Edição nº 1137 09.09 Ver ediçõs anteriores

Entrevista

Johannes Roscheck, presidente da Audi no Brasil

O Mercosul só existe no papel, não é real

Claudio Gatti

O Mercosul só existe no papel, não é real

Carlos Eduardo Valim
Edição 15/11/2018 - nº 1096

Uma das primeiras atribuições do executivo austríaco Johannes Roscheck na alemã Audi foi cuidar da controladoria. Depois, dedicou-se à produção da fábrica no Paraná. Em 2002, ele deixou o país para assumir posições nos EUA e, posteriormente, na Hungria. Em 2017, o executivo retornou, agora como presidente da Audi no Brasil. Este mês, a montadora completa 25 anos de presença no País. E a soma das experiências acumuladas por Roscheck tornou-o capaz de combinar uma visão internacional com as peculiaridades do mercado automotivo local. Além de falar português muito bem, com pouco sotaque e nenhuma dificuldade em encontrar palavras para expressar suas ideias de gestão, Johannes Roscheck também demonstra uma abordagem bem prática ao encarar os grandes desafios da economia brasileira. “O custo dos impostos, sinceramente, nem é tão alto no Brasil”, afirma. “Temos um gasto alto, mas o custo existe por causa da complexidade do sistema tributário”, disse o executivo à DINHEIRO, durante entrevista no Salão do Automóvel de São Paulo. Ele defende uma abertura maior da economia, mas a ser realizada com cuidado e sem atropelos. “Nas condições atuais, a indústria simplesmente quebraria”, diz.

DINHEIRO – Que novidades a Audi trouxe para o Salão de São Paulo este ano?

JOHANNES ROSCHECK – Mostramos seis novos modelos que virão no ano que vem. São as principais novidades entre os 13 que vamos começar a vender em 2019. É a maior renovação tecnológica da história da Audi. São eles os novos A6, A7 e A8, com motor híbrido, além do RS 4 Avant, do Q8 e do primeiro carro 100% elétrico da empresa, o E-tron, um SUV que começa a ser vendido na Europa no próximo ano. Nesta semana faz 25 anos que Ayrton Senna assinou o contrato para representar a montadora no País.

DINHEIRO – Qual foi a importância da família Senna para a marca no País? Aqui ela ganhou uma reputação de carros de luxo até maior do que possui na Europa. Foi por conta dessa associação?

ROSCHECK – Eu entrei na Audi no começo de 1995. Não conheci o Ayrton. O contrato já existia, mas tive um contato próximo com o restante da família. Em especial, com o Leonardo Senna, irmão dele. Eles fizeram um trabalho muito bom para a marca. A família saiu em 2004, quando assumimos a operação a partir da matriz. O fato de o Ayrton ter assinado o acordo e trazido os nossos carros para o Brasil é motivo de muito orgulho. É uma pena que ele não esteja mais conosco. Todo mundo sente isso. Estamos cuidando dessa herança.

DINHEIRO – Há grande potencial de mercado para os novos modelos elétricos?

ROSCHECK – Ainda não é grande. Mas está crescendo. O interesse é enorme e só o futuro vai mostrar se o carro elétrico funciona para os nossos clientes aqui no Brasil. Pessoalmente, acredito que, em centros urbanos, como São Paulo, teremos um bom mercado. O carro vem com autonomia de 400 km a cada recarga, o que é bastante. Dá para rodar de São Paulo ao Rio de Janeiro. Mas o foco principal dos nossos produtos elétricos é ter um carro 100% Audi. Ou seja, um carro grande, no porte de um Q8, e um carro completo. A única coisa que muda é a propulsão ser elétrica.

DINHEIRO – Os motores híbridos representarão uma etapa até os carros 100% elétricos assumirem o mercado? Preocupa o fato de não haver uma infraestrutura preparada para esses veículos, com suficientes postos de recarga?

ROSCHECK – Exatamente. Ainda estamos longe de contarmos com uma infraestrutura. Mas, no Brasil, temos uma característica diferente em relação ao mercado europeu. Aqui, as pessoas que compram o veículo elétrico não têm apenas esse carro. Ele não é o principal para o transporte diário. Na Europa, as pessoas querem viajar com o carro. Como tudo fica mais próximo, os consumidores estão acostumados a viajar longas distâncias. É comum os motoristas irem da Alemanha para a Grécia ou Espanha. Então, lá, é necessária uma infraestrutura mais completa, sobretudo nas rodovias. Mas no Brasil as pessoas usam o carro principalmente no fim de semana ou no caminho de casa ao trabalho. Com uma autonomia de 400 km, acreditamos que em 95% dos casos uma tomada em casa na garagem será suficiente para fazer a recarga e rodar por um ou dois dias sem preocupações. Essa é a nossa teoria. O futuro vai mostrar se será mesmo assim.

