Negócios

O momento é de oportunidades

Como as marcas estão aproveitando a crise para inovar e atrair novos franqueados

Inovação: a CNA vai oferecer pacote de até R$ 172 mil para novos franqueados e Giraffas criou modelo mais barato em contêiner

O setor de alimentação é um dos mais reativos à crise. Mas, apesar de o faturamento médio do segmento ter crescido nos últimos anos, enquanto a economia encolheu, foi preciso usar a criatividade para seguir em alta. A rede Giraffas, que faturou R$ 680 milhões e tem 397 lojas, é um exemplo. A marca precisou inovar para atrair franqueados e lançou a opção de abertura de lojas em um contêiner. O modelo é um grande atrativo para os empresários que precisam começar logo o negócio. Uma loja convencional pode entrar em operação, em média, em 145 dias, enquanto que no contêiner são necessários 45 dias.

“Essa foi a opção que encontramos para continuar com os investidores e levar a marca para locais que não conseguiríamos ter uma loja”, diz Eduardo Guerra, diretor de expansão e implantação do Grupo Giraffas. A marca também reduziu o aporte inicial de R$ 700 mil para R$ 550 mil. A estratégia é semelhante a do fast-food de fondue Fábrica Di Chocolate com cerca de 80 unidades, sendo uma no exterior, que oferece um subsídio de R$ 19 mil aos interessados na aquisição da franquia. O Boticário, maior rede de franquias com 3,7 mil lojas, também disponibiliza a abertura de quiosques, modelo que chega a ser 43% mais barato que as boutiques tradicionais. “A ajuda do franqueador e o reconhecimento da marca no mercado atraem os empresários a esse tipo de operação”, diz Adir Ribeiro, da Praxis Business, consultoria de franchising e varejo.

A crise econômica afetou bastante as escolas de idiomas. A rede de ensino CNA, por exemplo, fechou 20 lojas de um total de 601 no ano passado e perdeu um número expressivo de alunos. Para recuperar-se dessa perda, a estratégia da CNA é oferecer um pacote de benefícios para os interessados que abrirem uma operação da marca ainda este ano, que possui um investimento inicial entre R$ 150 mil a R$ 350 mil. O valor referente aos juros pagos durante os 36 meses, que varia de R$ 74,5 mil até R$ 172 mil, será revertido em benefício para potencializar a abertura do negócio, como material didático, captação de alunos e demais itens que viabilizam o negócio. “Nossa meta é abrir 35 novas unidades para recuperar o número de 600 unidades”, diz Décio Pecin, presidente do CNA.

As condições criadas pelas franquias nos momentos de recessão fazem com que os especialistas apontem a baixa atividade econômica como o momento ideal para empreender. “As melhores oportunidades aparecem quando o mercado está desaquecido”, diz o especialista em franquias Luis Stockler, da ABF Educação. Segundo estimativas da ABF e do Sebrae, a taxa de mortalidade de franquias é de 5% a 10% nos primeiros cinco anos, enquanto a de um negócio independente é de 60% a 70%.


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