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O que o Google quer com a divisão de smartphones da HTC?

O que o Google quer com a divisão de smartphones da HTC?

Google Pixel, smartphone do Google, que foi fabricado pela taiwanesa HTC

Não chega a ser uma surpresa a compra da divisão de smartphones da taiwanesa HTC por US$ 1,1 bilhão pelo Google, anunciada nesta quinta-feira 21.

Havia rumores sobre o negócio desde o início deste mês e não é a primeira incursão da companhia de Mountain View na área de smartphones. Em 2011, por exemplo, o Google pagou US$ 12,5 bilhões pela Motorola.

Mas, ao menos nessa vez, a situação é diferente. Há seis anos, o Google pagou caro pela Motorola para se proteger de processos contra o sistema operacional Android. O valor do negócio eram as patentes da companhia americana, que chegou a liderar o mercado de celulares nos anos 1990.

Agora, a intenção do Google parece ser outra. A HTC vai ajudar o Google a continuar a “sua grande aposta no hardware”, segundo as palavras de Rick Osterloh, vice-presidente sênior de hardware do Google.

A HTC é uma antiga parceira no desenvolvimento de hardware do Google. Mas, no ano passado, a companhia taiwanesa ajudou a companhia no desenvolvimento dos smartphones Pixel e Pixel XL, os primeiros aparelhos a estampar a exclusivamente a marca do Google.

Na ocasião, não havia nenhuma menção à HTC, embora ela tenha sido responsável pela manufatura dos aparelhos.

Mais do que ajudar a HTC, que enfrenta sérios problemas financeiros, o Google dá um sinal claro de que quer disputar um lugar ao sol no mercado de smartphones com Apple e Samsung, as duas principais empresas do setor.

Para o Google, agora não basta que o Android, sistema operacional que está em nove de cada dez smartphones vendidos mundialmente, domine o mercado. A gigante de internet quer iniciar uma batalha para controlar todo o ecossistema móvel.

A explicação para isso pode estar na próxima batalha do setor de tecnologia: a da inteligência artificial. A porta de entrada para esse novo mundo são os smartphones com suas assistentes virtuais inteligentes.

A Apple, por exemplo, tem o Siri. A Samsung desenvolveu o Bixby. E a Amazon negocia com diversos fabricantes, entre eles a HTC, para oferecer a Alexa.

O Google estava isolado nessa batalha. Agora, ele poderá incorporar o seu assistente digital em seu próprio aparelho. “Nossa meta é oferecer a melhor experiência Google, do hardware, passando pelo software e serviços”, afirmou Osterloh. Os próximos rounds dessa disputa devem ser emocionantes.

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