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“O pesadelo começa quando acordo”, relata médico italiano

“O pesadelo começa quando acordo”, relata médico italiano

A professora italiana Cinzia Niolu em sessão de relaxamento para profissionais de saúde no hospital Tor Vergata, perto de Roma, em 8 de abril de 2020.

Sentados em um anfiteatro do Hospital Universitário Tor Vergata, na periferia de Roma, médicos e enfermeiros fecham os olhos e prendem a respiração.

“Agora, você pode expirar”, diz a professora Cinzia Niolu, para encerrar a sessão de relaxamento para os profissionais que cuidam de pacientes em terapia intensiva contra o coronavírus.

Esse intervalo de uma hora, para ajudá-los a lidar com a ansiedade relacionada ao vírus, permite que eles aliviem a tensão acumulada.

“Os participantes são expostos ao objeto que os assusta … e seu nível de ansiedade aumenta, então é previsto um momento de relaxamento”, resume a psiquiatra à AFP.

No início da sessão, é entregue um questionário a cada participante: “Qual é o seu nível de preocupação com a situação atual?”, “Você tem medo de ser contaminado?”, “Você está preocupado com os membros da sua família?”, ” A qualidade do sono foi afetada?” Depois, cada um pode falar para compartilhar sua experiência.

Na última fila do anfiteatro com assentos azuis, a enfermeira Emanuela Bertinelli, equipada com máscara, pergunta: “Como vamos viver amanhã? É meu maior medo, a incerteza sobre o futuro. Bem, não se sabe se isso vai terminar ou quando”.

– Russell Crowe –

Emanuela também está angustiada com a possível redução progressiva das medidas de confinamento na península: “Todo mundo vai começar a sair, porque as pessoas são assim, e vão se infectar novamente e, pela segunda vez, seremos nós (o pessoal de saúde) que teremos que ficar aqui para fazer nosso trabalho, correr o risco de adoecer, e nos separar de nossas famílias”.

Ela se sente aliviada por poder falar durante essa sessão curta, mas intensa, que lhe permite “enfrentar crises e situações estressantes, como a pandemia de COVID-19”, explica o organizador, professor Alberto Siracusano, diretor do departamento de psiquiatria e psicologia Clínica do hospital Tor Vergata.

Algumas imagens que simbolizam a resistência são projetadas na tela do anfiteatro: o ator Russel Crowe em seu papel como “Gladiador” e uma garota que corajosamente enfrenta uma tempestade de neve.

Para Siracusano, essa técnica de “análise psicológica coletiva” ”, frequentemente usada em cenários de guerra ou durante catástrofes naturais como terremotos, permite” aumentar a resiliência individual e de grupo “diante de uma crise sem precedentes, que já causou mais de 18.000 mortes na Itália.

“Não devemos temer o medo, devemos enfrentá-lo”, insiste o professor, usando uma elegante gravata.

Apesar de sua formação universitária, Siracusano reconhece que ele próprio não escapa à psicose coletiva e enumera as causas do estresse predominante: “mudanças nos costumes, no ritmo de vida, horários, contato com os outros, o fato de estarem separados, não conseguirem ficar juntos … “.

A ponto de ter pesadelos? “Posso dizer que o verdadeiro pesadelo começa quando eu acordo”, confessa. “Durante o sono, estou calmo”, diz ele sorrindo.

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