Negócios

O voo seguro da Helibras

À espera da decolagem do mercado helicópteros, a fabricante brasileira aposta na ampliação da rede de serviços e em contratos internacionais para garantir estabilidade financeira.

Crédito: Marco Ankosqui

OTIMISMO NO HORIZONTE Alfonsi, presidente da empresa, acredita que a retomada econômica vai destravar contratos. (Crédito: Marco Ankosqui)

Para garantir um voo seguro, é essencial manter a estabilidade do equipamento. Isso vale para o piloto de uma aeronave tanto quanto para quem comanda uma empresa como a Helibras, subsidiária da gigante europeia Airbus e única fabricante de helicópteros a turbina na América Latina. Para compensar a queda de encomendas de novas unidades em 2020, a direção fez um ajuste na rota. Serviços de manutenção e contratos internacionais foram incorporados ao plano de voo. “Estamos trabalhando para diversificar a nossa atividade e criar ciclos de negócios que permitam equilibrar as quedas do mercado nacional”, disse à DINHEIRO o presidente da Helibras Jean-Luc Alfonsi.

No ano passado, a empresa comercializou dez helicópteros. Em 2019 haviam sido 17. “Nada tão catastrófico”, afirmou o executivo. Em um ano bom, a empresa vende entre 15 e 20 unidades. Apesar da redução nos pedidos, entende que o mercado privado se comportou de “maneira satisfatória” diante da brusca redução de voos comerciais causada pela Covid-19. “Os aviões privados e os helicópteros conseguiram, de certa forma, compensar uma necessidade do mercado”, disse Alfonsi. Paradoxalmente, o número menor de encomendas não significou perda de faturamento. Pelo contrário. Foram R$ 927 milhões em 2020, alta de 32% na comparação com 2019. A previsão para este ano é que outros dez equipamentos sejam negociados.

LINHA DE PRODUÇÃO Da fábrica da em Itajubá (MG) saem apenas os modelos H125 e H225. (Crédito:FELIPE CHRIST )

Segundo o presidente, o helicóptero é um produto singular. “A mesma plataforma pode ser utilizada para transportar passageiros, para ações de resgate, como ambulância, e até em ataque naval”, disse. No Brasil, a Helibras é responsável pela comercialização de sete modelos, dois deles produzidos na fábrica de Itajubá (MG). O H125 de capacidade para transportar um piloto e cinco passageiros. O H225 leva dois pilotos e até 19 pessoas. Os preços partem de US$ 4 milhões e podem alcançar US$ 50 milhões, dependendo da sofisticação. Em 43 anos de atividade no País, a empresa já entregou mais de 850 aeronaves, a maioria civil. O tempo médio de fabricação varia de 12 a 18 meses nos modelos menores e até 36 meses nos maiores.

O portfólio de serviços ganhou reforço na parceria recente com a Helisul, a maior operadora de helicópteros civis do País. O acordo, assinado em março, tem o objetivo de expandir a rede de atendimento, além de ampliar a presença regional da Helibras pelo Brasil. Inicialmente, são cinco novos postos: Rio de Janeiro, Curitiba, Foz do Iguaçu, Florianópolis e Brasília. Com 30 aeronaves em operação, a Helisul é a maior cliente civil da Helibras – que recentemente expandiu os serviços de manutenção para o exterior, com contratos na Europa, na Ásia e na Américas. “Estamos reconstruindo helicópteros da força naval da Argentina”, disse Alfonsi. Os valores dos contratos são sigilosos. No mercado militar brasileiro os investimentos estão condicionados à Lei Orçamentária federal. “Estamos finalizando a certificação de um modelo 225 naval de combate para ser entregue à Marinha”, afirmou o presidente da Helibras. “Será um helicóptero de ataque naval com dois mísseis. Fizemos tudo aqui no Brasil”, disse, adiantando que a empresa pretende exportar o modelo, que é único no mundo.

Seja para uso civil ou militar, o aumento das vendas está condicionado à retomada da atividade econômica. “Se isso se confirmar, alguns projetos contemplados por muitos anos pelas autoridades poderiam ser ativados. Tenho esperança”, disse o executivo. Globalmente, a Airbus Helicopters manteve a dianteira no mercado mundial em 2020, com 48% de participação no mercado. Foram entregues 300 aeronaves, além de a companhia ter recebido 268 novos pedidos. Os números apresentaram redução em relação a 2019 – 332 (-9%) e 369 (-27%), respectivamente. A companhia creditou o alto índice de entregas à gama de produtos. “Nossas equipes adaptaram as formas de trabalhar para estar ao lado dos clientes quando eles mais precisavam”, afirmou Bruno Even, CEO da Airbus Helicopters. “Nos esforçamos para ajudá-los a manter as suas missões essenciais em todo o mundo, fornecendo helicópteros e o suporte que necessitavam.” Além do Brasil, a empresa tem linhas de produção na França, Alemanha, Espanha, Romênia, Austrália, Estados Unidos, Coreia do Sul e China.