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O futuro das telecomunicações: no espaço ou fundo do mar?

Os 2,7 mil satélites em órbita têm a vantagem de alcançar áreas remotas onde os cabos não chegam. Por outro lado, os mais de 400 cabos submarinos contam com maior capacidade de banda larga

O futuro das telecomunicações: no espaço ou fundo do mar?

Quem já não perdeu a paciência quando a internet falha bem no último episódio daquela série que você ficou até às 4 horas da manhã “maratonando”? Esse é apenas um dos fatores que vem estimulando uma nova revolução no setor de Telecom. Internet das Coisas, 5G, nuvens e fibras ópticas são os alicerces de um novo ecossistema, impulsionado pelo boom no consumo de vídeo, plataformas de streaming, realidade virtual, Big Data e Inteligência Artificial.

Em meio a essa transformação, quem tem maior potencial para emergir como protagonista no futuro? O espaço, via satélite, ou o fundo do mar, com os cabos submarinos de fibra óptica? Atualmente, 99% das trocas de dados e informação pela internet de todo o planeta é assegurada pelos mares e isso deve se manter nesse patamar pelos próximos cinco a sete anos. Prever além disso, com a evolução rápida da tecnologia, é pura ousadia.

Tanto o espaço quanto o fundo do mar têm papel importante e de destaque no futuro das telecomunicações. Um não conseguirá suportar a alta carga que está por vir sem o outro. Mas, se por um lado, os 2,7 mil satélites em órbita (segundo a Força Aérea Americana), têm a vantagem de alcançar áreas remotas onde os cabos não chegam, garantindo assim que a internet seja realmente global, por outro, os mais de 400 cabos submarinos espalhados pelo mundo (dados da Telegeography), contam com maior capacidade de banda larga e conseguem efetuar o transporte com menor latência (o tempo necessário para um pacote de dados ir de um ponto designado para o outro).

Fato é que ambos vêm passando por uma intensa corrida tecnológica nos últimos anos. A busca pela maior eficiência sistêmica e operacional é o caminho para suprir este exponencial aumento da demanda e atender uma sociedade cada vez mais conectada. Para se adequar, constelações de satélites de baixa órbita e de tamanho reduzido combinado com lançadores reutilizáveis formam o combustível do desenvolvimento desta indústria – vide os recentes lançamentos feitos pela OneWeb e o projeto da SpaceX. Já a nova geração de cabos submarinos de fibra óptica tem maior capacidade de transporte de dados, prontos para responder a taxas de transmissão nunca vistas: mais bits por segundo entregues em menor tempo.

Porém, tão importante quanto as alternativas futuras para a Telecom, é a questão do investimento em infraestrutura. Hoje, não temos ainda efetivamente como garantir o acesso do cliente final, já que mesmo nos países desenvolvidos, as redes estão majoritariamente nas grandes cidades, inibindo assim o desenvolvimento de novas tecnologias como a dos carros autônomos, medicina remota e agricultura digital em larga escala e amplo alcance. Todas essas novidades tecnológicas obrigam que exista uma base construída para que seja possível desenvolver esses serviços.

Seja sob as águas, por vias subterrâneas ou pelo espaço, investir em infraestrutura de Telecom significa dar respaldo ao desenvolvimento tecnológico, além de proporcionar que você durma mais cedo, se decidir “maratonar” mais uma série.

(*) António Nunes é CEO global da Angola Cables