O pior dos piores

O pior dos piores

Mais um título nada honroso para a galeria de feitos econômicos do Brasil. Pelo levantamento e análise do Banco Mundial, o Brasil deve ostentar neste ano a condição de pior desempenho entre os chamados países emergentes. A projeção da Instituição é de uma queda de 8% do PIB em 2020 ante uma retração média da ordem de 2,5% entre seus pares. Na turma do andar de baixo, o Brasil só estará melhor em resultado do PIB do que Granada, Belize e Santa Lúcia. Nem adianta compará-lo com economias, digamos, mais tradicionais. O PIB do México, do Chile, do Uruguai e mesmo do Haiti, da República Dominicana, da Nicarágua, da Jamaica e do Equador se sairão melhor em resultado. Até mesmo a Argentina e o Paraguai – quem diria – irão ostentar índices menos desastrosos. É um tombo histórico, evidentemente movido pela pandemia, mas também influenciado de maneira forte pelas incertezas políticas e instabilidade de regras que movem o Brasil hoje. O mundo está olhando de maneira desconfiada para as decisões por aqui. Não acredita mais que reformas sairão do papel. Não aposta um vintém furado nas condições desse governo de liderar uma retomada, em que pese os esforços e dedicação do ministro Paúlo Guedes. Todos temem os pendores para caudilho do capitão Jair Bolsonaro. Alguns creem mesmo que ele possa adotar um regime muito próximo do venezuelano, que levou a hecatombe daquela economia. Para se ter uma ideia sobre o que representa os 8% negativos no PIB nacional, uma queda dessa magnitude será a maior já verificada em 120 anos – período no qual o IBGE, como instituto oficial de estatísticas, começou medir a evolução do crescimento das riquezas internas. Será, não há mais dúvida, uma recessão severa. Com quebra de muitas empresas e desemprego em larga escala. Nas projeções do Bird, o choque “rápido e maciço” somente será contido com medidas efetivas de incentivo, que ainda não saíram do papel. É bom que se registre que a previsão do Banco não é a única, muito menos a mais pessimista, dentre a de organismos multilaterais. Por incrível que possa parecer. A OCDE também começou a falar números calamitosos de retração brasileira, estimando um PIB negativo da ordem de 9,1%. Será como um recuo de 50 anos no parque produtivo nacional. Trata-se, decerto, de uma perspectiva desanimadora e ela está intimamente ligada a falta de planejamento e, principalmente, ao descaso do governo brasileiro, que retardou a adoção de medidas mais efetivas e ainda destruiu parte das relações internacionais com comentários ideológicos que estão, no momento, a cobrar seu preço. O Brasil virou o pior entre os piores em termos econômicos. Um ativo tóxico, do qual muitos querem manter distância. Ponto para a criatividade inconsequente do presidente Bolsonaro.

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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