Dinheiro em foco

“O mercado de antecipação de recebíveis está sendo colocado num nível superior”

Crédito: Bianca Ramos

Quem é Elber Fabrício Laranja: Cofundador da Antecipa Fácil; Especializado em Gestão de Projetos (MBA) pela Fundação Getulio Vargas (FGV); Membro da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e do Sindicato das Sociedades de Fomento Mercantil - Factoring de São Paulo (Sinfac-SP). (Crédito: Bianca Ramos)

O nome não ajuda a evitar confusões. A Antecipa Fácil, fintech de antecipação de recebíveis que tem Elber Fabrício Laranja como cofundador, é uma empresa distinta da baiana Antecipa, recentemente adquirida pela XP. Ele falou sobre o desempenho de sua empresa, de metas para este ano e sobre o futuro do segmento que até pouco tempo era mal visto pelo mercado em geral.

A Antecipa Fácil é uma factoring digital?
Somos uma empresa de antecipação de recebíveis. Genericamente a Antecipa Fácil funciona como um marketplace do factoring. Digo genericamente porque, além de empresas de factoring, nós temos cadastrados diversos agentes financeiros. Temos pequenos bancos, empresas simples de crédito, sociedades de microcrédito e securitizadoras de ativo empresarial, entre outras. Somando todos, são 153 agentes em nosso banco de dados e perto de 1 mil sacados, que são empresas para as quais fizemos a antecipação.

Qual o desempenho?
Atingimos R$ 100 milhões em créditos para pequenas e médias empresas, em 2020. Para efeito de comparação, em 2019, foram R$ 65 milhões. Prevemos crescimento de 300% neste ano.

Mesmo com a pandemia será possível todo esse crescimento?
É natural a demanda por crédito aumentar em situações como a atual, em que muitos precisam de recursos para fluxo de caixa. Na realidade, estamos sendo até um pouco conservadores em nossa previsão porque entendemos que talvez fosse necessário deixar de fazer algumas operações com risco maior para garantir a qualidade do papel para nossa comunidade de financiadores. Além disso, os players tradicionais cortaram as linhas de crédito para a maioria dos usuários.

Como os papéis são negociados na plataforma?
A empresa tomadora de crédito cadastra a nota fiscal com documentos que comprovem que houve o “aceite” dela. Por exemplo, vamos supor que você forneceu um determinado produto para outra empresa. Certamente você emitiu uma nota fiscal e, ao entregar o pedido, o seu cliente assinou o canhoto da nota confirmando o recebimento e também concordando em pagar o valor descrito nela. A nota só é considerada um ativo de direito creditório quando houver esse “aceite”. A partir daí, com a documentação em ordem, os agentes financeiros participam de um leilão para antecipar o pagamento. Vence quem oferecer o menor deságio.

Em média, quanto que o tomador consegue de deságio nesse processo?
Cada caso é um caso. Recentemente fizemos o leilão de um papel com deságio de 1,19%. Veja bem, era uma nota de R$ 55 mil reais, em que o cliente só pagaria em dezembro. Quem é que aguenta prestar um serviço ou fornecer um produto e esperar seis meses para receber o pagamento? Não dá. Então, a solução é antecipar esse recebível. Foi o que aconteceu. É apenas um exemplo. Já houve situações em que um papel foi negociado com deságio de 8%.

Qual o futuro desse mercado de crédito baseado na antecipação de recebíveis?
Até dez anos atrás, esse mercado era considerado a escória, era visto como uma espécie de agiotagem. Mas os órgãos reguladores estão dando os insumos de que o mercado precisa para que haja garantia da unicidade da duplicata, ou seja, que não exista o risco de uma nota ser cobrada mais de uma vez por terceiros. Isso acontecia antes por falha ou fraude. Outro ponto importante: recentemente, a XP adquiriu uma concorrente minha, homônima, a Antecipa, da Bahia. Quando uma XP compra uma fintech de antecipação de recebíveis, você percebe claramente que este mercado está sendo levado a um nível muito superior.

Vocês receberam aporte de investidores?
Sim, recebemos aportes de investidores anjos no total de R$ 4,1 milhões.

OPÇÃO
Crédito consignado, retorno alto

A Paketá Crédito criou uma opção de investimento em que donos de empresas, fundos de investimento e family offices possam aplicar capital ao emprestar dinheiro aos colaboradores de suas empresas ou de outras à sua escolha. Além de obter rendimento com as operações de crédito, essa é uma forma de as empresas ajudarem os funcionários num momento de crise, oferecendo crédito. Dependendo da análise de crédito que é feita pela fintech, a taxa de juro dos empréstimos concedidos pela Paketá pode variar de 1,6% a 3,1% ao mês. A fintech é responsável por toda a operação do consignado, relacionamento com as empresas e gestão da carteira de crédito. Fica a cargo do investidor fazer a alocação do recurso em empresas de sua escolha. O retorno é estimado entre 20% e 32% ao ano.

EXECUTIVOS
Magalu tem diretor de fintechs

O Magazine Luiza anunciou a chegada de Robson Dantas para o cargo de diretor de fintechs da companhia. Dantas, que fundou a startup Vale Presente, assume com o desafio de fazer a empresa de varejo evoluir no segmento. O objetivo principal é acelerar o projeto de Conta Digital Magalu Pay – pagamentos via aplicativo, com transferência de valores – e integrar a conta digital ao Cartão Luiza. Os serviços financeiros são estratégicos para a empresa se posicionar como um dos principais aplicativos do País. Nos últimos 15 anos, Dantas esteve envolvido na criação de diferentes produtos e tecnologias para o ecossistema de fintech no Brasil, em vários países da América Latina e nos Estados Unidos.

Número da semana
R$ 84,4 bilhões

Foi a captação líquida da poupança no primeiro semestre. O recorde histórico indica a busca por segurança dos investidores brasileiros em meio à crise da Covid-19. Em junho, os depósitos superaram as retiradas em R$ 20,5 bilhões, contra apenas R$ 2,5 bilhões do mesmo mês de 2019, segundo informações divulgadas pelo Banco Central. Esse valor de junho de 2020 se soma ao rendimento de R$ 2 bilhões creditados no mesmo mês. A maior captação líquida aconteceu em maio, quando atingiu R$ 37,2 bilhões. Com um resultado tão marcante no primeiro semestre, o saldo da poupança fechou o último mês em R$ 943,6 bilhões. Em junho, os bancos que aplicam recursos da caderneta em crédito imobiliário (SBPE) registraram captação líquida de R$ 14,4 bilhões e os que direcionam recursos para o crédito rural (SBPR), R$ 6,1 bilhões.

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