Estilo

O renascimento da Poiret

Grife de alta-costura francesa, que marcou época na Europa há um século, será relançada por um grupo sul-coreano nesta semana em Paris

Crédito: Delius/Leemage

Ícone do passado: Paul Poiret (à dir.) vestia celebridades do início do século XX e até hoje é referência para a moda (Crédito: Delius/Leemage)

A semana de moda de Paris, que acontece de 26 de fevereiro a 6 de março, vai marcar o renascimento da grife de alta costura Poiret, criada pelo estilista francês Paul Poiret (1879-1944). A marca, que foi à falência em 1929 em consequência da recessão econômica, foi adquirida pelo grupo de luxo sul-coreano Shinsegae International, braço da gigante da eletrônica Samsung, que já representa ícones como a francesa Givenchy e a inglesa Burberry na Coreia do Sul. O mercado de bens de luxo sul-coreano, avaliado em US$ 11 bilhões, é o oitavo maior do mundo e o quinto em ritmo de crescimento, segundo a empresa de análises Euromonitor.

A Poiret era a referência no início do século XX e influenciou figuras importantes do mundo fashion, como a francesa Coco Chanel (1883-1971) e o britânico John Galliano. “A entrada de empresas coreanas no segmento de luxo, primeiro com a representação de marcas ocidentais consagradas e depois com a formação de holdings, já é uma realidade”, diz Flávia Gemignani, analista da consultoria americana The Boston Consulting Group. “Esses grupos têm a ambição de ocupar o espaço dos tradicionais conglomerados franceses, como LVMH e Kering.”

Apelo feminista: a grife, que, neste ano, foi tema de exposição no Moma, em Nova York (à esq.), terá nova coleção assinada por Yiqing Yin (Crédito:AFP Photo / Francois Guillot)

O retorno da Poiret reforça um movimento do mercado da moda chamado de sleeping beauties da alta costura. Esse conceito refere-se ao potencial de marcas, que estavam fora do mercado havia muito tempo, de despertar nos consumidores um tipo especial de experiência de compra, que envolve “reviver” outra época. Como a Poiret, outras grifes relançadas com apelo vintage são as francesas Vionnet, Charles James e Moynat – todas da época das tataravós, da Primeira Revolução Industrial. “O mercado de luxo global está em expansão e os investidores estão sempre em busca de nomes a serem lançados”, afirma Flávia.

Considerado um dos maiores inovadores da moda no início do século passado, por seu uso criativo de cores e texturas com influências orientais e neoclássicas, Paul Poiret vestia muitas estrelas da época, como a atriz francesa Sarah Bernhardt (1844-1923), a bailarina americana Isadora Duncan (1877-1927) e a artista plástica brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973), da qual era amigo. Com apelo feminista, ele libertou as mulheres dos desconfortáveis corseletes, criando silhuetas menos rígidas. E foi o primeiro criador de moda a investir em uma linha própria de perfume. A primeira coleção da nova Poiret tem a assinatura da diretora de criação chinesa Yiqing Yin. Ao contrário da original, a versão contemporânea terá peças prontas para o uso, e não sob medida, além de uma linha de sapatos, bolsas e artigos de couro. Um renascimento costurado à modernidade.

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