Tecnologia

O rei (por trás) das nuvens

Empresa americana de armazenamento e memória aposta em soluções para estrutura de data centers que garantem o trânsito e a alocação de dados em cloud.

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"Quando falamos em cloud, é preciso ter estrututura” Paulo Vizaco Country Manager da Kingston. (Crédito: Divulgação)

No universo dos grandes negócios, não é raro encontrar empresas que começaram (ou pelo menos dizem que) de forma mambembe em garagens. Só para citar algumas, essa lista tem nada menos do que Amazon, Apple, Disney, Google e Microsoft. Na literatura das atividades econômicas também existe farto material sobre companhias que passaram por ciclos repetitivos, deparando-se com os mesmos desafios décadas depois de superarem problemas. A Kingston Technology se encaixa nos dois casos.

Em 1987, os engenheiros e amigos John Tu, da China, e David Sun, de Taiwan, montaram em uma garagem nos Estados Unidos, onde estavam desempregados, uma empresa de fabricação de módulos de memória para suprir a escassez de chips daquele tipo na época. Quase 35 anos depois, a companhia é líder global em produção de soluções de armazenamento e memória e se vê diante de mais uma crise no fornecimento de chips, desta vez de semicondutores. E em mais um estágio de reinvenção, a Kingston, reconhecida pelos pendrives, aposta na memória RAM de computadores e data centers, fundamental estrutura tecnológica para garantir o tal armazenamento em nuvem. “Quando falamos de cloud, é preciso ter estrutura”, afirmou à DINHEIRO Paulo Vizaco, comandante da operação da Kingston Brasil e diretor de e-tail para a América Latina.

No Brasil, as fichas estão colocadas no mercado corporativo, para atender principalmente à memória para servidores, desktops e notebooks. É uma necessidade do mercado. Há nove anos, a principal linha de negócio no País era a comercialização de pendrives. Com o armazenamento em nuvem em ascensão e a maior preocupação com a segurança de dados, esse nicho diminuiu. “Entramos com memória de servidores e SSD [Solid State Drives] para servidores [mais rápidos e mais potentes do que os discos rígidos HDs]”, disse Vizaco. São itens de maior valor agregado.

EUA BY CHINA As vendas brasileiras, que representam 34% de toda a América Latina, estão em crescimento. As remessas de produtos das fábricas chinesas – a tecnologia da Kingston é americana, mas a produção da maior parte dos produtos é feita na China, como ocorre com a Apple – para cá foi de 5 milhões de produtos em 2019. Aumentou para 5,5 milhões em 2020. E no primeiro semestre de 2021 fechou em 3 milhões de componentes. O trabalho atual é entrar e ganhar espaço nas empresas. Nas grandes, para fornecer memórias para os data centers. Nas pequenas e médias, soluções de memória para desktops e notebooks, além da recém-lançada linha de memórias gamer.

Recentemente, a Kingston intermediou fechamento de contrato com um escritório de advocacia para potencializar 30 computadores – a empresa não opera vendas diretas. A intenção inicial era trocar as máquinas. Mas a equipe da Kingston montou projeto para a troca dos HDs por SSDs, que oferecem dez vezes mais velocidade. “Mostramos que era possível reduzir o investimento que seria feito inicialmente em 70%, com maior eficiência.”

É uma continuidade ao trabalho desenvolvido há anos de educação dos consumidores sobre os benefícios do SSD. Foram realizadas centenas de workshops, palestras em universidades, aplicação de material em pontos de vendas e aproximação com distribuidores e revendedores. “Fomos a primeira marca no Brasil a trabalhar conteúdo para mostrar como serve, para que funciona e, como trocar para SSD. Não é só deixá-lo na prateleira. Isso nos deu a liderança que temos hoje nesse segmento”, afirmou o executivo.

Para distribuição e atendimento a esses projetos, a Kingstom tem parcerias com marcas como Aldo, Allied, Ingram Micro e Mazer Logística. No varejo, o principal canal é o e-commerce KaBuM!, especializado em produtos tecnológicos – recém-adquirido pelo Magazine Luiza por R$ 3,5 bilhões. A Kingston também tem ampliado sua relação com a Amazon, B2W e Kalunga.

A empresa faz suas apostas com novos produtos que entreguem mais performance. Mas não deixou de lado as origens e ainda olha para o segmento de pendrives, como a linha com criptografia. “O pendrive não vai morrer. Mesmo com nuvem, tem a questão da mobilidade, de transferir arquivos de um lado para outro”, disse Paulo Vizaco. Esse tipo de pendrive promove acesso controlado a computadores. Sem eles, as máquinas não ligam. E podem ter capacidade de até 1TB. Soluções de grande capacidade de armazenamento e de proteção e segurança que são fruto da aquisição da empresa IronKey pela Kingston, em 2016.

LIDERANÇA De acordo com dados da consultoria IDC sobre o último trimestre de 2020, a Kingston lidera o mercado em SSD no Brasil, com 47,4% de market share. Em Micro SD (memória flash portátil), a empresa é segunda colocada, com 15,1% das vendas, em ranking liderado pela SanDisk, com 60,1%. No ramo de pendrive, a companhia americana é terceira, com share de 10,8%, superada por SanDisk (43,5%) e Multilaser (19,8%). Globalmente, a Kingston Technology faturou US$ 12,8 bilhões em 2019, segundo a Forbes. Não há dados sobre a receita de 2020 e das vendas no Brasil, pois a empresa é de capital fechado. Aberta, porém, para melhorar a memória digital do mundo. Com a cabeça nas nuvens do mercado corporativo.