O isolamento como opção

O isolamento como opção

Se a ideia é acabar de vez com qualquer possibilidade de o Brasil permanecer como um player relevante no tabuleiro das nações,o governo Bolsonaro e seus achegados estão no caminho certo. O rebento zero três, Eduardo Bolsonaro, resolveu por esses dias pregar mais uma estaca no muro que está distanciando o País da boa relação com os seus parceiros comerciais e mirou justamente à China – nada mais, nada menos, que o maior comprador de mercadorias nacionais, um titã importantíssimo dos negócios internacionais que, dentre outros méritos, tem sido o maior responsável pela boa fase de resultados do agronegócio daqui. Para variar, como é do feitio dessa família bolsonarista, partiu para caluniar o parceiro, postando provocações nas redes digitais em relação a grande disputa da tecnologia 5G para a telefonia. Não pegou nada bem e, desta feita, o parceiro, que não tem sangue de barata, reagiu à altura. Através da embaixada diplomática em Brasília passou o recado claro e preocupante: nessa toada, vão existir retaliações. Quando um portento comercial da estatura do império asiático lança um aviso desses – e, é bom lembrar, que quase nunca ele é dado a reações do tipo – colocar as barbas de molho é o melhor a fazer. O sinal de alarme foi acionado dentro do Palácio do Planalto. Mas não só lá. Logo vozes parlamentares, representando setores estratégicos internamente, partiram ao protesto. Um dos congressistas apontou, com propriedade, que Eduardo zero dois “achincalha, inventa e mente” para desorganizar as relações diplomáticas brasileiras. É, decerto, um verdadeiro contrassenso alguém que esta no comando da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, partir para uma postura beligerante como essa. Na própria Câmara, um grupo de deputados começou a articular sua imediata destituição do cargo e seria, naturalmente, o melhor a fazer como sinal para refluir os ânimos do parceiro. O Brasil só tem a perder nessa briga ideológica sem sentido e sem noção. Diga-se, de passagem, que não é a primeira vez que agregados do capitão – ou mesmo o próprio – lançam estocadas contra os chineses. O presidente, não faz muito tempo, deixou clara as diferenças de pensamento e de método que o separam daquele País, em uma reunião do G-20, na qual insinuou o risco de dominância “comunista” no mundo. Mais uma vez, teve resposta, com os chineses reclamando das práticas não ambientais por aqui. O fato é que as relações não estão no seu melhor momento. E não é só com parceiros asiáticos que o Brasil resolveu arranjar confusão. Os europeus também não estão nada satisfeitos com a postura do governo Bolsonaro sobre preservação ambiental, deixando correr soltas as práticas de desmatamento e queimadas. Mesmo os EUA, amigo de primeira hora dos tempos de Donald Trump, pode incutir um novo ritmo nessa relação sob o comando do presidente eleito, Joe Biden. Em assim se confirmando, a política diplomática de isolamento, que parece traçada minuciosamente pelo Itamaraty, estará consagrada.

Carlos José Marques, diretor editorial

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Sobre o autor

Carlos José Marques é diretor editorial da Editora Três e escreve semanalmente os editoriais da revista DINHEIRO


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