Economia

“O grande desafio da Mastercard é acabar com o dinheiro”, diz CEO da Mastercard

Para o executivo, o processo de digitalização da última década mudou a forma de consumo das pessoas. Sites que envolvem transações financeiras eletrônicas, aplicativos que facilitam as operações e o próprio setor financeiro colocarão em xeque a existência de moedas e cédulas como meios de pagamento.

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“Hoje, 67% das pessoas passaram a usar o pagamento por aproximação e dizem que nunca mais querem voltar ao passado”, afirmou Paro Neto (Crédito: Divulgação)

Para o CEO da Mastercard Brasil, João Pedro Paro Neto, uma das grandes dificuldades que o setor de meios de pagamentos ainda enfrenta é combater o uso do papel-moeda e ampliar a penetração das modalidades eletrônicas de pagamento. “O grande desafio da Mastercard é acabar com o dinheiro. O mundo físico no Brasil é um dos melhores do mundo e queremos que o virtual seja igual. A gente quer chegar um dia em que o papel-moeda vai ser muito pouco utilizado.”

Paro Neto foi o entrevistado da live da Dinheiro de hoje (2). Ao jornalista Carlos Eduardo Valim, o executivo falou sobre a economia pós-pandemia, sobre o mercado de pagamentos e o uso da tecnologia de cartões sem contato e avaliou o futuro do papel-moeda no Brasil.

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O CEO disse que o amplo processo de digitalização da última década, envolvendo sites, aplicativos e o próprio setor financeiro, mudou a forma de consumo das pessoas e colocará brevemente em xeque a existência de moedas e cédulas como formas de pagamento.

“Hoje, 67% das pessoas passaram a usar o pagamento por aproximação e dizem que nunca mais querem voltar ao passado”, afirmou. Com a perspectiva do fim do dinheiro em espécie, já que milhares de pessoas ainda utilizam esse recurso frequentemente para pagar suas compras, ele destaca que pesquisas indicam que em uma década o papel-moeda estará obsoleto.

O setor de cartões movimentou R$ 475,7 bilhões no primeiro trimestre deste ano, cifra 14,1% maior que a vista um ano antes, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Com efeito, o ritmo mostra uma desaceleração frente ao crescimento apresentado até então por conta das medidas de isolamento adotadas para conter a propagação do novo coronavírus no País.

Por modalidade, os brasileiros movimentaram R$ 297,7 bilhões com cartões de crédito, alta de 14,1%, R$ 170,8 bilhões com cartões de débito, aumento de 12,5%, e R$ 7,1 bilhões com cartões pré-pagos, salto de 78,9%. Em quantidade, o segmento registrou um total de 5,8 bilhões de transações com cartões no primeiro trimestre, avanço de 15,3% ante o mesmo período do ano passado. “A pandemia nos ajudou porque obrigou as pessoas a usarem os meios digitais.”

Pesou, sobretudo, o impacto do setor nas capitais do País, que, em geral, iniciaram o processo de isolamento antes das demais cidades. O volume transacionado com cartões nessas metrópoles caiu, na média, 2,1% em março, enquanto no restante dos municípios houve crescimento médio de 8%, segundo a Abecs. Também influenciou a queda dos gastos dos brasileiros no exterior que, por outro lado, sofreu influência do aumento do dólar.

Por outro lado, a pandemia motivou novas tecnologias no setor. Os pagamentos digitais realizados por meio do e-commerce, aplicativos e outros tipos de transações remotas somaram R$ 86,7 bilhões no primeiro trimestre, com crescimento de 23,2% em um ano. Assim como o e-commerce, a compra por aproximação teve um salto de 456% no período, movimentando R$ 3,9 bilhões.

A Abecs espera que o setor de meios de pagamentos no Brasil cresça entre 1% e 3% neste ano, totalizando R$ 1,9 trilhão. O avanço, se confirmado, representará uma forte desaceleração frente ao ano passado, quando o segmento teve aumento de 18,7%. Mais pessimista, o CEO da Mastercard calculou: “Se os segmentos da economia que não estão tão mal crescerem zero em relação ao ano passado é fantástico”, disse o executivo.

Neto começou a carreira no Itaú, passou por ABN Amro, Citibank e Tokio Marine antes de chegar à presidência da Mastercard no Brasil e no Cone Sul. À frente da bandeira norte-americana de cartões, ele lidera uma revolução no mercado brasileiro. A Mastercard já vinha buscando incentivar pagamentos digitais e o uso da tecnologia de cartões sem contato. Ao certo, a Mastercard é mais que uma empresa de cartão de crédito, é hoje uma empresa de tecnologia para a indústria de meios de pagamento eletrônico, envolvendo soluções para emissores, adquirentes e lojistas.

O executivo, que antes de juntar-se à Mastercard, esteve por nove anos no banco Itaú, onde liderou a área comercial para clientes corporativos com passagens pelo Citibank, ABN Amro Bank e Interatlântico, disse na entrevista que a empresa vem atuando especialmente com o desenvolvimento de soluções que aumentam a conveniência e a segurança de seus clientes, tanto no mundo físico, como o pagamento por aproximação, como no mundo digital, como o uso de biometria comportamental para a autenticação do usuário.

“Os pagamentos por aproximação são um método rápido, prático e seguro para as compras do consumidor, porque oferecem a conveniência de fazer transações apenas tocando os dispositivos em um leitor habilitado”, disse Paro Neto .

Graduado em Engenharia Mecânica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), possui especialização em Produtos pela University of Pensilvânia – Wharton School (localizado no Estado da Califórnia, Estados Unidos) e em Marketing pela Northwestern University – Kellogg Graduate School of Management (também nos EUA). Sua empresa processa 56 bilhões de transações a cada ano, cada uma feita em milisegundos, ou seja, mais rápido que um piscar de olhos. Sobre a economia na pós-pandemia, ele disse: “A retomada econômica será longa e demorada”, finalizou.

Assista aqui a entrevista:

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