Negócios

O próximo destino de Guilherme Paulus

Fundador da CVC, empresário rascunha novos negócios depois de vender a rede hoteleira GJP para o fundo R Capital.

Crédito: Gabriel Reis

“O Brasil tem muitos milionários que viajam para o exterior nas férias por falta de boas opções dentro do País”. (Crédito: Gabriel Reis)

“Eu saio do hotel, mas o hotel não sai de mim.” A afirmação do empresário Guilherme Paulus, fundador da CVC e da rede GJP Hotels & Resorts, sintetiza o atual momento do pai do turismo de massa no Brasil. Mais do que isso. Sinaliza que, depois de vender 100% da GJP para um fundo de private equity da R Capital, na semana passada, vai continuar a empreender na indústria da hospitalidade. “Não vou pendurar as chuteiras. Não consigo. Só vou descansar no dia em que eu for embora”, afirmou Paulus, à DINHEIRO. “A venda da GJP é mais um negócio de oportunidade, que não estava no radar, mas acabou acontecendo pelas boas condições apresentadas para ambos os lados.” A venda da rede não inclui o Castelo Saint Andrews, icônico hotel de luxo na cidade gaúcha de Gramado. O residencial em Foz do Iguaçu (Village Iguaçu Golf Residence) e o campo de golfe em Foz, também ficaram de fora.

A GJP, fundada em 2005 por Paulus, é formada pelas bandeiras Wish, Prodigy, Linx e Marupiara. Com nove hotéis próprios, mais de 3 mil apartamentos e centros de eventos, a rede é uma das cinco maiores entre os grupos de capital nacional no segmento de lazer. As marcas, segundo Paulus, devem continuar, mas é provável que grupo receba um novo nome.

Apesar de as cifras envolvidas na operação não terem sido reveladas, o mercado estima que a venda superou R$ 800 milhões. Com esse dinheiro em caixa, Paulus agora rascunha um novo plano de investimento, com foco na aquisição de hotéis butiques e propriedades que possam se tornar destinos para o enoturismo. “Estou analisando possibilidades de aquisições de hotéis de charme no Pantanal, na Amazônia, no Sul e no Nordeste”, disse Paulus, sem esconder a empolgação com sua nova estratégia na indústria da hospitalidade. “O Brasil tem muitos milionários que viajam para o exterior nas férias por falta de boas opções dentro do País”, afirmou.

ENOTURISMO NA MIRA Investir em propriedades que possam se tornar destino para amantes do vinho é um dos planos de Guilherme Paulus. (Crédito:Istock)

Não é a primeira vez que Paulus protagoniza um grande negócio no mercado brasileiro do turismo. Em 2010, ele vendeu 63,6% do capital da CVC para o fundo Carlyle, por estimados US$ 250 milhões. No ano seguinte, Paulus também vendeu a companhia aérea Webjet para a Gol Linhas Aéreas por R$ 270 milhões (R$ 70 milhões em dinheiro e R$ 200 milhões em dívidas). Desta vez, o acordo com a R Capital inclui manter a diretoria da GJP, incluindo o presidente Fábio Godinho.

DIFICULDADES A pandemia foi um fator determinante na decisão de venda da GJP. Com todos seus hotéis fechados durante quase cinco meses, a rede recorreu a medidas como a inclusão de 80% de seu quadro de 1,5 mil funcionários na Medida Provisória 936. “A pandemia e prejudicou muito a gente, assim como todo o setor”, disse Paulus. “O risco de comprometimento de capital aumentava na mesma velocidade da disseminação do vírus.”

Na tentativa de estacar os impactos do vírus nos negócios, a GJP fechou parceria com o hospital Sírio Libanês para a definição de rígidos protocolos de segurança, e lançou um programa reconhecido como um dos mais completos de prevenção e combate ao coronavírus. O plano partiu da análise das plantas, fluxos e pontos de interação para definir novas práticas em cada hotel. O pacote inclui desde a higienização dos ambientes até regras de distanciamento social e de limitação no número de pessoas em espaços como piscinas, academias, restaurantes e elevadores. A reabertura dos hotéis, no entanto, foi gradativamente retomada a partir de setembro, com taxa de ocupação entre 30% e 50%.

Superada a crise e com novos planos, Paulus afirma que agora quer escrever um novo capítulo em sua trajetória. Com dinheiro em caixa e apetite por aquisições, o próximo destino do empresário será, ao que tudo indica, um hotel de campo com bons vinhos na adega.

EMPRESAS SE UNEM EM MOVIMENTO “BORA VIAJARH”

A queda no número de casos de Covid-19, associada a uma ampla vacinação, tem possibilitado uma retomada no mercado de turismo. E, para acelerar esse processo, empresas preocupadas com a saúde mental e bem-estar de seus colaboradores se uniram a grandes redes hoteleiras para criar o movimento Bora Viajarh, que visa estimular a retomada do turismo no Brasil e incentivar colaboradores de empresas — obrigados a cancelar planos de descanso, lazer e férias para ficar em suas casas — a voltar a viajar. Apoiam o movimento as redes hoteleiras Atlântica Hoteis, Cana Brava Resort, Casa Grande Hotel, Laghetto Hotéis, GJP Hotels e Ritz Suites. Além de empresas como Gupy, Mobly, Olist e Wiz, entre outras.

Para o lançamento do movimento Bora Viajarh, durante todo o mês de setembro, foi criada a página boraviajarh.com.br. As redes hoteleiras prepararam tarifas especiais para os próximos meses aos colaboradores que tiverem acesso ao benefício por suas empresas, além de terem investido em ampla estrutura para receber colaboradores que estejam trabalhando de maneira remota. Já as empresas interessadas em reconhecer seus colaboradores com o benefício de viagens, poderão acessar o site para se juntar as outras e proporcionarem o benefício também.

O sistema utilizado para integrar as empresas às redes hoteleiras será o da startup Férias & Co. Para Bruno Carone, cofundador da startup que oferece benefícios de viagens, as empresas que investirem agora sairão na frente em relação ao cuidado com a saúde mental de seus colaboradores e também na atração e retenção de melhores talentos. “Pesquisas mostram que viajar é o que o brasileiro mais deseja fazer no pós-pandemia. As pessoas estão sedentas por momentos de descompressão e relaxamento e as empresas que perceberam isso e estão investindo em um benefício que, de fato, conversa com a real vontade e necessidade dos colaboradores, estão saindo na frente”, disse.

As redes hoteleiras também esperam uma nova alta temporada com o impacto das mudanças que a pandemia trouxe para as empresas e seus colaboradores. Para Rafael Espírito Santo, do Cana Brava Resort, a ação trará ganhos para todos os setores. “Com a retomada do turismo as cidades brasileiras ampliam sua renda. A ação ajudará no crescimento do interesse dos brasileiros por destinos locais e isso promoverá a consolidação do segmento”, afirmou.