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O plano de Caoa para a Hyundai

O grupo brasileiro e a montadora coreana se consolidam entre as quatro maiores marcas do setor e negociam a extensão de uma fórmula que deu certo

Crédito: Daniela Toviansky/Editora Globo

Oliveira Andrade: “Desde o início, foi feito um trabalho de grande impacto e visibilidade de construção da imagem de uma marca premium no Brasil” (Crédito: Daniela Toviansky/Editora Globo)

O ano de 2018 será um ano crucial para o Brasil. Não só pela consolidação da aguardada recuperação da economia, mas também com as eleições presidenciais agitando o calendário político. O mercado automotivo, que tanto sofreu durante a crise, aguarda ansiosamente pelos desdobramentos dessas questões para poder projetar dias melhores. Em especial, para a Caoa, a maior rede de concessionárias do Brasil e representante da coreana Hyundai, o ano será crucial para o futuro de sua relação com a parceira internacional.

O contrato de importação com os asiáticos venceria no próximo ano, mas uma cláusula de renovação automática por mais uma década já foi acionada. Isso significa que o modelo de negócio que envolve as duas empresas vai continuar. Ambas atuam em conjunto no Brasil. Os representantes das empresas garantem que o casamento não tem data para acabar. Afinal, até agora, a fórmula teve sucesso e a Caoa foi fundamental na transformação de uma marca que, inicialmente, era vista com desconfiança pelos consumidores em uma das mais desejadas do País, com receita de mais de R$ 10 bilhões.

A Caoa, do empresário paraibano Carlos Alberto de Oliveira Andrade, é importadora exclusiva da Hyundai e comemorou neste ano uma década de produção de modelos sob licença em uma fábrica própria em Anápolis (GO). De lá saem o minicaminhão HR e os SUVs Tucson, ix35 e New Tucson. Esses modelos são fundamentais para o posicionamento da coreana no mercado local. Em 2016, a marca Hyundai teve um total de 197.860 veículos emplacados no Brasil, o que a colocou no grupo de quatro mais vendidas do mercado, desfazendo o big four que permanecia intocado há três décadas, com Volkswagen, GM, Fiat e Ford. O grupo Caoa foi responsável pela comercialização de 30.186 dessas unidades. Por sua vez, a Hyundai tem, desde 2012, uma fábrica própria em Piracicaba (SP), comercializando no ano passado 167.674 carros da família HB20, hatch e sedã, e o Creta.

“Desde o início, foi feito um trabalho de grande impacto e visibilidade de construção da imagem de uma marca premium no Brasil”, diz Andrade. “Ano a ano, o resultado se refletiu no crescimento gradual.” Esses feitos estão se refletindo na percepção dos clientes em relação à empresa. Única montadora de controle 100% nacional, a Hyundai Caoa surpreendeu o mercado ao assumir a primeira posição do conceituado ranking anual da consultoria californiana J.D. Power, na categoria de satisfação dos compradores de carros novos. Nas quatro edições anteriores da pesquisa no Brasil, a vencedora foi a japonesa Toyota. “Desbancar a Toyota é uma conquista antológica e nos enche de orgulho”, diz Marcello Braga, diretor de marketing.

São considerados na pesquisa a entrega do veículo, a negociação, o test drive, as instalações da concessionária a Caoa possui 128 unidades – e o vendedor. Faz a diferença também ter um estoque bem abastecido, o que exige robustez financeira. Afinal, durante a crise, nenhuma empresa deseja gastar com antecipação para fazer uma venda. “O cliente jovem, em especial, não tem paciência para esperar 30 dias para receber um carro”, afirma Anselmo Borghetti, diretor da Caoa. “O atendimento de vendas é muito estratégico”, diz André Beer, consultor do setor automotivo. “Depois que o marketing convence o cliente a ir a uma concessionária, cabe ao vendedor fazer o possível e o impossível para fazer a venda. A qualidade do atendimento é que vai garantir que o cliente volte no futuro.”