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O fenômeno Amazon

A gigante americana, que começou como uma livraria online, foi a segunda empresa privada a atingir a emblemática marca de US$ 1 trilhão de valor de mercado

O fenômeno Amazon

Fundada em 1994 por Jeff Bezos, atualmente o homem mais rico do mundo, a Amazon passa de uma loja de livros on-line para um gigante que abarca vários setores - AFP/Arquivos

Por volta das 11h30 da terça-feira, 4 de setembro, enquanto nós brasileiros acompanhávamos atentamente as notícias sobre o nosso processo eleitoral e os seus desdobramentos para o País, o mundo aplaudia o feito histórico da Amazon, que, ao ver o preço de suas ações atingir o patamar de US$ 2.050,50, passou a ser a segunda empresa privada no mundo a alcançar um valor de mercado de US$ 1 trilhão, após feito similar da Apple há cinco semanas.

Em 2007, a estatal chinesa PetroChina, com ações na Bolsa de Valores de Xangai, atingiu valor de mercado de US$ 1 trilhão, mas tal feito ainda é bastante questionado. Hoje, a PetroChina vale em torno de US$ 200 bilhões.

Fundada em julho de 1994 por um “tal” de Jeff Bezos, hoje considerado o homem mais rico do planeta, a Amazon começou a sua vitoriosa trajetória como uma livraria online, vendendo o seu primeiro livro um ano depois e abrindo o seu capital em maio de 1997, com valor de mercado, quando de sua Oferta Pública Inicial (IPO), de US$ 438 milhões.

Desde então, a empresa cresceu por diversificação e aquisição, incluindo, entre várias outras, a compra da cadeia de supermercado Whole Food em julho de 2017 por US$ 13,7 bilhões, e hoje é uma gigante mundial em segmentos como comercio eletrônico, inteligência artificial, computação em nuvem, transmissão via streaming e comercialização de mantimentos, entre vários outros, e já conta mais de 100 milhões de assinantes no seu programa Amazon Prime.

Apesar de não ter conseguido manter o seu valor de mercado histórico por muito tempo (no fechamento deste artigo, o Market Cap da Amazon estava em US$ 946 bilhões, com sua ação em US$ 1,939.01), é impossível não reverenciar o desempenho da Amazon que, dentre outros feitos, viu o preço de suas ações dobrar ao longo dos últimos doze meses. Enquanto isso, a Apple teve uma valorização de “apenas” 30% no mesmo período.

Completando o grupo das top-five, ao longo de doze meses, Microsoft e Google viram o valor de suas ações aumentarem em 50% e 30%, respectivamente, e o Facebook manteve-se praticamente estável, segundo dados extraídos do Yahoo Finance em 04/09/2018.

Um outro fator que chama a atenção na Amazon, em comparação com as outras quatro empresas mais valiosas do planeta, é o múltiplo do Valor Operacional (ou Enterpise Value) divido pelo EBITDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) da mesma.

Enquanto o EV/EBITDA da Apple está na casa de 14, o do Facebook em torno de 16, o da Microsoft se aproximando de 18 e o do Google ao redor de 19, a Amazon tem um múltiplo superior a 47. (Dados obtidos no site do Yahoo Finance em 10/09/2018). Isso significa que o mercado em geral tem uma alta expectativa na capacidade da empresa de gerar caixa no futuro. Talvez, maior do que qualquer outra empresa.

Após ter anunciado os melhores resultados financeiros da sua história, mas em meio a críticas de várias personagens importantes, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente expressou sua revolta contra o jornal Washington Post, comprado por Bezos por US$ 250 milhões, as perguntas que ficam são: por quanto tempo a Amazon será capaz de manter múltiplos tão elevados? O mercado continuará acreditando na capacidade de geração de caixa futuro da empresa a ponto de levá-la à posição de empresa mais valiosa do mundo, passando a Apple? Será ela, Amazon, um dia capaz de gerar esse fluxo de caixa a ponto de começar a pagar dividendos a seus acionistas?

Mais uma vez, o futuro logo nos dará as respostas…

Um forte abraço,

Mario

 


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