O renascimento da lendária Georges Aubert

O renascimento da lendária Georges Aubert

Espumante Georges Aubert Brut Tradicional: excelente cremosidade em estilo champenoise

Georges Aubert. A marca que por várias décadas foi sinônimo de espumante brasileiro, chegando a dominar 60% do mercado nacional da bebida, renasceu das cinzas para se uma das grandes surpresas do segmento. O feito se deve a uma estratégia da empresa CRS Brands, dona de marcas populares como Cereser e Chuva de Prata. Com a falência Vinícola Georges Aubert S.A., decretada em setembro de 2012, toda a linha de espumantes que levava no rótulo o nome de seu fundador foi descontinuada. Até despertar o interesse da CRS Brands. A aquisição foi feita em 2016 e o relançamento, no ano seguinte. “A compra foi motivada pelo desejo da empresa em ampliar o portfólio com produtos de maior valor agregado”, afirmou o gerente de marketing Edgard Galbiatti. “A reintrodução da marca no mercado se deu com as linhas mais básicas, como prosecco e moscatel, de maior volume, e fomos incluindo novos produtos, para reconhecer e valorizar a história do Georges Aubert”. Uma história que merece ser conhecida e que, de fato, está sendo valorizada em produtos de alta qualidade. Prova disso são as medalhas conquistas em 2020: duas de ouro e uma gran ouro (acima de 93 pontos) no Brazil Wine Challenge, outras duas de ouro no Concurso Vinhos e Destilados, e mais um ouro na Grande Prova Vinhos do Brasil. “Toda vez que a gente tem a oportunidade de participar de uma avaliação às cegas e sair de lá com um reconhecimento, é muito gratificante”, disse o enólogo da CRS Brands Romildo Dalla Costa.

Antes de comentar as bebidas que ele está elaborando, amebas em parceria com renomadas vinícolas gaúchas, voltemos no tempo. Até 1951, quando o francês Georges Aubert chegou ao Brasil, não havia por aqui quem produzisse espumantes pelo método charmat, no qual a tomada de espuma é feita em autoclaves e não na própria garrafa, como no método tradicional de Champagne. Nascido em 1875 na cidade francesa de Saillans, entre Marselha e Lyon, Georges Aubert já era um técnico experiente em vinificação quando decidiu se estabelecer em Garibaldi, na Serra Gaúcha. O sucesso da empresa, que além de vinhos e espumantes produzia whisky, gin, vermute e brandy, não foi tão constante quanto a qualidade dos rótulos que levavam seu nome. Entre altos e baixos, o controle da empresa ficou nas mãos dos herdeiros até 1998, quando trocou de donos pela primeira vez. Agora nas mãos da CRS Brands, a expectativa é de que a marca decole. “Temos metas agressivas de crescimento. Em 2020, o aumento de vendas foi de 25% e para este anos queremos ir além disso”, afirmou o gerente de marketing. Nessa estratégia não há produtos de preço baixo. O espumante Brut Tradicional está à venda por R$ 67 no site criado apenas para vender rótulos Georges Aubert, de forma a separar a marca das outras que integram a CRS Brands. O mais caro, Nature, sai por R$ 92,60. O preço pode parecer alto para um espumante nacional, onde as concorrência acirrada impede a prática de valores mais dilatados. Mesmo assim, poderia custar mais. “A marca é forte, mas precisa ser reforçada com a experiência do consumidor”, afirmou Galbiatti. Segundo ele, a marca muda a imagem da empresa e traz vantagens competitivas de posicionamento.

Na visão do enólogo Romildo Dalla Costa, a aquisição da Georges Aubert teve foco na qualidade. Como o negócio não incluiu a estrutura de produção, que já estava desatualizada, a CRS Brands firmou parcerias com duas vinícolas: a São João, para os espumantes charmat, e a Cave Geisse, para os elaborados no método tradicional. As uvas são compradas de produtores da Serra Gaúcha. No caso do Brut Tradicional, o corte é 30% pinot noir e 70% chardonnay. Na taça, a bebida é bem estruturada, com aromas tostados e de frutas secas (como damasco e nozes) que remetem ao estilo de Champagne. O perlage (cordão de borbulhas que forma na taça) é rico e persistente. Na boca, a sensação é bastante agradável, com bom equilíbrio entre acidez e álcool (12,5%), além de uma cremosidade que surpreende. Ainda mais sofisticado, o Nature (sem adição de açúcar no licor de expedição, que dá a assinatura à bebida) está no nível dos grandes rótulos do País. Um ótimo renascimento de uma marca lendária.

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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