Negócios

O PRAZER QUE DÁ LUCRO

Por muito tempo as empresas que atuam no chamado segmento erótico permaneceram numa espécie de faixa cinzenta do mercado. A parte mais visível, até então, eram os letreiros em néon nas fachadas de motéis e sex shops, além das inúmeras revistas ?masculinas? acomodadas em um discreto canto nas bancas de jornais. Mas enquanto vários setores da economia apresentaram desempenho modesto em 2001, as vendas de produtos eróticos cresceram a uma taxa média superior a 15%, batendo R$ 500 milhões. ?Saímos da sombra?, afirma Evaldo Shiroma, diretor-executivo da recém-criada Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico. A consolidação do setor também está mudando a forma com que os empresários vêem este nicho. Já existe, por exemplo, motel com certificado de qualidade de serviços da série ISO. Até o fim do ano, os sex shops vão ganhar a concorrência de sofisticadas butiques eróticas, destinadas aos clientes das classes A e B. São idéias inspiradas no modelo norte-americano, onde o consumo de serviços com apelo sexual soma US$ 10 bilhões, anualmente.

 



E é exatamente essa perspectiva favorável que ronda o segmento que animou a empresária Waléria Albuquerque. Sócia da Eros Importação e Exportação ? uma das maiores distribuidoras de produtos para o setor ?, ela investiu
R$ 50 mil para desenvolver uma franquia de butiques de acessórios eróticas, batizada de Eroticpoint. ?Nossas lojas vão ter decoração sofisticada e atmosfera sóbria,
bem ao gosto dos consumidores de maior poder aquisitivo?, explica. A executiva está gastando outros R$ 20 mil na implantação de um portal de Internet, para dar suporte à operação. E projeta ainda a instalação de um showroom e um centro de treinamento para os franqueados na sede da empresa, em São Paulo. ?Nossa meta é abrir cinco unidades por ano?, prevê Waléria. Cada ponto-de-venda, com metragem mínima de 60 metros quadrados, exigirá um desembolso de R$ 80 mil, sem contar o valor do aluguel.

Além de atuarem na mesma faixa de mercado, Waléria e Shiroma têm outro traço em comum. Ambos tocavam negócios digamos, normais, antes de entrarem no universo erótico. Até 1996, a trading fundada pela executiva prestava assessoria para clientes na importação e exportação de equipamentos eletrônicos e commodities. ?De tanto receber consultas de lojistas e distribuidores, decidi investir nesse nicho?, lembra. Shiroma ? publicitário de formação e dono da JL Eventos ? fez carreira com a montagem e promoção de feiras de móveis, decoração e esportes radicais. Em 1997, no entanto, ele resolveu dar uma guinada em sua trajetória e criou a mais famosa feira do setor no País, a Erotika Fair, realizada em São Paulo. O evento, cuja sétima edição vai até a terça-feira 9, é a principal vitrine do setor e, de acordo com ele, deverá resultar em vendas acima de R$ 2 milhões.

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