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O que há de tão bom no bourbon?

Setembro é o mês da bebida que se tornou patrimônio dos EUA. Para brindar, elaboramos uma lista com alguns dos melhores e mais raros uísques desse tipo. As garrafas podem custar até US$ 4 mil.

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Em setembro de 1964, o Congresso dos Estados Unidos declarou o bourbon “um destilado nacional norte-americano”. Nos dias de hoje, seria como tornar uma comida ou bebida patrimônio imaterial de um país. O Senado americano achou pouco e criou, em 2007, o National Bourbon Heritage Month. Resumindo, trata-se do mês do bourbon, que, numa referência ao projeto original do Congresso, é celebrado em setembro. Aos poucos, outros países entraram na brincadeira e hoje já há cerca de 50 nações que comemoram a data. O Brasil é uma delas. Durante este mês, bares e restaurantes de todo o País servem drinques que têm como protagonista o uísque americano criado no condado de Bourbon, no estado de Kentucky, no final do século 18.

Não é qualquer uísque que pode ser chamado de “bourbon”. Há regras rígidas para que uma bebida seja classificada como tal: ter ao menos 51% de milho na sua composição, ser envelhecida em barris novos de carvalho, não usar nenhum ingrediente artificial e ser produzida nos Estados Unidos. “O bourbon é um uísque delicioso e fácil de beber”, disse a bartender paulista Adriana Pino, vencedora do World Class 2018, o maior campeonato de coquetelaria do mundo, com cerca de 50 países participantes. “Em relação aos uísques escoceses, o bourbon é mais leve e doce, agradando bem mais ao paladar do brasileiro, além de ser perfeito para coquetelaria.” Uma das maiores especialistas do Brasil no assunto, Adriana já visitou destilarias de bourbon nos Estados Unidos e criou um drinque com a bebida – aliás, foi ele que a classificou para o World Class 2018. Para celebrar o mês do bourbon, a DINHEIRO elencou seis rótulos que figuram entre os melhores do mundo lançados neste século em listas elaboradas por quem mais entende do assunto: especialistas americanos. Escolha o que mais agradar e saboreie com moderação. Em qualquer mês do ano.

High Wire Revival 
US$ 99

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Abençoados os que pensam fora da caixa. Sem a mente criativa e audaciosa do pessoal da destilaria High Wire, o bourbon Revival Jimmy Red Corn não existiria. Tudo começou em 2016, quando a empresa resolveu fazer o que nenhuma outra jamais fizera: usar o milho do tipo Jimmy Red para produzir um bourbon. Como o nome já diz, o cereal é vermelho, o que o afastava dos olhares dos grandes produtores da bebida. A High Wire foi contra a maré e acabou por elaborar um uísque único. Com lindo tom avermelhado, o Jimmy Red Corn Straight tem aroma de noz-moscada, com o sabor marcado por notas de nozes, banana e caramelo. Além da coloração, outro diferencial é a cremosidade que ele deixa na boca.

Jefferson’s Reserve
US$ 80

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“Alquimia é tudo”. Esse é o slogan da destilaria Jefferson’s, que se declara comprometida em criar misturas inovadoras. Empresa ainda jovem – foi fundada há apenas 23 anos –, deixou claro que não estava no negócio para brincadeiras em 2018, quando lançou seu uísque mais ambicioso. O Reserve Twin Oak exigiu seis anos de trabalho, para desenvolver um barril carbonizado – e devidamente patenteado –, feito com ranhuradas que permitem a exposição máxima ao carvalho. Desse processo saiu um bourbon bem equilibrado, com toques de mocha e notas doces e picantes. Ao final, o paladar percebe um pouco de cedro e limão.

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“Em relação aos uísques escoceses, o bourbon é mais leve e doce, agradando bem mais ao paladar do brasileiro, além de ser perfeito para coquetelaria” Adriana Pino, bartender.

Angel’s Envy
US$ 180

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O destilador Lincoln Henderson é uma lenda entre os especialistas em bourbon, com mais de 30 anos de carreira e vários prêmios. É dele grande parte da responsabilidade pelo vigoroso Angel’s Envy, lançado em 2012. O próprio Henderson – falecido um ano depois – chegou a dizer que era sua obra prima. Ninguém duvida. Esse uísque é uma espécie de testemunho do seu talento e da sua técnica. Primeiro, ele passou seis anos descansando em barril de carvalho americano branco. Em seguida, foi refinado em barris de Porto Rubi de 60 galões, confeccionados com carvalho francês e importados de Portugal. É repleto de sabores, como uva passa, banana e chocolate, com um leve toque de madeira no final. No Kentucky, dizem que até os anjos sentem inveja de quem bebe esse bourbon.

