na comparação com o mesmo período do ano passado.

RANDON
R$ 34,8 milhões – É o montante que a empresa vai pagar em juros sobre o capital próprio aos seus acionistas, o que corresponde a R$ 0,10183 por ação.

BR MALLS
43,2 milhões – Foi o quanto o fundo de pensão CPPIB vendeu em ações da administradora de shoppings centers, correspondente a 4,96% do total, alienando sua participação direta no negócio

 

Número da semana

R$ 119,94 bilhões

Foi o que o governo arrecadou de impostos em junho, segundo dados divulgados na terça-feira 23 pela Receita Federal. O montante corresponde a um acréscimo real, descontado o IPCA, de 4,68% na comparação com o mesmo período do ano passado. Foi o melhor mês de junho desde 2014. No acumulado do primeiro semestre, a arrecadação totalizou
R$ 757,59 bilhões, alta real de 1,8% em bases anuais. Entre os setores da economia que mais aumentaram o volume arrecadado de janeiro a junho, destaque para o crescimento de 44,61% na extração de minerais metálicos e de 41,85% na fabricação de papel e celulose. Já o comércio atacadista, com um modesto acréscimo de 1,51%, e as entidades financeiras, com aumento de 7,6%, foram os segmentos econômicos que registraram as menores variações percentuais do período.

 

 

Entrevista da semana

“Os fundos facilitam os investimentos imobiliários, algo que está na cultura do brasileiro”

Théo Boscoli, advogado do escritório SV Law

A queda dos juros tem provocado um forte aumento na procura dos investidores por fundos imobiliários. O número de investidores com cotas em fundos do tipo, que estava próximo de 100 mil no inicio do ano passado, já está próximo de 400 mil. Por terem imóveis como lastro, esses fundos oferecem garantia maior e volatilidade menor do que o mercado de ações, diz Théo Boscoli, advogado da SV Law especializado nos segmentos imobiliário, contencioso e arbitrário. “Os fundos facilitam os investimentos imobiliários, algo que está na cultura do brasileiro”, diz Boscoli.

Por que os fundos imobiliários são menos arriscados?
Exatamente por seu lastro ser imobiliário. No limite, não há falência do fundo. O que ocorrerá, no pior cenário, é o seu encerramento, com a consequente liquidação do imóvel e o pagamento proporcional das cotas aos investidores. Apenas para comparação, uma empresa cotada na bolsa pode colocar em risco todo o valor aportado pelo investidor.

Quais são os principais segmentos dentro do mercado imobiliário?
Dentro do universo dos fundos imobiliários, existem quatro tipos principais: fundo tijolo (imóveis físicos); fundo de desenvolvimento (construção e venda); fundo de papel (recebíveis imobiliários); e fundo de fundos (cotas de fundos imobiliários).

Quais devem representar as melhores oportunidades?
Investir no fundo de um shopping ou laje corporativa é interessante, afinal, haverá a diminuição da vacância com a retomada da economia e consequente valorização do aluguel. Já o fundo de papel possui o atrativo de investir em renda fixa mesmo tendo um componente de renda variável.