Negócios

O plano elétrico da Renault

A marca francesa acelera suas vendas fortalecendo parcerias com governos e entidades dedicadas a popularizar os motores carbono zero

Crédito: Andre Coelho

Frota de Twizy: inserida no projeto de mobilidade compartilhada do Distrito Federal (Crédito: Andre Coelho)

A partir desse mês, quem circular pela Esplanda dos Ministérios, em Brasília, poderá observar o vaivém dos minicarros Renault Twizy, o menor e mais barato veículo 100% elétrico do País. A montadora francesa vai fornecer 16 unidades para o projeto VEM DF (Veículo para Eletromobilidade), voltado a 300 servidores públicos do governo do Distrito Federal. De graça e com zero emissão de poluentes, os funcionários poderão se locomover pela capital federal, e ajudar a difundir um novo conceito de transporte. “Estamos dando início a uma nova era na mobilidade, com imensas vantagens ambientais e econômicas”, afirmou o presidente da Renault do Brasil, Ricardo Gondo. “Vamos replicar no Brasil sistemas bem-sucedidos de transporte elétrico compartilhado que já temos em cidades europeias, como Madri, Barcelona e Paris.”

A estratégia de carros elétricos da Renault na capital federal, a um custo total de R$ 3,1 milhões, foi desenhada e executada em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e com o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), que investiu R$ 1 milhão para criar um software de compartilhamento com foco em uso para governos, chamado MoVe. O software permite reservar os veículos disponíveis, acompanhar sua localização, rastrear o automóvel, monitorar a velocidade, a carga de bateria, rotas percorridas e mais informações. Os Twizy serão acionados com cartões específicos dos servidores. Como Brasília possui topografia plana e voltagem 220, a cidade foi escolhida para abrigar o primeiro projeto, que terá 31 eletropostos – pontos de recarga fabricados pela catarinense WEG.

Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil: “Estamos dando início a uma nova era na mobilidade” (Crédito:Gabriel Reis)

Pelos próximos meses, o Renault Twizy, com 2,33m de comprimento e 1,23m de largura, não estará disponível para consumidores comuns, como já acontece na Europa. Lá, o veículo custa € 8 mil, o equivalente a R$ 35 mil. O minicarro é equipado com porta-luvas, freios ABS, airbag e sensor de ré. O modelo não possui ar-condicionado e vidros nas janelas laterais. Quando chove, é necessário acoplar uma peça de acrílico para não se molhar. Os carros da Renault têm capacidade para apenas dois ocupantes, autonomia de até 100 quilômetros e velocidade máxima de 80 km/h. ”Nosso objetivo é promover, desenvolver e divulgar soluções e promover o investimento em eletromobilidade, um dos pilares estratégicos das cidades inteligentes”, afirmou o presidente da ABDI, Igor Calvet.

O projeto VEM DF servirá também como um cartão de visitas da Renault para lançamento em outras cidades brasileiras. De acordo com Gondo, já existem negociações em andamento com uma capital nordestina e outra da região Sul para receber sistemas semelhantes de mobilidade. “Não posso revelar detalhes e nem citar nomes, mas já estamos dialogando com algumas empresas e administrações públicas sobre isso”.

Nas ruas da Europa: a montadora mantém projetos de carros elétricos compartilhados em Barcelona, Madri e Paris (Crédito:Cesar Manso / AFP)

Os pequenos carros são os pilares de uma grande estratégia de crescimento da Renault no mercado brasileiro. Pelos números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas da marca cresceram 18,3% em setembro na comparação a agosto e 11,6% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a setembro, no entanto, os emplacamentos recuaram 4%. “Estamos convictos que o caminho para a mobilidade é carro elétrico. Nas grandes cidades, o brasileiro se desloca por até 60 quilômetros por dia, uma realidade que transforma o carro elétrico em uma excelente opção”, afirmou Gondo.