AS MELHORES DA DINHEIRO 2021

O modelo de transformação para um cabide mais digital

Em um ano repleto de desafios, a Renner registra faturamento de R$ 6,7 bilhões e investe no desenvolvimento de plataformas para clientes Omnichannel, que consomem três vezes mais em relação aos que só compram no físico ou digital.

Crédito: Andre Lessa/AE

Em 2020, a Renner abriu sete lojas físicas. Neste ano, já foram 18 unidades e outras duas devem ser entregues até dezembro. (Crédito: Andre Lessa/AE)

O ano mais desafiador de sua história. É assim que o CEO da Renner, Fabio Faccio, define como foi a travessia da crise provocada pela pandemia da Covid-19 em 2020. Foi necessário um conjunto de ações e, principalmente, muita gestão para se adaptar ao momento e entender os novos hábitos do consumidor, que tiveram de migrar, em boa parte do ano, para as compras no meio digital. Antes da pandemia, o segmento on-line representava no máximo 4% do faturamento da companhia. No fim de 2020, esse número alcançar a marca de 12,3%, com aumento no período de 126% em participação nas vendas pelos canais digitais. “O que está acontecendo é a concretização do que a gente acreditava: o modelo de integração do físico com o digital”, disse Faccio. A parcela do consumidor mais omnichannel da companhia representa uma fatia de 12% da base de clientes ativos, que hoje chega a 15,6 milhões. “Eles consomem três vezes mais do que um cliente que compra só no canal físico ou só no canal digital”, afirmou.

No ano passado, a Renner fechou com receita líquida de R$ 6,7 bilhões, queda de 21,4% em relação ao desempenho de 2019. Mas o ritmo de recuperação foi crescendo mês a mês, principalmente no quarto trimestre, quando a empresa já registrou alta de 1,6% no faturamento (com R$ 2,9 bilhões) em relação ao mesmo período do ano anterior.

Vencedora do prêmio AS MELHORES DA DINHEIRO 2021 no segmento varejo, a Renner hoje tem dez canais para os clientes, incluindo aplicativos de venda. Parte desse resultado foi obtido a partir dos investimentos destinados para a transformação digital da companhia. Antes da pandemia, a previsão era de que fossem aportados R$ 900 milhões, mas o número foi reduzido pela dificuldade da realização de obras de expansão nas lojas, que ficaram fechadas boa parte do ano. Ao fim de 2020, a empresa investiu R$ 544 milhões. Do total, 48,8% foram destinados a ações digitais. “Mantivemos os investimentos em sistemas, equipamentos, tecnologia e todo o processo de digitalização”, disse o CEO da Renner. Para 2021, a previsão é de que a companhia conclua um pacote de investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, e seguindo a mesma proporção, com metade desse montante na vertical on-line.

FABIO FACCIO EMPRESA: Renner. CARGO: CEO. DESTAQUES DA GESTÃO: Aumento de investimentos em novas plataformas digitais e a rápida transformação no modelo de negócios a partir de um formato mais omnichannel. (Crédito:Divulgação)

Ainda assim, os investimentos também têm foco na ampliação da rede física do grupo. No ano passado, a Renner ganhou mais sete lojas — no grupo todo foram 11 (duas da Imaginarium e duas da Youcom). Em 2021, já foram abertas 30 novas lojas. Destas, 18 são da Renner e pelo menos mais duas devem ser entregues até dezembro. A companhia fechou o ano passado com 393 lojas sob bandeira Renner no Brasil, cinco a mais do que em 2019. Da Camicado são 113 lojas e da Youcom, 100.

Faccio atribui o resultado de 2020, ainda que bastante impactado pela pandemia, ao trabalho voltado em quatro pilares: preservação da saúde dos colaboradores, dos empregos, da saúde financeira da companhia e de ações sociais para hospitais e comunidades carentes que foram duramente atingidas pela crise. “As nossas decisões focaram esses pilares e ao mesmo tempo preparando a empresa para atravessar esse período de menor receita. E a gente conseguiu se readaptar e enxergar as novas oportunidades de crescimento, a partir de um cenário mais on-line”, afirmou o executivo.

“Parte dos resultados de agora é demanda reprimida. Outra boa parte é o grande trabalho que o time da Renner tem feito na digitalização, nos processos e nas coleções” Fabio Faccio, CEO da Renner.

E os números mostram o resultado dessa reengenharia. O trabalho de readaptação da companhia a um modelo ainda mais on-line tem se mostrado certeiro, principalmente quando observado o primeiro semestre deste ano, ainda um pouco atingido pela segunda onda, no início do ano. No segundo semestre de 2021, a receita líquida fechou em R$ 2,2 bilhões, crescimento de 318% sobre o mesmo período do ano passado. A alta dos canais digitais também foi muito significativa, com acréscimo de 66,5% do GMV. A fatia on-line já passou a representar 14,1% do total das vendas. Quando comparado o primeiro semestre de 2021 com os seis primeiros meses de 2020, a alta na receita chegou a 73,3%.

A tendência, na avaliação do CEO da Renner, é de seguir nessa caminhada de recuperação. “Parte é pela demanda reprimida, já que nosso segmento foi um dos mais afetados. Mas também é o grande trabalho que o time da Renner tem feito, na digitalização, nos processos e no desenvolvimento das nossas coleções”, disse. “O momento é de uma economia ainda em recuperação, mas a gente vem ganhando mercado.” Seja de forma presencial ou pela internet, o consumidor, que ensaia uma retomada mais perto do normal de suas atividades, quer renovar seu guarda-roupa. E a Renner está aberta para isso.