Semanal

O que Boris Johnson tem a ensinar a Bolsonaro?

Crédito: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro durante encontro em Nova York com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, em setembro do ano passado (Crédito: Alan Santos/PR)

Exceto pela aparência de doido, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson e o presidente Jair Bolsonaro têm pouca – ou talvez nenhuma – característica em comum. Nos últimos dias, no entanto, a revelação pública dos deslizes éticos de Johnson fez com que seu nome ficasse mais associado do que nunca ao inquilino do Palácio do Planalto. Embora nem todos os erros se caracterizem como ilegais, são, no mínimo, imorais e fora do tom.



Enquanto no Brasil o chefe do Executivo passeava de jet-ski no litoral de Santa Catarina, ironizava a pandemia, publicava vídeos contra a vacinação, levantava falsas suspeitas de corrupção na Anvisa e se engasgava com camarão sem mastigar, vinha à tona as festinhas de Johnson em Downing Street em descumprimento das regras de aglomeração e encontros impróprios na véspera do funeral do príncipe Philip (marido da Rainha Elizabeth). Mesmo com os lutos nacionais, da morte do monarca no Reino Unido e das dezenas de pessoas nas enchentes da Bahia e Minas Gerais, Johnson e Bolsonaro não demonstraram a empatia digna de chefes de estado e o respeito ao sentimento coletivo.

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Funcionários do gabinete de Boris beberam álcool à vontade, dançaram até o fim da noite na despedida do diretor de comunicação James Slack e de um fotógrafo oficial do governo britânico. Os polêmicos eventos receberam o apelido de “partygate”, dado o tamanho do estrago que causou à reputação do premiê. Com razão, Boris enfrenta pedidos de renúncia, inclusive de membros de seu próprio partido. Uma pesquisa do site YouGov, na terça-feira (11), mostrou que dos 5.391 entrevistados, 56% defendem a renúncia do primeiro-ministro. O índice é próximo aos 54% dos brasileiros que consideram o governo Bolsonaro ruim, segundo pesquisa XP/Ipespe divulgada na sexta-feira (14).
Apesar das semelhanças de comportamento entre Johnson e Bolsonaro, compará-los beira a injustiça com o líder britânico. Diferentemente do Messias campineiro-carioca, que jamais reconhece seus erros – por mais esdrúxulos que sejam – Johnson admitiu ter furado as regras de confinamento e, diante do Parlamento, disse que a indignação causada era compreensível. Também pediu desculpas à Rainha e lamentou ter envergonhado o povo britânico. Tudo bem que a fala provocou vaias e risadas, principalmente dos membros dos partidos de oposição, mas isso faz parte do jogo político.

O fato é que os escândalos recentes de Johnson e Bolsonaro demonstram que líderes estão sujeitos a errar e a receber a condenação por parte da opinião pública. A diferença é que um exerceu a nobreza do pedido do perdão, enquanto outro exercita, em um cargo temporário, a indecência da arrogância permanente.

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