Negócios

O terno de US$ 3,2 bilhões

Ao anunciar abertura de capital na bolsa de Nova York, a centenária grife masculina Ermenegildo Zegna acirra competição com os grandes conglomerados de luxo.

Crédito: Luca Bruno

O título acima não é o de uma sequência do filme estrelado em 2002 pelo ator Jackie Chan, traduzido para o Brasil como O Terno de Dois Bilhões de Dólares. Se tudo der certo, US$ 3,2 bilhões será o valor de mercado da grife Ermenegildo Zegna após abrir o capital na bolsa de Nova York. Anunciado nesta semana, o IPO da centenária grife masculina deverá captar US$ 880 milhões. A movimentação dará nova musculatura ao icônico grupo italiano, que pretende acirrar a disputa pelo bolso do consumidor com outros conglomerados de luxo, caso da gigante LVMH, dona das marcas Louis Vuitton e Dior e das também italianas Armani e Gucci.

Atualmente controlada por Gildo Zegna, neto do fundador, a marca vem expandindo sua atuação de forma consistente. Foi a primeira a explorar o potencial do mercado asiático, inaugurando uma loja em Pequim ainda em 1991. Hoje, tem 300 unidades em 80 países. Com os recursos que vai captar, a Zegna pretende investir principalmente em aquisições para expandir seu portfólio. Em 2018, ela comprou a grife Thom Yorke por US$ 500 milhões. “As aquisições dão muitas vantagens”, afirmou Amnon Armoni, professor de administração da Faap e especialista em mercado de luxo. “Você busca falar com os jovens, amplia seu alcance, diversifica as opções e fica atento às mutações do segmento.”

Trata-se de uma estratégia seguida à risca por outros conglomerados de luxo. A LVMH tem hoje 60 subsidiárias e segue adquirindo grifes de peso. As mais recentes: Tiffany & Co. e Stella McCartney. A Capri Holdings, antiga Michael Kors, comprou a Versace em 2018 por US$ 2,1 bilhões. Antes, a Coach (hoje Tapestry), comprou a Kate Spade em 2017 por US$ 2,4 bilhões.

CHEQUE EM BRANCO A forma como a Zegna optou por abrir o capital chama a atenção. Ela vai se fundir a uma Spac (sigla para Special Purpose Acquisition Company), empresa que capta dinheiro de investidores que não sabem qual será o ativo escolhido. Por isso são conhecidas como “companhias de cheque em branco”. É um caminho mais rápido e menos burocrático do que um IPO tradicional, e por isso vem sendo usado com frequência crescente. No ano passado, foram 237 negociações do tipo, contra 59 em 2019, segundo dados da Nasdaq. A operação envolvendo a Zegna deve ser concluída até o final do ano, dependendo da aprovação dos reguladores. A família continuará com 62% da companhia.