O momento da virada: todo líder merece uma segunda chance

O momento da virada: todo líder merece uma segunda chance

O grande dramaturgo inglês, William Shakespeare, afirmou que o ser humano tem “sete atos” e “sete idades”. Já o imaginário popular credita “sete vidas” ao gato. Porém, não proponho esse número cabalístico, pois acredito que toda pessoa pode ter tantas chances quantas estiver disposta a viver.

A vida se compõe de uma sucessão, nem sempre linear, de etapas. No entanto, a maioria das pessoas acaba se esquecendo disso e repete, automaticamente, a velha fórmula, como se a jornada tivesse um único tempo e a existência se resumisse a um só ato, marcado por um roteiro rígido, que nos leva a insistir em atitudes conhecidas para não corrermos risco de cometer novos erros. E, assim, muitas de nossas escolhas recaem em soluções desgastadas e rituais nos quais desperdiçamos oportunidades e tempo precioso.

No entanto, o fato é que podemos ter mais de uma chance no trabalho, amor, na família, saúde, qualidade de vida, realização financeira e cidadania. Cada um de nós pode ter tantas “vidas” quantas estiver disposto a viver.

Ao longo da minha trajetória, já contabilizei diversos momentos mágicos que abriram novas possibilidades para minha vida. Em alguns, fiz mudanças reativas, quando circunstâncias inesperadas ou indesejadas passaram a fazer parte do cenário. Nos outros, foram mudanças proativas apostando no futuro, mesmo estando numa considerável “zona de conforto”. Sempre acreditei que o melhor momento para mudar é quando tudo vai aparentemente bem. Entretanto, há alguns momentos nos quais somos forçados a nos reinventar. Precisamos sempre estar com o radar ligado, captando o melhor momento para a virada. Este peculiar e turbulento momento que estamos atravessando é um deles.

Precisamos acreditar na capacidade de mudar e criar uma segunda chance. Aprendi a relevância disso com relatos de pessoas de sucesso e empresas vencedoras. Em todos os casos, a decisão foi por assumir as rédeas de sua história, em vez de confiarem sua trajetória ao destino. Souberam perceber alternativas e construir um novo momento em suas vidas. Em seguida, tiveram coragem de tomar decisões e agir na transformação da própria realidade. Fizeram acontecer. Renasceram!

Um ponto observado nessas pessoas e empresas é o fato de não se limitarem a mudar depois de serem atingidos por problemas insuperáveis. Percebem, em algum momento, a necessidade de criar a próxima chance. Compreendem as circunstâncias, não negam a realidade, acreditam em si, cavam oportunidades, têm coragem de tomar decisões difíceis e implantam ações para atingir o próximo patamar. Deste modo, inauguram um novo ato nas suas vidas.

Muitas pessoas, asfixiadas pela rotina, por contas a pagar, compromissos assumidos e outras tantas dificuldades cotidianas vão ficando, a cada dia, mais angustiadas pela frustração, diante da enorme distância que separa seus sonhos da realidade.

Normalmente, sobram dúvidas em relação a esse processo. Como criar uma segunda chance no trabalho, em casa e na vida pessoal? Como enfrentar a hora da verdade? Como fazer acontecer?

O verdadeiro segredo de quem inicia vida nova não está em meros fatores circunstanciais e extrínsecos. Também não se trata de questão meramente técnica. Reside em algo qualitativo, invisível, intrínseco. Vive em um conjunto de atitudes, bem como em formas de pensar e agir que permitem às pessoas alargarem a capacidade de fazer escolhas. Além disso, possibilita às empresas alavancarem competências que as levarão ao sucesso. Essas atitudes são libertadoras das amarras que as prendem à visão condicionada, parcial e equivocada de suas prioridades. Trazem de volta o foco aos aspectos realmente importantes.

Essas pessoas conseguem superar cicatrizes trazidas pelos acontecimentos de suas histórias. Boas ou más, as lembranças do nosso acervo pessoal podem ser consultadas como um velho álbum de fotografias – o primeiro beijo, o primeiro emprego, a primeira casa, o primeiro nó na gravata, o primeiro sutiã, assim como nossos fracassos, mágoas, medos e traumas. Todos esses momentos ficam guardados na nossa memória porque são carregados de emoção. O grande risco é se tornarem uma camisa de força, que nos prende ao passado.

Chegou a hora das pessoas e empresas criarem circunstâncias favoráveis, tomarem decisões corajosas e produzirem ações que as direcionem ao próximo patamar de suas histórias. Ficar esperando que situações inesperadas ou indesejadas forcem mudanças, quando não tiver mais jeito, não pode mais ser visto como opção.

Como afirmei inicialmente no meu livro O Momento da Virada, lançado em 2005, republicado em 2012 e, depois, em 2018, sob o título Você Merece uma Segunda Chance, mais importante do que a circunstância que provoca infelicidade na vida de alguém é sua atitude frente a esse fato. Os vencedores criam momentos que permitem reinventar o futuro: mudam de profissão; afastam-se de pessoas invejosas e pessimistas; buscam auxílio para superar dificuldades; ampliam suas habilidades; trocam de emprego ou de cargo dentro da mesma empresa; montam o próprio negócio; mudam de carreira para manter a família e educar um filho; procuram um companheiro, em vez de ficarem sozinhos para o resto da vida; largam a faculdade imposta pelos pais; e transformam seu hobby em um negócio. Líderes mudam seu estilo de gestão e ficam muito mais sintonizados com a força das circunstâncias.

Sabemos que empresas também precisam se reinventar, sob pena de não sobreviverem. O novo patamar pode significar “pivotar” seu produto ou serviço, para utilizar um termo bastante moderno do jargão das startups, passando a atender novas necessidades de consumo percebidas durante a pandemia; conquistando mais tipos de clientes; inventando outros modelos de negócios.

Para chegar lá, as organizações podem criar inúmeras saídas, incluindo adquirir nova tecnologia; atrair um novo sócio; promover fusão ou aquisição de outra empresa; abandonar uma linha de produtos; monetizar ativos não relevantes; mudar sua sede de cidade; diversificar os negócios, alterar a forma de se relacionar com clientes, investir no desenvolvimento de um novo perfil de pessoas etc.

Finalizo pedindo permissão ao Lulu Santos para repetir os versos daquele que poderia ser o simbólico hino da situação que antevejo:

“Nada do que foi será,

De novo, do jeito que já foi um dia.”

Coragem! Esta é uma hora da verdade que tem impacto decisivo na nossa vida. É preciso se transformar para ser um agente da transformação que sua empresa necessita e o momento exige.

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