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O plano B da Bupa

Companhia britânica de saúde, dona da Care Plus, avalia fazer aquisições e entrar no segmento de planos individuais para avançar no País

O plano B da Bupa

Moses Dodo: “Estamos estudando todas as possibilidades para crescer”

Maior seguradora de saúde do Reino Unido, a Bupa parece ter chegado à conclusão que demorou demais para entrar no Brasil. A companhia, com receita global de US$ 12 bilhões e mais de 30 milhões de clientes, estreou por aqui em dezembro de 2016, ao adquirir uma das maiores no segmento premium, a Care Plus. Em seu primeiro ano de operação, faturou R$ 800 milhões e registrou crescimento de 17% sobre o período anterior, o melhor desempenho entre todas as operações da companhia no mundo.

“Achamos que a crise poderia nos afetar nos primeiros anos, mas percebemos que foi totalmente o oposto”, disse à DINHEIRO o diretor-geral da Bupa na América Latina, o marroquino Moses Dodo, durante uma visita a São Paulo. Na ocasião, anunciou o novo CEO Luiz Camargo no lugar de Roberto Laganá, fundador da Care Plus, em 1992. “O segmento ‘premium’ de saúde está descolado do restante da economia e se expandindo como nunca.” Para 2018, o crescimento deve repetir o resultado do ano passado.

O modelo de operação da Care Plus, voltado exclusivamente a planos corporativos, não foi alterado pela Bupa. Com 100 mil pessoas seguradas e uma carteira de 500 empresas no Brasil, a empresa conseguiu garantir um valor médio de R$ 8 mil por ano por pessoa, em sua grande maioria executivos de companhias dispostas a desembolsar esse valor para reter seus talentos. “Um plano de saúde com qualidade de excelência e plena cobertura internacional se tornou ferramenta de retenção em empresas do mercado financeiros, de tecnologia e grandes escritórios de advocacia”, afirma Dodo.

Os planos de expansão da empresa, no entanto, podem incluir aquisições e a abertura para venda de planos individuais, o carro-chefe da Bupa em todo o mundo. “Como o Brasil e o México são pontos-chave para nosso desenvolvimento na América Latina, estamos estudando todas as possibilidades para crescer, inclusive aquisições e ampliação do nosso portfólio de produtos com planos individuais, que fazem parte do nosso DNA.” A decisão colocaria a companhia em um mercado que, atualmente, é evitado por suas principais concorrentes, como a Omint e a One Health, da Amil.

O mercado de planos de saúde de primeira linha sofreu menos do que o restante do setor de saúde porque não passou pelo processo de downgrade nem pela fuga de clientes que buscaram economizar na crise. “O setor se retraiu porque está mais conectado à situação econômica do País e ao mercado de trabalho”, disse Sandro Leal, superintendente de Regulação da Federação Nacional de Saúde (FenaSaúde).

As estatísticas endossam essa afirmação. O número de brasileiros com planos de saúde registrou queda por três anos consecutivos. No ano passado, 281,6 mil pessoas deixaram de ter acesso à saúde privada, de acordo com dados Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em três anos, houve redução de 3,1 milhões de usuários. A velocidade dessa retração, no entanto, caiu significativamente. Em 2016, o setor havia registrado perda de 1,6 milhão de consumidores.