O socorro à brasileira

O socorro à brasileira

Foi para ajudar na reconstrução de uma Europa dizimada pela Segunda Grande Guerra que os EUA bolaram o pacote de ajuda financeira que viria a ser batizado de Plano Marshall, em homenagem ao general americano George C. Marshall (foto). O Brasil desses tempos de pandemia, que beira de novo o precipício da recessão e do lockout, está a precisar de seu Plano Marshall. A necessidade foi aventada pela banca e faz todo sentido diante da paralisia econômica que vai se instalando dia a dia. Proposta feita já encontra respostas em diversas direções. A começar pelo pacote de medidas para injetar liquidez financeira bolado e anunciado pelo Banco Central, que estima causar um impacto de, no mínimo R$ 1,2 trilhão na praça. De que forma? Serão inúmeras ações das quais o sumo se concentra em linhas de financiamento com taxas especiais. É ofensiva de emergência. Serão liberados ao menos R$ 68 bilhões em crédito extra na economia, via parcela dos depósitos bancários que as instituições privadas eram obrigadas a manter em reservas. Esse desbloqueio vem atrelado a uma redução da alíquota de compulsório de 25% para 17% e, somado a medidas antes anunciadas, dentre elas a baixa das taxas de juros, irão contribuir com a considerável soma que representa quase 16,7% do PIB brasileiro. Em esforço coordenado, também o BNDES entrará com a sua parte. O banco de fomento ampliou em R$ 5 bilhões a reserva de recursos destinada a pequenas empresas, suspendeu o pagamento de empréstimo em um total de R$ 30 bilhões, transferiu outros R$ 20 bilhões do PIS/Pasep para o FGTS e, de quebra, ainda abriu linhas de ajuda para companhias aéreas, turismo e restaurantes, consideradas as áreas mais afetadas pelo avanço da pandemia do coronavírus. Nem os estados e municípios ficaram de fora. Também terão sua fatia do bolo de dinheiro. Noves fora, a soma geral dos desembolsos deve alcançar a reluzente soma de R$ 55 bilhões. Há um sentimento preocupante de que a depressão pode vir com força e, dessa vez, se instalar por um longo período. É tudo que os governos federal, estaduais e municipais querem evitar. Especialmente de olho no impacto que um quadro desse provocaria sobre as campanhas eleitorais. O ponto negativo a registrar é que a ajuda dos bancos públicos pode não chegar ao pequeno negócio. As instituições estão pedindo no atual contexto mais garantias e histórico de bom pagador, exigências que demandam estruturas contábeis afiadas e que, por isso, podem inibir a procura das microempresas em detrimento das grandes corporações. A democratização dos recursos ainda segue como uma falácia.

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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