Negócios

O quebra-cabeças da Toyota

Depois da crise do setor, a montadora japonesa se prepara para uma retomada ainda mais forte nas vendas e estuda a abertura de um terceiro turno de produção

Durante os últimos anos, as notícias relacionadas às estratégias de produção das montadoras de automóveis se resumiram a demissões, fechamento de turnos, férias coletivas e renegociações de salários. Um dos melhores indicativos de que esse momento está passando tem sido dado pela Toyota. Mesmo tendo atravessado o pior da crise sem fazer grandes demissões, a empresa precisou, em 2016, atrasar planos de aumento de produção em sua fábrica de Sorocaba, no interior de São Paulo, mesmo depois de completar um investimento de R$ 100 milhões para isso. O receio era ficar com estoques encalhados no ano em que a produção brasileira baixou para 2,07 milhões, quase 1 milhão de veículos a menos do que em 2014. Agora, a empresa dá mostras de que o momento atual exige um novo encaixe de peças.

Durante o Salão de Detroit, na última semana, Steve St. Angelo, CEO da Toyota na América Latina, declarou que a empresa está considerando a abertura de um terceiro turno em Sorocaba, onde produz o Etios hatch e sedã e onde deve, no segundo semestre, começar a fabricar um novo modelo, o Yaris. Em outra unidade, em Indaiatuba (SP), ela produz o sedã Corolla. “Sempre estivemos longe do terceiro turno porque é algo que traz riscos. O mercado pode cair e, se isso acontece, ficamos com excedente de pessoal”, disse o CEO. “Por outro lado, o terceiro turno é uma solução mais barata do que fazer outra fábrica.” Esta segunda opção está mais próxima de acontecer.

Populares: o Corolla (à dir.) e o Etios são os dois carros mais vendidos da Toyota no mercado brasileiro (Crédito:REUTERS/Paulo Whitaker e Divulgação)

Globalmente, a montadora registrou um aumento de vendas de 5%, no ano passado, em relação a 2016, um pouco abaixo do crescimento de 7% obtido na América Latina. No Brasil, foram vendidas 190 mil unidades. A produção local ainda foi ajudada pelo mercado argentino, que comprou 13% mais automóveis da empresa. Com isso, a Toyota atingiu o recorde de produção no País, com uma alta de 12,3%, e a maior porcentagem de exportação de sua história: 30% do total. “Os resultados de 2017 superaram as expectativas do setor automotivo em diferentes aspectos. No caso da Toyota, registramos o segundo melhor desempenho de produção em 60 anos”, afirmou à DINHEIRO Rafael Chang, presidente da Toyota do Brasil. “O ano de 2018 já começou dando sinais positivos, o que nos leva a manter as boas perspectivas, considerando, inclusive, crescimento em relação a 2017.”

O mercado espera, de fato, uma expansão significativa, recuperando parte do terreno perdido durante a crise. “Em 2017, a produção se beneficiou do crescimento de vendas para a Argentina”, diz Roberto Barros, analista da IHS Automotive, consultoria especializada no setor. “Para 2018, as exportações para lá ficarão estáveis e o mercado interno vai puxar o crescimento.” A IHS projeta vendas de 2,45 milhões de automóveis no Brasil em 2018, uma expansão de 12,8% em comparação com o ano passado. Outro movimento deve acontecer com a abertura de novos mercados para exportação, como o da Colômbia. Para isso, no entanto, as fabricantes nacionais terão de ser mais competitivas, uma vez que o mercado colombiano é mais aberto do que o argentino, atraindo importações de México, Canadá e Estados Unidos.



Retomada: Rafael Chang, presidente no Brasil, comemora o segundo melhor resultado de produção em 60 anos (Crédito:Divulgação)

No Brasil, o investimento de R$ 1 bilhão anunciado pela Toyota em setembro do ano passado, para a chegada do Yaris, já está sendo aplicado. Mas a empresa indica que a recuperação do mercado exigirá ações adicionais, como o terceiro turno. “Ainda não temos um prazo para isso ocorrer, mas a decisão poderá ser tomada no primeiro semestre”, diz Chang. “Estamos estudando com a matriz essa possibilidade.” As montadoras japonesas são mais resistentes em utilizar a capacidade máxima de suas fábricas. A Toyota tem a política de evitar demissões. Uma abertura de turno exigiria contratações rápidas, que podem ter de ser revertidas em caso de mudança de mercado. Além disso, deixar as máquinas paradas por parte do dia diminuiria os custos de manutenção, defendem os executivos das companhias japonesas.

A rival Honda, por exemplo, utilizou um terceiro turno em sua fábrica em Sumaré (SP) pouquíssimas vezes: em 2007 e na virada de 2011 para 2012. Atual oitava colocada do mercado nacional, a Honda possui uma fábrica em Itirapina (SP) ainda sem produção, o que indica que o bom momento da Toyota não tem relação apenas com uma recuperação de mercado. Mesmo durante a crise, a fabricante do Corolla e do Etios manteve-se bem posicionada. O Corolla foi o sétimo modelo mais vendido em 2017. “Com a recuperação do mercado, vai haver um aumento significativo da demanda interna”, afirma Chang.

Veja também
+ Até 2019, havia mais gente nas prisões do que na bolsa de valores do Brasil
+ Geisy reclama de censura em rede social: “O Instagram tá me perseguindo”
+ Gel de babosa na bebida: veja os benefícios
+ Nicole Bahls já havia sido alertada sobre infidelidade do ex-marido
+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais
+ Chef playmate cria receita afrodisíaca para o Dia do Orgasmo
+ Mercedes-Benz Sprinter ganha versão motorhome
+ Anorexia, um transtorno alimentar que pode levar à morte
+ Agência dos EUA alerta: nunca lave carne de frango crua
+ Yasmin Brunet quebra o silêncio
+ Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago