Finanças

O test-drive dos fundos do Plural



Qualquer gerente de supermercado sabe que, ao lançar um produto, deixar o cliente prová-lo antes de comprar pode ser uma boa estratégia para ganhar mercado. Os gestores independentes de fundos de investimento, que não dispõem das redes de agências dos bancos de varejo para distribuir seus produtos, resolveram partir para esse mesmo caminho. Corretoras e empresas de gestão de recursos jogaram no chão os valores mínimos exigidos para aplicações em parte de seus fundos de investimento, na esperança de, com isso, conquistar novos adeptos para investimentos mais a sério no futuro. O passo mais ousado nesse sentido foi dado pelo Plural, o consórcio que reúne nove corretoras paulistas para venderem juntas as mesmas aplicações. O fundo multiportfólio do consórcio, que pode ter até 49% do patrimônio investido em renda variável (ações e seus derivativos), vai aceitar agora cotistas que tenham apenas cem reais para aplicar.

É a principal carta na manga das corretoras Comercial, Convenção, Souza Barros, Fator Dória Atherino, Intra, Novação, Socopa, Spinelli e Theca para tentar dobrar a base de clientes do negócio em apenas um ano. ?A idéia é trazer para os fundos investidores jovens, gente que está acostumada a pôr o dinheiro na poupança e ainda não conhece o mercado?, resume Roberto Lara Nogueira, diretor do Plural. Se a idéia funcionar, será como que um projeto de formação de novos investidores. O consórcio tem hoje 4.200 cotistas em seus fundos, sendo mais de 80% deles clientes vindos das corretoras que o controlam, e quer chegar a 8 mil até o fim do ano que vem. Além de baixar o tíquete de entrada para um de seus fundos, o grupo inaugura um site novo ainda este mês. ?O que importa é manter o cliente perto da gente e não deixar ele sair para um banco?, sentencia Nogueira.

O fato de as nove corretoras estarem juntas no Plural, o que resulta hoje em um patrimônio de R$ 400 milhões, dá escala para o lançamento de uma variedade maior de produtos ? proposta que seria difícil para cada uma delas tornar economicamente viável por conta própria. Isso vale inclusive para produtos com perfil próximo do varejo. O próximo movimento vai ser a abertura de um PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), a modalidade de fundo de aposentadoria mais próxima do mercado de capitais.

Os portais de investimento na Internet já começaram a apontar no sentido de diminuir os valores mínimos para as aplicações desde o ano passado. Mas a competição acirrada pelo dinheiro da classe média acelerou também esse movimento. O IG Finance reduziu para irrisórios R$ 50 a aplicação mínima exigida nos cinco fundos que o Opportunity administra exclusivamente para os clientes do portal. Os fundos, que vão do perfil mais conservador ao mais agressivo, começaram com um tíquete de R$ 1.000, mas, depois de várias promoções temporárias, o portal derrubou de vez o mínimo exigido no início do mês. ?Pensamos nisso como uma espécie de test drive. É comum as pessoas quererem fazer uma experiência antes de investir para valer. E com R$ 50 eles se animam mais a fazer um teste do que com mil reais?, explica o diretor de produtos, Fernando Barroso do Amaral.




A venda por meio de portais deu chance para o Inter American Express também reduzir a aplicação mínima em seus fundos. No InvestShop e no IG Finance, fundos DI, cambiais, derivativos e multicarteira estão ao alcance de quem tem R$ 100 para investir. O Pactual e o Chase têm fundos no site Lineinvest que aceitam aplicações de apenas mil reais. O detalhe é que, para investir nesses mesmos fundos no balcão do banco, seria necessário pingar uma quantia de não menos de R$ 100 mil.