O futuro é feminino – e isso é uma (boa) aposta

O futuro é feminino – e isso é uma (boa) aposta

A polêmica dos últimos dias tem ficado em torno de achatar ou não a curva de transmissão do novo coronavírus, sair ou não de casa para evitar o contágio, escolher entre saúde ou empregos na crise. Mas numa coisa todos concordamos: o mundo como conhecíamos até agora… acabou. E vai ser reconstruído com novos parâmetros, onde entram resiliência, empatia, solidariedade e colaboração.

É bom considerar que qualquer tentativa de antecipar o futuro (ou mesmo a semana que vem) é, hoje, um mero exercício de adivinhação. Mas algumas apostas sempre podem ser feitas, e conferidas depois. A humanidade vive disso, aliás. Uma dessas apostas, baseada nos parâmetros que serão necessários para juntar os cacos da pós-pandemia, é que um famoso slogan nascido em 1975 para divulgar a primeira livraria de mulheres de Nova York pode, enfim, deixar de ser só uma provocação: o futuro é feminino.

A resiliência, a empatia, a solidariedade e a colaboração de que tanto vamos precisar são soft skills, como o psicólogo e escritor Daniel Goleman, autor do mega best-seller Inteligência Emocional, ajudou a conceituar e difundir quase 20 anos depois do slogan-provocação (e sem pensar nele). Em outras palavras, são habilidades que nos fazem interagir com outras pessoas de forma mais eficiente e eficaz, porque apelam ao que temos de mais autêntico e humano. E, por isso mesmo, movem montanhas.

Milhares de estudos, teses e pesquisas já mostraram que essas habilidades são fundamentais para construir o sucesso de uma carreira, um casamento, uma sociedade, uma família – qualquer coisa, enfim, que junte dois seres humanos ou mais numa empreitada. E são muito mais bem desenvolvidas e aplicadas pelas mulheres – seja por instinto natural, se é que isso existe, seja por conformação cultural e social.

Somos muito boas em cuidar, em entender emoções, em ter compaixão, em oferecer e aceitar ajuda, e em trabalho colaborativo nas redes informais que criamos desde as cavernas, para proteger a espécie. Tem estereótipo aqui? Sim, alguns. Nem toda mulher precisa ser exatamente assim para ser considerada mulher, nem essas habilidades são exclusivas das mulheres. Existe uma zona cinza (ainda bem!), mas existe também (neuro)ciência para confirmar que mulheres tendem a ter mais inteligência emocional.

Não se trata de acreditar, ingenuamente, que agora o planeta será dominado pelas mulheres. Ao contrário, há até quem diga que a recessão que vamos enfrentar, já desenhada no horizonte, pode adiar as discussões sobre a igualdade de gêneros e aprofundar as desigualdades (outra aposta a ser testada nos próximos tempos). A desvantagem ainda é grande: com pequenas diferenças numéricas, os parlamentos e governos são dominados por homens em todo o mundo. Menos de 5% dos CEOs das grandes empresas globais são mulheres; no Brasil, não chegamos ainda a ocupar mais de 10% das posições em conselhos e estamos trabalhando, em média, quase o dobro de horas por dia dentro de casa, para dar conta dos cuidados com filhos e família.

A aposta não é de supremacia feminina, portanto, como talvez o slogan indicasse em 1975. Nem é o caso: eram outros tempos, e outras perspectivas de futuro. Hoje, ela é só uma aposta de mais equilíbrio, em todos os sentidos e em todas as direções – algo com que estamos todos sonhando para sair do pesadelo desta pandemia.

 

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Sobre o autor

Junia Nogueira de Sá é jornalista, consultora de comunicação estratégica e conselheira de empresas e organizações sociais; é também delegada brasileira no Women20 do G20, associada à WomenCorporateDirectors e ao movimento Mulheres Investidoras Anjo. Estuda, pesquisa e escreve sobre o universo feminino há mais de 10 anos.


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