Negócios

O novo boss. O novo best

Movido pela inovação, o CEO da Wiz Soluções, Heverton Peixoto, quer fazer da companhia uma referência no setor de seguros, como hoje são Uber e XP em seus segmentos. Para isso, ele até cria siglas internas a partir de expressões em inglês que fazem parte do jargão corporativo.

Crédito: Wenderson Araujo

"A grande transformação para mim foi parar de olhar os números e focar no coração das pessoas" (Crédito: Wenderson Araujo)

Grávida de 39 semanas, Michelle Oliveira estava às vésperas de entrar em licença maternidade quando foi chamada à sala de seu novo gestor na Wiz Soluções, o engenheiro Heverton Pessoa Melo Peixoto. Ele havia assumido a posição de CEO de duas subsidiárias da empresa e queria ouvir todos os gerentes e diretores para saber como cada um poderia ser útil no processo de transformação que colocaria em marcha a partir daquele momento. De Michelle, recebeu um pedido: ela queria atuar na área de comunicação. Foi atendida. Seis meses depois, de volta da licença, ela recebeu um presente. Passou para a diretoria de marketing, onde hoje ocupa o cardo de especialista em comunicação. “Eu estava na companhia havia dois anos e já tinha um histórico no setor de seguros”, disse Michelle. “Quando tive a oportunidade de ingressar em outra área, pude ter um novo entendimento do grupo e isso foi fundamental para a minha trajetória”. A mudança de cargo ocorreu há sete anos. De lá para cá, Michelle ajuda o CEO da Wiz a cumprir uma de suas missões mais empolgantes: engajar 2,5 mil funcionários em uma profunda e constante transformação. É ouvindo, mas sobretudo falando e apontando novos caminhos que Heverton Peixoto tem conseguido reinventar a empresa.

Hoje, a Wiz Soluções é a maior gestora de canais de distribuição de produtos financeiros e seguros do País, com lucro líquido de R$ 223,7 milhões em 2019 (alta de 21,3% frente a 2018). Com ações listadas na B3 desde junho de 2015, a companhia criada há 47 anos já trocou de nome algumas vezes e tem crescido de forma acelerada nos últimos anos, pautada por uma estratégia agressiva de renovação de quadros e forte apetite por aquisições.

Na sexta-feira (7), a Wiz anunciou ao mercado ter absorvido 40% da CMG, corretora do Banco Bmg. “Estamos honrados em celebrar parceria com uma das instituições mais relevantes no cenário de crédito pessoa física no Brasil e que tem a inovação no seu DNA”, afirmou Peixoto em comunicado. A frase, no modelo protocolar dos comentários que sucedem acordos do gênero, contrasta com o estilo descontraído de Peixoto, que costuma se expressar de maneira bastante coloquial, inclusive se apropriando de palavras de uso corrente na língua inglesa para criar siglas que inspirem sua equipe. São esses os casos de “Boss” e “Best”. Como veremos adiante, os termos não foram usados no título desta reportagem em suas acepções literais, de chefe e melhor.

Voltando à frase sobre o comunicado da parceria com o Bmg, ainda que a forma seja pouco coloquial, o conteúdo traz um conceito que parece orientar as decisões do CEO da Wiz: “inovação no DNA”. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade de Brasília (UnB), ele jamais exerceu a profissão diretamente. Sua trajetória profissional teve início na indústria de seguros e saúde suplementar, na Rede Esho, braço do Grupo Amil. Depois, passou a consultor da Mckinsey & Company, participando de projetos estratégicos no mercado bancário e de seguros da América Latina. Com pós-graduação em Corporate Finance pelo Insead, na França, entrou para a Wiz Corporate como diretor executivo, assumindo a seguir o cargo de diretor de transformação digital. Foi nessa posição que ele identificou que a companhia era como uma pedra bruta, que já detinha plataformas sofisticadas, mas sem inovação na veia. “Existia uma cultura de não se desafiar. A empresa era boa no ecossistema em que ela atuava, que era o da Caixa”, afirmou Peixoto, destacando que essa percepção levava quase todos na empresa a pensar menos “fora da caixa”.

Àquela altura, ainda não havia sido consolidado o canal B2B, que cresceu após a aquisição de duas corretoras independentes, focadas no setor de riscos especiais. O movimento levou à formação da Wiz Corporate e abriu espaço para a abertura de capital na B3. Dois anos depois, já com um novo posicionamento estratégico, a Wiz ampliaria o escopo de atuação e posicionamento como gestora de canais. A primeira aquisição viria com a Finanseg, especializada na venda de produtos financeiros (consórcios). Em 2019, vieram as associações da Wiz com o banco digital Inter e a parceria com a Galápagos Capital, que abriu para a companhia o segmento de crédito pessoal com imóvel de garantia (home equity). Esse percurso de expansão ocorre após a nomeação de Peixoto como CEO, em 2018. “Eu não tenho arrogância de achar que as coisas foram construídas após 2018. Elas foram melhor exploradas. Eu entendi que era possível usar o que a gente tinha para transformar a nossa indústria”, afirmou Peixoto.

“É um executivo brilhante, com profundo conhecimento do mercado” Jorge Sant’Anna, diretor presidente da BMG Seguros.

Essa transformação começou internamente, com a troca de toda a liderança da Wiz. “A beleza disso está em mais da metade dos líderes atuais terem vindo de dentro da empresa”. Os atuais diretores eram gerentes, coordenadores ou supervisores na gestão anterior. Reconhecer os talentos internos e ao mesmo tempo oxigenar a liderança foram dois fatores que, segundo Peixoto, permitiram à empresa conquistar hoje um resultado quatro vezes superior ao de dois anos antes. “A realidade atual, principalmente para uma empresa do tamanho da Wiz, exige autonomia, transferência da tomada de decisão. O meu papel é muito mais de interlocutor da narrativa de onde queremos chegar. A grande transformação para mim foi parar de olhar os números e focar no coração das pessoas”. Aí entram os já citados acrônimos Boss e Best. O primeiro se refere a um processo de avaliação 360 graus, de baixo para cima e de forma anônima. “Boss não é chefe. É ‘bora ouvir sua satisfação’”, disse Peixoto. A nomenclatura “sexy e brega”, segundo ele, faz parte do modelo de gestão Wiz: “A forma como a gente criou a cultura e o modelo de organização”. Ela também serve para reconhecer os melhores gestores, que ganham o título “Best”: bora engajar seu time.

É com sacadas assim que Peixoto tem tornado a Wiz um case de sucesso entre as empresas brasileiras que “têm inovação no DNA”. Para o diretor presidente da BMG Seguros, Jorge Sant’Anna, que participou da idealização do acordo entre a Wiz e o Banco Bmg, Peixoto é “um executivo brilhante, com profundo conhecimento do mercado”. Os colaboradores da Wiz parecem concordar, já que a empresa foi eleita por cinco anos consecutivos uma das melhores para trabalhar na região Centro-Oeste pelo Great Place to Work. O próximo passo é tornar a Wiz referência em seu segmento, “como a Uber em mobiliade ou a XP em investimentos”, afirmou.

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