DINHEIRO – O Brasil, com os lançamentos, ficará mais próximo das inovações do exterior?

ROSCHECK – A ideia é trazer cada vez mais os veículos que existem na Europa. Estamos trabalhando na eletrificação do mercado. Até 2025 teremos mais 20 lançamentos globais de veículos eletrificados, que sejam 100% elétricos ou híbridos. E estamos empolgados de trazer os veículos para cá. Dependerá muito da reação do mercado ao E-tron, mas a princípio queremos ter os carros mais avançados no Brasil.

“O Brasil tem a vantagem de contar com o etanol. A eficiência energética daqui é uma referência”Colheita de cana-de-açúcar, que permite abastecer os postos com etanol (Crédito:Divulgação)

DINHEIRO – As montadoras estão muito focadas numa grande revolução para os combustíveis. O Brasil vai entrar de fato no mercado elétrico? Não existe a opção de ficar de fora?

ROSCHECK – Isso vai acontecer, sim.

DINHEIRO – Mas se o mercado demorar a adotar essas tecnologias, acabaremos ficando muito para trás…

ROSCHECK – Sim. Mas o Brasil tem a vantagem de contar com o etanol, um biocombustível que traz um diferencial enorme. O Brasil é o grande país mais ecológico em termos de trânsito individual do mundo. A eficiência energética daqui é uma referência. Sempre nos esquecemos disso. Inclusive as nossas autoridades também se esquecem disso. A Europa tentou por décadas conseguir chegar no ponto em que Brasil está e nem se aproximou do nosso resultado. Aqui, mais de 60% do consumo de combustíveis em veículos leves é etanol. Mesmo a gasolina vendida traz etanol na fórmula. Até a China e a Argentina estudam promover um aumento do etanol na composição da gasolina, como foi feito aqui. E, por enquanto, só exploramos biocombustíveis de primeira geração. Ninguém usa o de segunda geração (feito a partir do bagaço da palha da cana-de-açúcar). E ainda não estamos falando muito de combustíveis sintéticos. Existe uma vasta possibilidade de exploração. Os combustíveis fósseis podem desaparecer hoje que o mundo não vai parar.

DINHEIRO – Não existe mais esse risco? Qual fonte de energia vai prevalecer no seu lugar?

ROSCHECK – Hoje ninguém sabe em que direção o mundo vai. Muitos estão apostando na matriz elétrica, mas muitos lugares no mundo estão com problemas de fornecimento de energia para toda a demanda que teremos no futuro. E ainda mais considerando uma energia elétrica limpa. Não adianta termos um carro elétrico se essa energia for gerada por carvão em usinas termelétricas, por exemplo. Isso significaria um carro elétrico muito mais poluente do que um com motor a diesel. Então, cada região, cada país precisa ter as suas soluções adequadas. Para o Brasil, talvez o carro elétrico nem seja a primeira escolha. Pelo menos, não seria a minha. Poderia trabalhar muito mais com os biocombustíveis. Afinal, já existe uma rede gigantesca para o bioetanol. E talvez através dessa mesma rede o País possa combinar outros tipos de biocombustíveis. Energia primária para isso, com vento, água, e sol, o Brasil tem de sobra. Biomassa também há de sobra. O Brasil possui muito mais do que o necessário daquilo que falta a muitos outros países do mundo. Na Alemanha, trabalhamos com um projeto que já está bastante avançado: o biogás produzido sinteticamente. Extraímos CO2 da atmosfera, usando a energia elétrica produzida de forma eólica, e espalhamos esse gás por meio dos gasodutos europeus, aproveitando os canais existentes. Então, temos veículos a gás, como o nosso A5 G-tron, que já chegou no Brasil para testes. São soluções que mostram claramente que energia não falta no mundo. Só faltam definições.

DINHEIRO – E o hidrogênio? Algumas montadoras japonesas apostam nisso…

ROSCHECK – Hidrogênio também é uma tecnologia interessante. Temos o modelo H-tron. É um combustível muito fácil de produzir. Pode ser um biocombustível como biogás, a biogasolina, o biodiesel e a bioquerosene. É possível usar o hidrogênio no motor a combustão, o que já se mostrou não ser muito vantajoso. Ou então utilizar uma célula de hidrogênio para carregar um carro elétrico. Isso funciona bem. A questão de como estocar o hidrogênio está cada vez mais sob controle. Então, essa tecnologia também é uma forma bem adequada para lugares mais remotos.

