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O futuro do entretenimento

Depois do boom das lives, setor adapta modelo digital, pensa no retorno das atividades com público e estuda modelo híbrido, com transmissão virtual gratuita e cobrança de conteúdos exclusivos.

Crédito: Divulgação

PÚBLICO EM CASA Apresentação virtual da dupla Zé Neto e Cristiano teve a produção da Diverti; 65% das lives são de música sertaneja. (Crédito: Divulgação)

O Brasil ficou 140 dias sem realizar, com a presença de público, shows musicais, espetáculos teatrais e outras atividades que giram a roda do entretenimento. Um setor que em 2019 movimentou R$ 305 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Eventos (Abrape), emprega 2 milhões de profissionais diretamente e promove renda a outros 4 milhões de informais. Aos poucos, bem devagar e em algumas regiões do País, alguns eventos estão sendo retomados. Mas muito longe do ideal. Os grandes eventos mudaram o formato e passaram a ser exibidos em plataformas digitais para as pessoas assistirem de casa. Entre março e abril, as lives de artistas da música, principalmente, caíram no gosto dos brasileiros e alcançaram números estrondosos de audiência.

Começaram improvisadas e ganharam contornos de superprodução. A sertaneja Marília Mendonça fez no dia 8 de abril a maior transmissão ao vivo do YouTube, com 3,3 milhões de acessos simultâneos – hoje a apresentação tem 55 milhões de visualizações. Hoje, quatro meses depois, as lives não são mais novidade, registraram queda significativa de espectadores, mas ainda continuam com público cativo na casa dos 500 mil a 1 milhão de fãs conectados ao mesmo tempo nas maiores apresentações. Tudo de graça, com grandes patrocínios de empresas do ramo alimentício, de bebidas, vestuário e apoio de fintechs para arrecadar doações.

O modelo passa por constante adaptação. O formato do entretenimento não deve permanecer assim com a volta dos shows com público. Mas as atrações digitais não serão abandonadas por completo. “Acredito no modelo híbrido, assim como vai acontecer com os escritórios administrativos”, afirmou Gui Marconi, sócio da Diverti, empresa responsável pelo Circuito Brahma Live, que já realizou mais de 250 eventos virtuais durante a pandemia.

O formato vislumbrado por Marconi é a volta dos eventos com público, seguindo protocolos. Ao mesmo tempo em que haverá transmissão ao vivo pela internet, numa plataforma gratuita, com possibilidade de alguns conteúdos exclusivos cobrados, como imagens ao vivo dos bastidores. Há, porém, muitas variáveis que devem ser levadas em consideração para colocar em prática um evento desse tipo, da segurança do público ao fechamento financeiro do negócio.

As lives passaram por mudanças no curto período de quatro meses desde que ficaram populares. Cachês para os artistas no valor de R$ 100 mil, com exposição de marcas e produtos, ficou barato diante de 2 milhões de pessoas assistindo simultaneamente. Houve aumento no repasse para os artistas, ao mesmo tempo em que diminuiu o número de internautas ligados na transmissão. Ficou caro. Hoje já há equilíbrio para fechar a conta dos eventos no azul, mesmo com as grandes produções, como as lives do Skank, no estádio do Mineirão, e de Zé Neto e Cristiano, no Parque do Peão, em Barretos (SP), ambos patrocinados pela Brahma, da Ambev, com atuação da Diverti, de Gui Marconi.

ADAPTAÇÃO Gui Marconi, sócio da Diverti, acredita que o caminho passará a ser de eventos híbridos, com imagens ao vivo de bastidores. (Crédito:Divulgação)

A força desse formato neste momento de quarentena é comprovado pelos resultados. A Brahma lançou sua versão Duplo Malte durante as lives. E tem vendido o produto seis vezes mais do que o previsto. “A publicidade durante as transmissões ao vivo, com o artista falando das marcas, tem grande influência no público”, disse Marconi. Riachuelo e a fintech Ame, que nunca tinham apostado no sertanejo, estão satisfeitas com o retorno e já negociam parcerias com artistas e produtores para os próximos 3 anos. Segundo mapeamento da Diverti, 65% das lives do Brasil e 80% da audiência dessas transmissões foram de música sertaneja. “É representativo.”

Resultados de um modelo gratuito para o público. O mercado discute se deve cobrar ou não pelo acesso aos shows on-line, o que poderia aumentar a arrecadação, porém, diminuir o alcance e afastar patrocinadores. Enquanto os produtores fazem as contas, pesquisa realizada pela empresa de Gui Marconi revelou que 56% dos participantes pagariam para assistir a um evento de forma virtual.

O primeiro teste desse formato é neste sábado (15), às 18h, com a cantora Alcione no projeto Vivo Rio em Casa, elaborado como uma primeira etapa de retorno das atividades. O show será completo, com cenário e banda na casa de espetáculos do Rio de Janeiro – celebra os 48 anos de carreira da Marrom. Mas não haverá plateia presencial. As pessoas pagam de R$ 10 a R$ 500 para assistir em casa. Ao adquirir o ingresso virtual, o fã recebe um ticket com um link e um código. No dia e horário marcados da apresentação, é possível abrir o link no dispositivo que preferir, inserir o código e assistir “um show com qualidade de som e imagem, como se você estivesse na plateia”, promete a Vivo Rio, que preparou o formato em parceria com a Eventim Brasil e terá a Onstage como plataforma de transmissão.

Modelo que estava esquecido e que tem ganhado relevância na quarentena é o Drive-in. Na volta dos espetáculos com público, deve perder força. Mas abre-se oportunidade para ser executado em temporadas, por exemplo. “Assim como as lives têm se adaptado, o Drive-in encontrará seu nicho”, disse Doreni Caramori Júnior, presidente da Abrape. Com aglomeração ou sem, virtual ou presencial, o “show tem que continuar”, já dizia o samba de 1988 composto por Arlindo Cruz, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila.

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