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O plano de Trump para o Oriente Médio será histórico, afirma Netanyahu

O plano de paz idealizado pelo governo Trump para o Oriente Médio será histórico, segundo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prestes a embarcar neste domingo para Washington para discutir na próxima terça-feira (28) a iniciativa, que é criticada pelos palestinos.

“Uma oportunidade como essa acontece uma vez na história e não pode ser desperdiçada. Estou muito esperançoso que estejamos diante de um momento histórico em relação ao nosso Estado”, disse Netanyahu, que foi convidado a encontrar o presidente americano Donald Trump para discutir o plano, em reunião na Casa Branca.

Conforme funcionários da Cisjordânia contaram à AFP, no caso do presidente americano apresentar o acordo de paz, os palestinos ameaçam deixar os Acordos de Oslo, que levaram à criação da Autoridade Palestina como primeiro passo para um Estado palestino independente.

Na última quinta-feira (23), Trump informou que divulgaria o plano de paz antes da visita de Netanyahu a Washington.

“É um ótimo plano. É uma iniciativa que realmente poderia funcionar”, afirmou Trump.

O adversário político de Netanyahu, Benny Gantz, também foi convidado a comparecer na Casa Branca.

Durante uma coletiva de imprensa em Tel Aviv, no último sábado, Gantz disse que “o acordo de paz proposto pelo presidente Trump será um importante marco histórico”.

Ele supõe que o plano permitirá que “diferentes países do Oriente Médio finalmente entrem em um acordo histórico para a região”.

Diante das tensas relações do presidente Donald Trump após o reconhecimento americano de Jerusalém como capital de Israel, a liderança palestina não foi convidada a participar do debate e rejeitou de antemão o acordo.

“Esse acordo apenas confirma a absoluta rejeição que o Estados Unidos teve até o momento, principalmente após o reconhecimento americano de Jerusalém como capital israelense”, ressaltou mais cedo nessa semana o porta-voz do presidente palestino Mahmud Abbas em comunicado.

Os palestinos veem o leste de Jerusalém como a capital do seu futuro Estado, e acreditam que o plano de Trump anula a solução da criação dos dois Estados que há décadas é a base da discussão diplomática no Oriente Médio.

Autoridades de todo o mundo concordam que a resolução do conflito envolvendo Jerusalém deveria ocorrer a partir de negociações entre Israel e a Palestina.

– Grande amigo de Israel –

Desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a parte leste de Jerusalém e a Cisjordânia.

Mais de 600 mil israelenses vivem, portanto, em locais considerados ilegais, segundo os parâmetros jurídicos internacionais.

A proposta de acordo de paz que será apresentada por Trump está em desenvolvimento desde 2017.

Em junho do último ano, parte de uma iniciativa econômica do plano foi divulgada. Nesse capítulo, há a proposta de que haja US$ 50 bilhões em investimentos internacionais nos territórios palestinos e nos países árabes vizinhos para os próximos 10 anos.

O presidente americano autodeclara repetidamente que é o presidente americano mais pró-israelense da história.

No último sábado, Netanyahu o definiu como “o melhor amigo que Israel já teve”.

“Nos últimos três anos, tenho conversado com o presidente Trump e a sua equipe sobre as nossas maiores necessidades nacionais e relativas à segurança, pontos que devem ser incluídos em quaisquer dos acordos diplomáticos propostos”, afirmou o primeiro-ministro israelense.

A reunião de Trump com Netanyahu e Gantz ocorre a menos de um mês das próximas eleições israelenses. Em Israel, a mídia local comenta que a escolha de Trump por anunciar o acordo de paz neste momento aconteça com o objetivo de favorecer Netanyahu no processo eleitoral.