DINHEIRO – O Brasil pode ser um mercado para isso?

ROSCHECK – Estudamos ter um carro elétrico, com a bateria carregada por célula de hidrogênio para trafegar em regiões distantes do Brasil e da África, onde não há uma infraestrutura tão grande, tão perfeita quanto na Europa. Ninguém sabe qual combustível vai dominar em 20 anos.

“Sabemos que existem discussões com a Argentina para adotarem as definições do Rota 2030”Mauricio Macri, presidente da Argentina

DINHEIRO – Talvez o modelo mais provável seja a coexistência de diversas tecnologias?

ROSCHECK – Com certeza. Provavelmente, até o motor a combustão vai continuar existindo pelos próximos 50 anos.

DINHEIRO – E como vê o mercado automotivo interno brasileiro, no momento, com o novo governo do presidente Jair Bolsonaro assumindo no próximo ano?

ROSCHECK – Simplesmente o fato de que a alguma coisa vai mudar, com a chegada de um novo governo, cria uma expectativa positiva. Se tudo vai acontecer dentro dessas expectativas, precisamos ver. Mas as propostas parecem positivas.

DINHEIRO – O clima do setor está bom com isso e com a aprovação do programa de incentivos Rota 2030?

ROSCHECK – O clima já era bom. Mas a aprovação do Rota 2030 dá um sinal muito importante para toda a indústria, que vai poder planejar os investimentos pensando em um prazo mais longo.

DINHEIRO – O Rota 2030 pode ajudar a aumentar as exportações?

ROSCHECK – Para exportar outras coisas influem mais. Está sendo discutida a criação de uma plataforma única para o Mercosul. Sempre digo que o Mercosul só existe no papel, não é real. A iniciativa traria uma padronização em termos de regulamentações, como regras para emissões. Para cada país, precisamos homologar o carro de acordo com regras específicas. Isso não é viável. O mercado não é grande o suficiente para cada um ter a própria regulação. Os outros países deveriam adotar as definições do Rota 2030. Isso já seria suficiente. Sabemos que existem discussões nesse sentido com a Argentina.

DINHEIRO – O câmbio influencia muito no desempenho do mercado no País?

ROSCHECK – Ele pode ajudar a sermos competitivos. O fato é que temos um mercado fechado. Quanto mais fechado é um país, mais o seu mercado tem dependências do câmbio para funcionar. É um desafio adicional que deveria ser resolvido. O problema de um mercado fechado é que não se pode comparar se é competitivo ou não. E sabemos que hoje o Brasil não é. Sendo fechado, a competitividade não aumenta, o que só cria um problema maior para o futuro. Além disso, também não podemos abrir o mercado de um dia para o outro. Nas condições atuais, a indústria simplesmente quebraria. Então, será preciso um planejamento, pelos próximos 10 a 20 anos, para abrir o mercado gradativamente. Assim, a indústria faria o que precisa para diminuir a diferença que temos com os países desenvolvidos. E, ao mesmo tempo, podemos fazer as reformas. Sobretudo no sistema tributário, um dos principais problemas.

DINHEIRO – Não só pelo custo dos impostos, mas também pela complexidade?

ROSCHECK – O custo, sinceramente, nem é tão alto. Temos impostos altos, mas o custo existe por causa da complexidade do sistema. Por exemplo, hoje não temos um imposto único. Há a ICMS e o IPI, além do PIS/Cofins, que são impostos adicionais que não existem em praticamente lugar nenhum. Tudo isso cria um peso muito além do necessário, que aumenta o preço para os clientes e para a indústria.

DINHEIRO – O que é mais importante agora que as eleições acabaram? Uma reforma tributária ou da previdência?

ROSCHECK – Aprovar ambas seria muito bom. A fase do discurso acabou. Agora precisamos de fatos. As ideias já existem.

DINHEIRO – Os problemas centrais do Brasil já estão diagnosticados?

ROSCHECK – Há muito tempo. Os mesmo temas têm sido discutidos nos 20 anos que conheço o Brasil, e não mudou muita coisa. Sempre falam de reforma política e tributária. São muito importantes. Talvez seja necessária antes uma reforma política, porque assim se faz as outras. Se existem 30 partidos que precisam dar o OK numa votação, é preciso agradar praticamente dezenas de grupos. Só isso já é uma base para a corrupção. Isso não funciona.


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