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O pai do turismo português

O empresário luso-brasileiro André Jordan, radicado em Portugal desde a década de 1970, moldou um conceito de condomínios e resorts de luxo para atrair sobretudo executivos estrangeiros. Em um deles, as casas passam de 5 milhõesde euros.

Crédito: Luis Barra

VISÃO DE NEGÓCIO Aos 87 anos, o empresário segue lançando residenciais de luxo. “Minhas previõses são baseadas em análises”. (Crédito: Luis Barra )

A Quinta dos Descabeçados, na região do Algarve, sul de Portugal, era uma vasta área agrícola de 645 hectares e baixa rentabilidade quando o empresário André Jordan a visitou pela primeira vez, quase 50 anos atrás. Ao olhar toda aquela terra, ele imaginou implementar um conceito de condomínio de luxo até então desconhecido em terras lusitanas. A inspiração veio de resorts que conhecera no Uruguai e nos Estados Unidos, nos quais o campo de golfe era um dos principais atrativos. Ambicioso, ele idealizou um complexo que previa quatro hotéis, centros comerciais e desportivos. “Na década de 70 não era comum esse tipo de empreendimento. Ninguém acreditava que haveria mercado. Mas eu sabia que iria vender — e a quem vender”, afirmou André Jordan à DINHEIRO. Quatro anos depois, surgia oficialmente a Quinta do Lago, um dos empreendimentos do gênero mais luxuosos da Europa. Hoje, uma mansão por lá chega a custar mais de 5 milhões de euros — o mesmo valor investido pelo empresário e seus parceiros para adquirir a área gigantesca ladeada pelo mar e por uma reserva ecológica.

A construção do resort impulsionou o interesse de portugueses e estrangeiros pelo Algarve, que desde então vem abrigando novos empreendimentos de alto padrão. A partir daquele feito, Jordan passou a ser conhecido como o “pai do turismo português”. O apelido contém certo exagero, já que ele não é exatamente um operador de turismo. Seus negócios concentram-se no ramo imobiliário — ainda que voltados para turistas. Por atraírem proprietários famosos, alguns deles se tornaram ainda mais cobiçados. Foi o que ocorreu na Quinta do Lago quando um ídolo da Fórmula 1 decidiu comprar uma casa por lá. O ano era 1991, e o piloto, Ayrton Senna. “Eu não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente”, afirmou Jordan. Ainda assim, o empresário recorda o quanto a propriedade custou ao brasileiro. Segundo ele, Senna pagou o equivalente a 500 mil euros atuais. Uma pechincha, se comparada ao valor de hoje. Embora fosse sempre bastante reservado, o tricampeão não conseguiu guardar segredo sobre o refúgio português onde descansava entre um GP e outro — e muita gente passou a procurar a Quinta do Lago a partir de então.

FUGINDO DO NAZISMO Nascido em 1934 na cidade polonesa de Lwów (hoje pertencente à Ucrânia), André Jordan foi batizado como Andrzej Franciszek Spitzman Jordan. Sua família, de origem judaica, fez fortuna com petróleo. Fugindo da perseguição nazista durante a Segunda Guerra, seus pais chegaram ao Rio de Janeiro, onde adotou o abrasileirado nome André. Depois do Brasil, morou por Argentina, Estados Unidos e Portugal. Aos 87 anos, com quatro filhos (dois brasileiros e dois portugueses) e oito netos, ele já passou por quatro casamentos, tem cinco livros publicados e guarda esperanças em relação ao futuro. “Espero ver a ascensão política das mulheres a fim de levar a humanidade à descoberta de caminhos alternativos”, afirmou.

Ainda que seja um pioneiro no setor de condomínios de luxo em Portugal, ele refuta o rótulo de visionário. “Minhas previsões são sempre baseadas em muitas análises. Estudo, faço correlações a fim de tentar identificar tendências e consequências”, disse. Vem acertando. Depois da Quinta do Lago, Jordan lançou outros empreendimentos icônicos: o Vilamoura, também no Algarve; e o Belas Clube de Campo, a cerca de 20 quilômetros de Lisboa. “Vilamoura pode ser considerado um dos meus maiores desafios empresariais. Exigiu todos os recursos, experiência e visão de negócio imobiliário”, afirmou Jordan, que assumiu o empreendimento em 1988, quando metade já estava pronta, porém degradada.

O projeto mais recente, lançado há pouco mais de um ano com os filhos André e Gilberto (ambos cariocas), é o Lisbon Green Valley. Inserido no Parque Florestal da Serra da Carregueira, tem mais de 1 mil hectares. “Em um ano, 45% das casas foram compradas por brasileiros”, afirmou. Segundo ele, os moradores são empresários, profissionais liberais ou executivos estrangeiros em busca de qualidade de vida, tranquilidade e segurança.

É um modelo que se encaixa na tendência imobiliária atual de residências em áreas próximas a grandes centros urbanos onde há uma cadeia de serviços disponíveis, como escolas, supermercados, clínicas, centros esportivos e de lazer. Visionário ou não, Jordan criou empreendimentos na medida para um mundo acuado pela pandemia do coronavírus.

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