Edição nº 1095 09.11 Ver ediçõs anteriores

O turbinado poder da colaboração

O que conecta o movimento #MeToo, o Estado Islâmico, a eleição de Trump, o Uber e o Airbnb? Um livro explica essa estranha ligação

O turbinado poder da colaboração

O que conecta o movimento #MeToo, o Estado Islâmico, a eleição de Trump, o Uber e o Airbnb? Todos utilizam com habilidade o poder de colaboração de seus usuários, interessados e simpatizantes em nosso mundo altamente conectado pelas mídias sociais. Essa é a constatação do livro O Novo Poder – Como disseminar ideias, engajar pessoas e estar sempre um passo à frente em um mundo hiperconectado, que acaba de ser lançado no Brasil. Os autores são especialistas em mobilizar pessoas em torno de ideias transformadoras. Escrito por Jeremy Heimans, fundador e CEO da Purpose, organização especializada em impulsionar movimentos sociais ao redor do mundo e que criou plataformas como GetUp!, Avaaz e All Out, e Henry Timms, diretor da 92nd Street Y, centro cultural e comunitário em Nova York que promove o aprendizado e o engajamento cívico, incluído no topo da lista das organizações mais inovadoras da revista Fast Company.

Juntos, Jeremy e Henry pesquisaram por três anos e reuniram os aprendizados de suas próprias experiências de trabalho e apontam que a força das redes de colaboração tem gerado as mais rápidas e impactantes transformações dos últimos tempos. Os autores definem assim o velho poder, exercido por pessoas e organizações: “O velho poder funciona como uma moeda. É propriedade de poucos. Uma vez conquistado, é guardado com zelo, e os poderosos têm um estoque substancial para gastar. É fechado, inacessível e impulsionado por um líder. É fazer o download e guardar”. Já o novo poder, que emerge da colaboração, é assim descrito: “O novo poder opera de maneira distinta, como uma corrente. É feito por muitos. É aberto, participativo e impulsionado por iguais. É fazer o upload e distribuir. Como a água ou a eletricidade, é mais forte quando aumenta de repente. Com o novo poder, o objetivo não é acumular, mas canalizar”.

O desejo das pessoas de participar de algo não é exatamente uma novidade. É graças a ele que o ser humano se desenvolveu ao longo dos séculos e se tornou hegemônico no planeta. Muitas outras espécies conseguem cooperar, mas apenas com indivíduos conhecidos. Já o ser humano faz isso com flexibilidade e em escala, inclusive com desconhecidos. Portanto, as ferramentas de conectividade deram um impulso gigantesco nesta nossa vocação natural. “Essa hiperconectividade deu origem a novos modelos e novas mentalidades que estão moldando nossa era. Esse é o ‘novo’ do novo poder”, afirmam Jeremy e Henry. A questão é que essa força está a disposição de todos e pode ser empregada para qualquer finalidade. “O futuro será uma batalha pela mobilização. As pessoas comuns, os líderes e as organizações que vão prosperar serão aqueles com mais capacidade de canalizar a energia participativa dos que estão à sua volta — para o bem, para o mal e para o trivial”.

Da mesma maneira que serve para empoderar mulheres contra os abusos sexuais, ou gerar negócios bilionários por meio de marketplaces baseados na colaboração, também é utilizado para fortalecer organizações como o Estado Islâmico ou as campanhas dos supremacistas brancos nos Estados Unidos e na Europa. Para os negócios, o novo poder da colaboração em rede traz consigo riscos e oportunidades. Riscos para as organizações que não se moldarem a essa nova realidade, que tentarem exercer exclusivamente o velho poder, por meio, por exemplo, de sistemas fechados, como as federações e associações, que direcionam interesses corporativistas em detrimento dos interesses de toda a sociedade.

Representa, porém, uma grande oportunidade para quem entender a os benefícios de atualizar as práticas de negócios e transformar suas atividades em canalizadores dos anseios e necessidades das pessoas.


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