O máximo da Garzón, em doses mínimas

O máximo da Garzón, em doses mínimas

Vista aérea da Bodega Garzón, no Uruguai, com mais de 1 mil parcelas de vinhedos

Quando se avista a incomum paisagem formada pelos vinhedos da Bodega Garzón, no Uruguai, a impressão é de uma colcha de retalhos. São mais de 1 mil parcelas geometricamente dispostas como em um patchwork. Tudo ali foi milimetricamente planjado a partir de pesquisas das características do solo, da capacidade de drenagem e da orientação das plantas em relação ao sol. Esse mosaico único no mundo do vinho é um território constante de experiências. E, com elas, a vinícola que foi eleita a Melhor do Novo Mundo pela publicação especializada Wine Enthusiast em 2018 não cessa sua busca pela excelência, aprimorando ano a ano as maneiras de extrair o melhor de cada lote.

Os mais recentes resultado dessa abordagem individualizada das vinhas chega ao Brasil agora, pela importadora Word Wine, sob o nome Petit Clos, linha inaugurada por um branco e um tinto espetaculares. O primeiro é 100% Albariño, variedade que se adaptou perfeitamente à região, em que uma brisa do Atlântico (a apenas 18 km dali, em linha reta) sopra de forma constante,  trazendo o frescor oceânico para dentro das uvas. O segundo leva apenas a variedade mais emblemática do país, a Tannat.

Ambos são produzidos em escala diminuta, cerca de 3 mil garrafas. Na França, clos é o nome dado a um vinhedo, muitas vezes murado, que abriga parreiras de qualidade superior. Petit, como se sabe, é pequeno. Segundo o enólogo Germán Bruzzone, as pequenas parcelas eram antes usadas para elaborar os componentes que entram no corte do Balasto, vinho ícone da Garzón. Com o tempo, surgiu a ideia de aproveitar o material para uma linha quye fosse ainda mais exigente que a dos “single vinyards”.

Os rótulos trazem os números das quadras que fornceram as uvas: “Block #27”, para o Albariño; “Block # 212”, no Tannat. Nos dois casos, o mosto foi fementado em tulipas de cimento. Para amadurecer o branco, que tem 13,5% de álcool, 30% do volume passou por barricas do tipo Lancero (nome dado pelos enólogos da Garzón a tonéis de madeira mais longos, com 600 litros, usados também na Itália para a maturação de barolos). O tinto ficou um ano em tonéis de carvalho francês, mas sem tosta.

Nos aromas e na boca, ambos superam as expectativas. No branco, que remete a grandes rieslings da Alsácia e ao chenin blanc do Vale do Loire, é perfeito para harmonizar com peixes e frutos do mar, especialmente ostras e vieiras. O tinto, um raro exemplar de Tannat que ainda jovem (a safra 2018) já tem taninos sedosos e no qual o teor de álcool (14,5%) se equilibra com a doçura e a boa acidez, sugere grande potencial de guarda. Se for bebido já, a dica é harmonizá-lo com churrasco e cordeiro. Custam R$ 438, na World Wine.

Rótulos Garzón Petit Clos
O Tannat e o Albariño Petit Clos, com produção restrita a 3 mil garrafas (Crédito:Divulgação)

 

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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