As Melhores da Dinheiro 2019

O poder das médias

Enfraquecida diante da concorrência estrangeira, a indústria química e petroquímica viu seus lucros subirem devido a uma alta nos preços internacionais. Exigindo competitividade, o mercado se acirrou. Gigantes do setor continuam a enfrentar problemas estruturais, mas as pequenas empresas podem dar um exemplo do que se pode fazer

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“Temos que agradecer nossa equipe por esses resultados, que entendeu que o momento era de sair da zona de conforto” (Crédito: iStock)

Intermediário, o setor químico e petroquímico nem sempre lida diretamente com o consumidor final. Seus clientes são, em sua maioria, outras empresas que utilizam de solventes, detergentes, fertilizantes e lubrificantes, atendendo do agronegócio ao setor calçadista. Esse viés camaleônico oferece vários nichos de mercado e opções de vendas para companhias químicas. Porém, por estarem altamente integradas a outras indústrias, elas sofrem facilmente com mudanças na economia, como a crise dos últimos anos. Dessa forma, mesmo que 2018 tenha sido de crescimento da economia brasileira, com alta de 1,1% no PIB, o ano foi desafiador para o setor.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o faturamento cresceu no ano passado, chegando a R$ 462,3 bilhões, um aumento de 5,4% em relação a 2017. A alta no lucro, no entanto, não aconteceu por aumento em produção. “A química nacional não é formadora de preços. Foram os bons preços internacionais das commodities que ajudaram”, afirma Fátima Coviello Ferreira, diretora de Economia e Estatística da Abiquim.

E apesar do bom momento nos preços, a indústria nacional diminuiu. A produção caiu 1,3%, quando comparada a 2017 e a demanda interna encolheu em 1,6% em 2018. Na contramão, a importação de insumos químicos aumentou 9,7% no Brasil. Ou seja, mesmo com lucro, as indústrias químicas brasileiras têm produzido menos e o mercado consumidor tem comprado mais de concorrentes estrangeiros.

Em termos históricos, as quantidades importadas em 2018 são as maiores de todos os tempos, com uma penetração da importação na demanda interna de 37%. Anteriormente, 2013 havia sido o ano com maior déficit no histórico da balança comercial de produtos químicos, com 37,5 milhões de toneladas importadas, o equivalente a US$ 32 bilhões. No ano passado, porém, esse valor subiu para 45,2 milhões de toneladas, ou US$ 43,3 bilhões, um aumento de 20,5%.

Marcos de Marchi / Empresa: Elekeiroz / Cargo: diretor-presidente / Principal realização da gestão: investir na eficiência e gestão para melhorar o resultado e crescer mesmo na crise (Crédito:Divulgação)

O déficit cresceu especialmente devido ao agronegócio, que comprou mais de US$ 7,6 bilhões de intermediários para fertilizantes estrangeiros. Os números alarmam o setor, pois demonstram que mesmo faturando, a indústria química, em longo prazo, corre um sério risco. Houve fechamento de fábricas de fertilizantes no Nordeste e a Abiquim atribui a causa à falta de competitividade, frente ao produto externo.

Em um cenário tão adverso, empresas de médio porte podem se ver sem alternativas para prosperar. Não foi o caso da Elekeiroz, que mesmo não sendo umas das gigantes do setor, conseguiu subir seu faturamento em 17% em 2018, registrado em R$ 1,14 bilhões. Mesmo com uma queda em expedições de produtos, 7% a menos do que em 2017.

Parte disso se deu exatamente pela empresa ter superado o desafio que o setor enfrenta. “Nós já chegamos a ser 750 [funcionários] e hoje somos 500. Então, houve um ganho de competitividade oriundo de cortar a própria carne”, afirma Marcos De Marchi, diretor-presidente da Elekeiroz. “É um time espetacular. Se temos que agradecer alguém por esses resultados, foi essa equipe que entendeu que o momento era de mudança e de sair da zona de conforto.”

Graças a esses e outros esforços, a empresa foi eleita a melhor do setor Químico e Petroquímico do anuário AS MELHORES DA DINHEIRO 2019. Fundada ainda no século 19, ela acumula 125 anos de história, tendo começado na produção de ácidos sulfúricos e hoje se especializando em plastificantes e oxo-álcoois, usados como matéria prima de diversos setores.

Atualmente de capital aberto e controlada pelo fundo de investimentos americano pela H.I.G, focado em empresas de médio porte, a companhia fez um movimento estratégico em 2014 ao comprar uma de suas fornecedoras no Nordeste, fazendo uma verticalização da cadeia produtiva, sendo responsável por todo o processo de produção e distribuição – o que ajudou a empresa no período turbulento da economia em 2015-2016. “Estamos coroando todo um trabalho de valorização de cliente, de pessoas, da melhoria da governança e do porfolio, dando a importância para a inovação e a sustentabilidade”, conclui De Marchi.

O ano de 2018 pode não ter sido fácil para o setor, mas a expectativa para o futuro é promissora. “Enquanto houver previsão de aumento do PIB, a indústria química vai ter esperanças de melhora”, diz Ferreira, da Abiquim. Uma oportunidade para a Elekeiroz continuar o bom trabalho.