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O fenômeno Apple

Duas décadas após atingir o “fundo do poço”, a gigante de tecnologia faz história e se torna a primeira a atingir Valor de Mercado de US$ 1.0 trilhão

O fenômeno Apple

Logo da Apple - AFP/Arquivos

No dia 05 de fevereiro de 1996, a revista BusinessWeek trazia estampados em sua capa o logo (ainda colorido) da Apple e o texto “The fall of an American icon” (“A queda de um ícone americano”, em tradução livre para o Português), preanunciando o eventual desaparecimento daquela que já tinha sido uma das “queridinhas” do mercado americano e que passava por delicado momento financeiro. Na época, o Valor de Mercado, ou Market Cap, desta gigante da tecnologia não chegava a US$ 3.5 bilhões e a empresa estava muito perto de quebrar.

No dia 18 de agosto de 1997, a revista Time dedicava a sua capa para a Apple, trazendo a famosa foto do Steve Jobs falando ao celular ao lado do texto “Bill, thank you. The world’s a better place” (“Bill, obrigado. O mundo é um lugar melhor”), numa alusão ao agradecimento pelo investimento de US$ 150 milhões feito pela Microsoft, de Bill Gates, na Apple e que deu as condições para a empresa iniciar um dos mais espetaculares turnarounds da história recente, usando a inovação como alicerce. Naquele momento, a Apple, liderada pelo seu fundador que havia retornado para a empresa em setembro de 1996 (após ter sido demitido em 1985), tinha um Valor de Mercado na casa de US$ 3.0 bilhões (depois do “fundo do poço” de US$ 1.7 bilhão em julho de 1997).

No dia 05 de outubro de 2011, a imprensa do mundo inteiro noticiava a morte de Steve Jobs e colocava em dúvida a capacidade da Apple de continuar sua vitoriosa trajetória sem o seu principal líder e que, desde agosto daquele mesmo ano, já era comandada por Tim Cook (Jobs havia renunciado ao cargo de CEO da Empresa). Na data da morte do lendário Steve Jobs, o Valor de Mercado da Apple já estava no patamar de US$ 265 bilhões.

Há poucos dias, ou, mais precisamente, em 01 de agosto de 2018, a Apple fez história mais uma vez ao ser a primeira empresa de capital aberto no mundo a superar a marca de US$ 1.0 trilhão de Valor de Mercado.

Para que tenham uma ideia do tamanho deste feito, a soma dos Market Cap das 343 empresas listadas na Bovespa, considerando a cotação de suas ações em 01/08/2018, era de R$ 3,3 trilhões ou US$ 877 bilhões pela taxa de câmbio no dia. Ou ainda, com esse Valor de Mercado, a Apple já é maior do que o PIB de 91% dos países do mundo (apenas 16 países, incluindo o Brasil, têm um valor de PIB superior a US$ 1.0 trilhão).

Assim, desde o precipitado anúncio de seu fim pela BusinessWeek há pouco mais de 22 anos, a Apple teve o seu Valor de Mercado multiplicado por 285 vezes! Ou seja, quem investiu US$ 1.000,00 em ações da Empresa em fevereiro de 1996 teria hoje algo em torno de US$ 285 mil. Isso sem contar os dividendos no período.

Ao fazermos os ajustes necessários, o Enterprise Value (EV) da Apple, ao final do dia 02/08/2018, era de um trilhão e quarenta e cinco bilhões de Dólares Americanos, segundo dados do YCharts (www.ychart.com).

Cabe aqui salientar que o Enterprise Value (EV) é uma métrica de valuation alternativa ao Market Cap e que apura o Valor Operacional da Empresa. Como o Valor Operacional de uma Empresa equivale ao valor presente do seu Fluxo de Caixa Livre futuro, podemos, então, dizer que não há nenhuma outra Empresa hoje no planeta com expectativa de geração de caixa futura maior do que a da Apple. Pelo menos, por enquanto…

Considerada ainda uma das Empresas mais inovadoras do mundo, com uma base de clientes extremamente leal, melhorias nos seus indicadores operacionais e financeiros e aumento da receita de serviços, as perguntas que ficam são: Até onde irá a Apple? Até quando será ela capaz de manter esse ciclo virtuoso que a levou a ser a mais valiosa empresa do Planeta? E quem será a próxima a atingir a marca de US$ 1.0 trilhão? A Amazon?

O futuro logo nos dará as respostas…

Um forte abraço,

Mário.


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