Willett
US$ 4 mil

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A Willet é tão tradicional nesse negócio de fazer uísque de milho, que também é conhecida como destilaria Kentucky Bourbon. Fundada há 44 anos, no estado americano que é o berço desse tipo de bebida, tem como um de seus maiores sucessos o Family Estate lançado em 2008, como parte do seu programa de seleção de barril privado. De imediato, entrou na lista dos preferidos de críticos e bartenders. Trata-se de um uísque de bourbon puro, leve e de alta complexidade. Seus sabores mais proeminentes são pêra, cacau e cereja. Quando chegou às prateleiras, seu preço original ficava em torno de US$ 100. Hoje, 12 anos depois, uma garrafa chega a ser vendida por US$ 4 mil nos sites especializados.

Russell’s Reserve
US$ 2 mil

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Em 1998, ano em que o destilador mestre Jimmy Russell completou 45 anos na destilaria Wild Turkey – uma das mais respeitadas do mundo –, seu filho Eddie decidiu homenagear o pai. Nasceu, assim, o Russell’s Reserve 1998, do qual foram produzidas apenas 2 mil garrafas, originalmente vendidas por US$ 250. Hoje, quem quiser provar o sabor amadeirado e um pouco seco desse bourbon vai precisar pagar em torno de US$ 2 mil. Um dos pontos marcantes são as notas de caramelo, baunilha e frutas. O velho Jimmy Russell já se aposentou, mas Eddie segue o legado do pai. “São bourbons excelentes. Conheci o pai, o filho e o neto que vai assumir a destilaria. Eles fazem bebidas maravilhosas, com paixão”, disse Adriana, que
visitou a Wild Turkey em 2016.

Michter’s 
US$ 700

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E que tal uma destilaria que produz uísque há quase 270 anos? É o caso da Michter’s, fundada em 1753 e que teve vários nomes durante todo esse tempo, até o final dos anos 1970, quando adotou a marca atual. Não é de se estranhar que seja apontada como uma das melhores em relação a envelhecimento em barris. A edição lançada no ano passado do Kentucky Straight Bourbon, de 20 anos, comprova isso. O bourbon possui diversidade de sabores que vão de cerejas a nozes, com aroma amadeirado e levemente doce. Vale lembrar que a própria Michter’s diz não se tratar de uma bebida para paladares delicados. O uísque é potente e deixa impressão duradoura.

A dama da alquimia

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Adriana Pino é dona de raro talento. Aos 39 anos, a bartender já conquistou diversos prêmios, alguns de projeção internacional. Sua maior conquista veio há dois anos, quando venceu a etapa nacional do World Class 2018, o maior campeonato de coquetelaria do mundo, realizado pela Diageo – líder global de bebida alcoólica premium – e com cerca de 50 países participantes. Adriana disputou com 250 bartenders, sendo a única mulher entre os 15 finalistas do Brasil. Esse reconhecimento aqueceu a agenda da mixologista, que hoje atende a bares e restaurantes de todo o Brasil, do Acre a Santa Catarina, passando por Ceará, Goiás, Minas e São Paulo. Ela aceitou o convite da DINHEIRO para dar duas dicas de drinques com bourbon. “Pensei que seria ser bacana sugerir um clássico, o Manhattan, e outro criado por mim, o Bourbon Smash”, disse. Confira:

Manhattan

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Ingredientes:
50 ml de bourbon
25 ml de vermouth Carpano Clássico.
meia colher de chá de angostura.
Modo de preparo: Gelar os ingredientes no mixing glass e servir em taça Martini gelada, com amarena e perfume de laranja.

Bourbon smash

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Ingredientes:
6 a 8 folhas de manjericão.
15 ml de xarope artesanal de baunilha.
20 ml de limão siciliano • 50 ml de bourbon.
Modo de preparo: Macerar as folhas na coqueteleira e adicionar os outros ingredientes. Bater vigorosamente e peneirar duplamente para um copo baixo, com uma pedra de gelo. Servir com manjericão e romãs opcionais.

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