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O pagamento por aproximação e as novas oportunidades para o varejo

Na era digital, os consumidores não buscam apenas qualidade do produto ou serviço. Querem ser reconhecidos, avaliar, ter experiências— e tudo com a máxima rapidez

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Os meios de pagamento sem contato, que não precisam da digitação de senha e nem mesmo dos próprios cartões de plástico, chegaram para revolucionar o mercado e estabelecer um diferencial competitivo, utilizando essas novas tecnologias para agilizar processos ou coletar informações sobre o comportamento de compra do cliente. Ofereça ao consumidor um benefício relevante (cashback, ofertas e descontos personalizados, pontos, crédito a um custo mais baixo, order ahead) e a fidelização será quase garantida.

Na era digital, os consumidores não buscam apenas qualidade do produto ou serviço, querem também ser reconhecidos, avaliar, escolher, experimentar coisas novas, comparar, se divertir e fazer tudo, o máximo possível, em menos tempo e com custo-benefício atraente.

É possível notar essa diferença por meio de um exemplo bem simples. Considere as despesas que envolvem um equipamento do tipo POS (“maquininha”), sua manutenção, os custos das operações de pagamento realizadas por ele (“taxa de adquirência”), e some o tempo necessário para que o consumidor retire sua carteira do bolso, insira o cartão e digite a senha para fazer o que necessita. Agora imagine um método em que o consumidor não utilize nada disso, simplesmente aproxime o seu smartphone de um scanner, webcam ou outro smartphone que faz a leitura de um QR Code gerado pelo próprio dispositivo móvel do consumidor, que inclusive pode estar sem acesso à internet. A redução do tempo de pagamento poupa tempo, reduz filas e, mais importante, as taxas de “adquirência” para o lojista tendem a ser bem menores. O resultado final é uma diminuição drástica dos custos operacionais e uma grande melhoria na experiência do usuário.

Quem acha que existe fricção em pegar o celular no bolso e destravá-lo deve considerar que na verdade ele já está na mão do usuário — e destravado. Fricção seria ter a carteira só para guardar o plástico. Quando sumir o dinheiro, o cartão, e todos os documentos ganharem forma digital, é bem possível que a carteira deixe de existir. O celular tem ainda a vantagem adicional de interagir com o usuário. Sendo o trade marketing uma receita relevante para os varejistas, não dá para ignorar esse espaço para publicidade personalizada. Por fim, evitar a poluição com plástico e lixo eletrônico é sempre uma boa ideia.

Na China, os restaurantes já disponibilizam o pagamento e acesso ao cardápio por meio de um único código no celular. No Brasil, virtualmente todos os smartphones já possuem tecnologia para leitura em QR Code, e a partir do próximo ano essas mudanças devem ser mais intensas, pois teremos uma nova rede de pagamentos, on-line e acessível a todos os participantes do mercado de pagamentos (varejistas, fintechs, bancos) a um custo bem mais baixo que os modelos (“payment rails”) atuais.

O maior desafio talvez não seja entender a tecnologia ou ter acesso a ela, que já existe e tem um conceito bem fundado na cabeça de bancos e startups, mas sim o varejo sair da negação e do medo para se tornar um explorador e protagonista deste mundo em transformação.

(*) Carlos Netto é CEO da Matera, empresa de tecnologia
para os mercados financeiro, fintechs e de riscos