Edição nº 1092 19.10 Ver ediçõs anteriores

O mau negócio da polarização social

O mau negócio da polarização social

Em cacos: manifestação das centrais sindicais em Brasília, na quarta-feira 24, terminou com depredação de oito ministérios. Na foto, a imagem do Congresso é refletida em vidraça do Ministério da Saúde

Condenação ou perseguição do Lula, Estado máximo ou Estado mínimo, liberação do consumo de drogas ou repressão ao crime organizado, direitos humanos ou direitos dos manos, permissão ou proibição do aborto…  A polarização social tomou conta do Brasil (e do planeta). E assusta o mundo dos negócios.

Pesquisa realizada pela consultoria internacional GlobeScan, no final de 2017, com 103 profissionais de Assuntos Corporativos, Comunicação, Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade em todo o mundo indica que os riscos sociais são os mais preocupantes no curto prazo. Representam numa ameaça para os próximos dois anos. O motivo? Não podem ser seguramente antecipados ou controlados.

Segundo o estudo, aspectos tradicionais de responsabilidade corporativa, como governança e ética, desempenho ambiental e social e cadeia de suprimentos, são áreas nas quais os profissionais corporativos sentem-se mais capazes de gerenciar os riscos. Ao passo que o terreno social está minado.

A polarização social desencadeia uma perversa sequência de destruição de valor: é capaz de gerar instabilidade política, abre espaço para a proliferação de discursos populistas que têm o potencial de deteriorar o ambiente de negócios, abalar o desenvolvimento econômico, agravar a desigualdade e, assim, ampliar a já evidente desconfiança dos negócios e nos negócios. Enfim, ameaça romper com as já frágeis relações entre as empresas e as pessoas.

Qualquer semelhança com a realidade brasileira não é mera coincidência. A solução dos problemas nacionais pelo simples embate de “Mortadelas versus Coxinhas”, “verde & amarelos versus vermelhos”, “comunistas versus fascistas” afugenta a razão, torna o ambiente meramente emocional e impossibilita a convergência em torno de agendas comuns.

Sim, existe uma agenda comum. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável já estruturaram e detalharam uma ampla gama de frentes de atuação que exige o engajamento de países, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos para o enfrentamento de problemas locais e globais até 2030.

Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são, portanto, um território firme para os negócios construírem capital social e, assim, reforçarem suas relações de confiança com as pessoas e as comunidades. Um caminho para migrar da hoje frágil licença para operar para a licença para cooperar. Os ODS oferecem avenidas que apontam na direção inversa da polarização social.

Embarcar no Fla-Flu do debate social e político é, portanto, uma armadilha para os profissionais de empresas. Ao mesmo tempo em que parece tentador derrotar a linha de pensamento oposta no curto prazo. Em um olhar mais amplo, acirra as divisões e não abre espaço para o diálogo construtivo.

Na próxima semana, vamos explorar o caminho virtuoso para fugir do redemoinho da polarização: como construir capital social por meio de uma estratégia de valor compartilhado, que tem por base um sólido propósito corporativo e que se traduz em iniciativas coerentes e de impacto mensurável em favor dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


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