Onde investir em 2019

O peso dos juros baixos

Com a Selic no menor patamar histórico, gestores aumentam a exposição dos fundos de renda fixa aos títulos privados para elevar a rentabilidade

O trem que transporta minério de ferro de Carajás, no Pará, até o porto da Ponta da Madeira, em São Luís do Maranhão, é um dos maiores do mundo, com 330 vagões. Para dobrar o volume de exportações para 68 mil toneladas por viagem, a mineradora Vale está testando uma locomotiva capaz de puxar 660 vagões. A comparação ferroviária não é um acaso. Assim como a Vale, os gestores de fundos de renda fixa também estão agregando mais produtos ao seu portfólio para suportar a carga dos juros baixos, que reduz a rentabilidade das carteiras. Com uma taxa Selic que deve permanecer ao redor de 6,5% ao ano, indicando juros reais de pouco mais de 2%, é preciso diversificar para elevar o retorno aos cotistas. E, no caso dos fundos de renda fixa, os novos “vagões” são títulos de dívida de empresas privadas e Certificados de Depósito Bancário (CDB).

MERCADO DE CAPITAIS O movimento reflete o aumento das emissões em meio à necessidade de os empresários buscarem recursos no mercado de capitais por conta da diminuição da oferta de crédito no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Até novembro, as emissões de debêntures atingiram o valor recorde de R$ 126,7 bilhões, o que representa 67% das ofertas de renda fixa em 2018, de acordo com a Anbima, entidade que regula o setor. “Isso aumentou as opções dos gestores e resultou em um movimento de migração dos recursos dos fundos, que são importantes financiadores das companhias”, diz George Sales, professor de finanças da Fipecafi.

Diante desse cenário, o principal desafio dos administradores de recursos é avaliar minuciosamente as empresas para escolher as alternativas menos arriscadas. Na gestora de recursos J. Safra, os gestores buscam diversificar setores e emissores, privilegiando aqueles que têm baixo risco de crédito. O fundo Safra Extra 180 FI, campeão no quesito risco e retorno em 2018, investe em CDBs e em debêntures. As principais exposições estão em empresas dos setores de óleo e gás, petroquímico, elétrico e bancos de varejo. Além de Bradesco e Itaú, figuram no portfólio Natura, Lojas Americanas e AES Tietê. “Temos mais de 35 emissores, entre empresas e bancos”, diz Ricardo Negreiros, diretor da Asset do Banco Safra.

Estratégia semelhante é adotada por Ulisses Nehmi, sócio da gestora Sparta. “Nós optamos por pulverizar a carteira para reduzir o risco”, diz. Ele administra o Sparta Top FIC, que rendeu 7,29% nos últimos 12 meses (observe a tabela abaixo), com o portfólio dedicado a títulos de dívida de grandes empresas, como Petrobras, Vale e Localiza. No Itaú BBA, os gestores contam com uma equipe de dez analistas para separar o joio do trigo no crédito privado. O fundo Itaú Private Act Fix entregou retorno de 6,63% aos cotistas nos últimos 12 meses e tem 75% da sua carteira comprada em títulos de empresas e de bancos. “Fazemos uma análise minuciosa das companhias visando o longo prazo, e criamos um rating interno para classificá-las”, diz Gerson Konishi, especialista em investimentos do Itaú Asset Management. “Olhamos o posicionamento da empresa no mercado, o fluxo de caixa, a governança e o nível de alavancagem”. Entre as companhias mais bem avaliadas, se destacam Bradesco, Hospital São Luiz, Cálamo Distribuidora, que é dona da rede de varejo O Boticário, e Algar Telecom. Otimista, Konish diz esperar um avanço de 2,8% na economia em 2019, com a inflação orbitando perto dos 3,7% e a Selic em 6,5%. “O cenário tende a contribuir para as empresas se desalavancarem e dar espaço para os bancos expandirem a oferta de crédito”, diz. “Isso deve trazer mais lastros para estruturarmos a carteira de crédito privado”.

Na Icatu, a perspectiva pela melhora da economia já se traduz em maior rentabilidade. O fundo Icatu Vanguarda Prefixado DI, que aposta nos juros de longo prazo, rendeu 13,8% nos últimos 12 meses como reflexo da expectativa do mercado por uma queda na taxa de juros no mercado futuro. “Observamos o fechamento da curva de juros como reflexo da melhora na expectativa do risco-País”, diz Bruno Horov-itz, sócio da Icatu. O EMBI, que mede a taxa de risco do Brasil, chegou a alcançar 349 pontos-base em setembro em meio às incertezas eleitorais. No dia 30 de novembro, no entanto, o indicador estava em 270 pontos.

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