Edição nº 1129 12.07 Ver ediçõs anteriores

O voo da Avianca

O voo da Avianca
Pedreira, o CEO da Avianca Brasil: “É factível que a união com a Avianca Holdings ocorra em 2019”

Apesar de a greve dos caminhoneiros ter afetado o PIB, de o dólar ter se valorizado frente ao real e de o preço do barril de petróleo ter subido, Frederico Pedreira, presidente da companhia aérea Avianca Brasil, ainda vislumbra crescimento para a empresa. “Devemos fechar 2018 com um faturamento 20% maior do que o de 2017”, diz ele, projetando alcançar uma receita de R$ 4 bilhões neste ano. Mas poderia ser bem mais. “Todas as companhias estão revisando os resultados. A greve dos caminhoneiros abalou a confiança dos brasileiros.” O fator que tem feito a diferença no resultado da companhia é a abertura de rotas internacionais. “Desde 2017, passamos a voar para Miami, Santiago e Nova York e elas já respondem por 20% do nosso resultado.” E prossegue. “Estamos com uma ocupação média de 80% nesses voos.”

 

A fusão está próxima

Com 55 aviões e a estimativa de transportar 13 milhões de passageiros até o fim do ano, a Avianca Brasil, que tem a Avianca Argentina debaixo de seu guarda-chuva, está em modo de espera para a tão aguardada união com a Avianca Holdings, que opera na América Latina com uma frota superior a 180 aviões e transportou quase 30 milhões de passageiros no ano passado. As duas empresas são controladas pelo grupo Sinergy, dos irmãos Germán e José Efromovich, e operam separadamente. Uma fusão daria ainda mais poder de fogo para brigar com a Latam na região. “É factível que a união ocorra em 2019”, diz Pedreira. O executivo português, aliás, veio para o Brasil em 2010 para coordenar essa fusão. “Mas as duas companhias viviam momentos diferentes. A brasileira tinha 1,8% de participação de mercado e transportava 1 milhão de pessoas por ano.” Hoje, a Avianca Brasil tem 14,2% de participação de mercado.

 

As cartas na mesa

Enquanto a fusão com a Avianca Holdings não sai, outros negócios andam paralelamente de modo a impulsionar a companhia. “Estamos conversando com a United Airlines para uma joint-venture”, diz o executivo, comentando a aprovação do projeto Céus Abertos entre Brasil e Estados Unidos. Outra opção na mesa seria a abertura de capital da Avianca Brasil na Bolsa. “Se o mercado melhorar, não descartamos um IPO”, diz ele. Mas isso, definitivamente, está fora do radar para 2018. “Está claro que este ano não vai ser o de recuperação como esperávamos. Agora estamos aguardando as eleições presidenciais para ver o que acontece.” Indagado sobre o que pretende fazer para alcançar as líderes Gol e Latam no Brasil, Pedreira é enfático. “Não queremos ser a maior aqui. Pretendemos ter, no máximo, 20% de participação, e integrar com a rede internacional da Avianca.”

 

Decolagem autorizada

O mercado que a companhia brasileira está apostando alto é o de programas de coalizão, a exemplo do que a Latam fez com a Multiplus e a Gol com a Smiles. Lançado em abril de 2007, o Amigo, programa de fidelidade da Avianca Brasil, já tem 4 milhões de clientes inscritos. “Queremos chegar a 6 milhões até o fim de 2018”, diz Pedreira. A alta expectativa reside no lançamento de uma nova plataforma tecnológica que, segundo Pedreira, “será mais fácil de usar”. A empresa já opera com uma estrutura separada da Avianca Brasil e conta com mais de 30 funcionários. “E vai contratar mais gente.” Além de resgatar pontos para usar em passagens da companhia e das empresas participantes da Star Alliance, o Amigo já conta com 35 empresas parceiras no varejo eletrônico e no setor de turismo. “Vamos começar a dar mais ênfase para a marca Amigo neste semestre.”

(Nota publicada na Edição 1079 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Gabriel Baldocchi e Márcio Kroehn)


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