O que vem com os 100 mil pontos

O que vem com os 100 mil pontos

É naturalmente mais que uma mera barreira psicológica. A aposta na Bolsa que rompeu de maneira histórica um patamar extraordinário e que segue levantando os números para uma escala nunca antes experimentada – se fala em até 130 mil pontos, caso a Reforma da Previdência passe em sua plenitude, sem descaracterizações ou rastros de privilégio –, traz um misto de otimismo latente e de busca por lucros rápidos. Existe a crença de que o País vai finalmente melhorar e de que as ações irão, com certeza, se valorizar ainda mais após o longo período de pancadas e revezes especialmente nas chamadas blue chips.

No conjunto, a combinação de um eventual novo ciclo virtuoso do Brasil com o empenho de investidores estrangeiros de alocar dinheiro por aqui está provocando o clima de festa. O movimento alvissareiro do leilão de aeroportos, que arrecadou quase dez vezes mais que o preço mínimo estabelecido, deu o tamanho do apetite dos aportes. Empresas mostram disposição para voltar a crescer. Preparam as estruturas nesse sentido. As declarações e planos manifestados pelo ministro Paulo Guedes, da Economia, dão estofo a esse ânimo.

Em Washington, no recente road-show com Bolsonaro, Guedes encantou a plateia falando na venda de patrimônio estatal em quase todas as áreas, da infraestrutura ao financeiro. Os futuros leilões de pré-sal também servem de alavanca. Um Estado mais indutor de desenvolvimento e menos gestor de companhias está em andamento e tal condição propicia o entusiasmo da iniciativa privada. Os 100 mil pontos na Bolsa trazem consigo a convicção de que a tendência é de retomada no médio e longo prazo. A máquina está demorando a engrenar, mas as condições estão postas. Esse é o momento pelo qual o mercado tanto esperava. O movimento das commodities também compõe a relação de motivos que levaram a essa supervalorização do pregão brasileiro. Só o minério de ferro já subiu 21,3% neste ano.

O petróleo alcança 27,1%. A aproximação do parceiro norte-americano, que deve incrementar suas relações comerciais com o Brasil, tem sido tratada no meio dos especialistas como a mais alvissareira boa nova dessa etapa. Não saíram do encontro grandes e substanciais acordos de exportações e importações, mas muitos acreditam que eles virão daqui para frente. Seria uma situação, no mínimo, mais promissora que a vivenciada nos últimos anos, quando a balança bilateral ficou praticamente estagnada. Se há uma certeza, no momento, é que o Brasil pode, de novo, virar a bola da vez. E é isso que garantirá a Bolsa nos 100 mil pontos e além.

(Nota publicada na Edição 1113 da Revista Dinheiro)

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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