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‘O que eu senti foi terrível’, diz mãe de jovem negro assassinado no RN

Aos 23 anos, Felipe França sonhava em ser independente, ganhar dinheiro e realizar sonhos. No dia 27 de janeiro de 2017, enquanto milhares de jovens na mesma faixa etária se banhavam e surfavam nas águas mornas das praias natalenses em mais uma sexta-feira de verão, 22 tiros tiraram a vida do jovem, que adorava o mar. Felipe foi um dos 1.928 negros mortos no Rio Grande do Norte em 2017, o ano mais violento da história no Estado com 2.203 assassinatos.

“Como mãe, o que eu senti foi terrível. Com palavras, é inexplicável. Foi como se eu estivesse me desmanchando. Como mãe, é uma dor que dilacera o mais profundo do nosso ser. Meu único filho, aos 23 anos, saindo da minha vida. Eu imaginava que fosse aumentar minha família através dele. Sempre sonhei com uma família grande e quando conheci a namoradinha dele fiquei muito feliz, me dei muito bem com ela. De repente, eu recebo a notícia de que mataram o meu filho. Foi a pior coisa que me aconteceu na vida, sem a menor sombra de dúvida”, relembra Zilma Oliveira, mãe de Felipe.

Passados quase quatro anos, as circunstâncias do crime não foram completamente esclarecidas. No momento do assassinato, Felipe França caminhava por uma rua do bairro Mãe Luiza, na zona leste de Natal, conhecido pelas briga de facções criminosas em disputa de pontos de vendas de drogas. Conforme investigação da Polícia Civil, pelo menos nove pessoas estão ligadas ao assassinato.

“Segundo a Polícia, os culpados foram pegos. Foram nove pessoas. Ele recebeu 22 tiros e a notícia que eu tenho é que dessas nove pessoas, sete morreram. Duas estão vivas. Não conheço nenhuma, não quero conhecer. O cabeça já foi morto pela polícia mesmo. Me mandaram uma foto dizendo que a pessoa que era a cabeça, que tinha matado o meu filho, a polícia tinha acabado de matá-lo. Foi horrível, foi outro momento bem difícil. Eu não desejei a morte deles, ao contrário. Eu desejava que eles pudessem se arrepender amargamente do que fizeram e não fazer com mais ninguém. Eu fico pensando: quantas mães passaram o que eu passei e estou passando? Eu não desejo isso para ninguém”, relata a mãe que perdeu o único filho, adotado poucos dias após o nascimento numa maternidade pública em Natal.

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