Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

“O tempo médio para fechar um negócio, que era de seis meses, agora é de 1 ano”, diz CEO da Bossa Nova Sotheby’s International Realty

“O tempo médio para fechar  um negócio, que era de  seis meses, agora é de 1 ano”, diz CEO da Bossa Nova Sotheby’s International Realty

O setor imobiliário foi, sem sombra de dúvida, um dos mais afetados pela crise política e econômica que tem acompanhado o Brasil desde 2014. O mercado de alto padrão, por mais que sofra menos, também sentiu. “Os grandes negócios, aqueles com imóveis com valores acima de R$ 5 milhões, caíram 40%”, diz Marcello Romero, CEO da Bossa Nova Sotheby’s International Realty, uma das principais imobiliárias de luxo do País. Para driblar esses percalços, a empresa, dona de uma base de 44 mil clientes, criou novos serviços como desenvolvimento imobiliário para fundos de investimentos e a venda de imóveis de incorporadoras. Também pretende criar um marketplace de decoração. Além disso, em outubro, abrirá um escritório no Rio de Janeiro, em Ipanema, que se juntará à unidade de São Paulo. Romero (foto abaixo) falou com a coluna:

No que ajuda ter o nome da casa de leilões Sotheby’s para vender imóveis?
A Bossa Nova existe desde 2012 e, em 2015, ao lado de investidores, adquirimos o direito de uso da marca Sotheby’s por 25 anos, que podem ser renovados por mais 25 anos. É uma marca reconhecida mundialmente. Obviamente, as pessoas fazem a primeira associação com a casa de leilões. Mas a área de real estate é um negócio muito atrativo. A marca movimentou
US$ 90 bilhões no mundo inteiro com a venda de imóveis. A Sotheby’s tem escritórios em 60 países e muita força no segmento de alto padrão.

Vender imóvel é o único negócio aqui no Brasil?
Além da comercialização dos imóveis de alto padrão temos serviços correlatos como análise e assessoria jurídica, e também de pós-venda. Também tenho correspondência bancária com os principais agentes financeiros no Brasil e de fora. Para vendas no exterior, temos todo o trabalho através da plataforma do Banco Modal, que é nosso sócio, remessa de dinheiro, assessoria jurídica fora do País e agora começo com um serviço de administração de locação.

Esse serviço de gestão de locação é fruto do momento do Brasil?
Sim, os clientes estão pedindo. Também estamos estudando montar uma plataforma de serviços agregados. Pensamos montar um marketplace e oferecer clubes de descontos e vantagens na parte de decoração e tudo que rodeia o mercado de alto padrão. Também estamos atuando na procura de terrenos para desenvolvimento imobiliário. Um fundo francês nos procurou para buscar oportunidades no Centro de São Paulo, para retrofit.

Quantos imóveis a empresa oferece?
São nove mil imóveis de terceiros. 80% deles em São Paulo e 10% no Rio de Janeiro. Outros 10% são de praia e de campo. Agora, contra tudo e contra todos, vamos abrir uma loja em Ipanema. Outro negócio que estamos explorando é uma plataforma de construtoras, com imóveis dos principais players como Cyrela, Tecnisa, Alfa Realty, Idea Zarvos. Contamos com 215 empreendimentos e 1,5 mil unidades.

A crise econômica não afetou o número de compradores?
Sim, tivemos uma redução. Não é que esses clientes sofreram um processo de empobrecimento, mas estão segurando. As taxas de juros estão altas e há uma expectativa de queda no preço dos imóveis.

E não caíram?
O segmento de alto padrão não teve muito desconto. Não há incorporadores dando descontos de 40%, como em outros tipos de imóveis. A variação entre o preço pedido e o fechado é de, em média, 10%. O cliente de imóveis de alto padrão faz uma compra mais racional.

Os donos de imóveis não têm dado desconto?
Eles também não têm pressa em vender. Se ele tem um imóvel de R$ 20 milhões, não vai baixar muito. Tenho proprietários que recebem propostas 30% abaixo e não vendem. Muitos preferem locar e isso aumentou cerca de 50%. E estou falando de aluguéis que começam em R$ 8 mil.

E a crise política, que gera incertezas, de que forma ela tem impactado o seu negócio?
Para você ter uma ideia, naquele fatídico 17 de maio, dia em que as delações da JBS foram reveladas, eu tinha cinco processos de compra que estavam na beira de serem assinados e foram cancelados. Os compradores preferiram esperar. O tempo médio para fechar um negócio, que era de seis meses, agora é de 1 ano.

(Nota publicada na Edição 1035 da Revista Dinheiro)


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