Economia

O fantasma do impeachment

Após anos de ameaças, o Partido Democrata americano se movimenta e inicia processo para remover o presidente Donald Trump do cargo. Ele decidiu contra-atacar

Democrático há mais de 200 anos, os Estados Unidos nunca removeram um chefe de Estado. Houve três tentativas falhas e Richard Nixon foi o que mais parecia fadado a tal derrota. Ele, porém, renunciou em 1974, antes de ser expulso da Casa Branca. Pode parecer estranho para brasileiros pensar que isso seja tabu por lá, considerando os dois processos vividos no Brasil em apenas 30 anos. Mas os americanos consideram a remoção o último recurso para lidar com um líder considerado inadequado. Por isso o abalo sísmico no mundo político de Washington quando a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, anunciou a abertura de investigação para tirar Donald Trump do cargo.



Pelosi é das maiores opositoras a Trump e justificou a decisão afirmando que, ao impedir a fala de um informante que teria dados danosos para o chefe do executivo, o presidente foi contra a constituição. O informante, cuja identidade não foi revelada, apresentou relatório que montra que Trump fez pressão política para o governo da Ucrânia investigar Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, pré-candidato democrata às eleições americanas do ano que vem e adversário político de Trump. “As ações de Trump revelaram desonra do Presidente ao seu juramento, traição à nossa segurança nacional e traição à integridade de nossas eleições”, anunciou Pelosi no fim de setembro, quando teve início o processo.

De lá pra cá, as coisas só pioraram. Parte do conteúdo do relatório foi divulgado pela imprensa, mostrando que Trump ligou para o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em julho. Numa tentativa de contenção de danos, Trump publicou a transcrição da conversa entre os dois. No entanto, o texto deixou ainda mais claro que o magnata pediu, repetidas vezes, que a justiça ucraniana investigasse Joe e Hunter Biden em suposto esquema de corrupção de um empresa de gás na Ucrânia, cujo conselho diretor inclui Hunter.

Os democratas vinham cozinhando o processo de impeachment praticamente desde que Trump assumiu, em janeiro de 2017, especialmente pela suposta intervenção russa nas eleições presidenciais de 2016. Agora, porém, Pelosi e seus colegas de partida têm podres mais valiosos como munição. A investigação sobre a Ucrânia é apenas uma das seis que a Câmara de Representantes conduz atualmente sobre Trump.

Oposição: Nancy Pelosi, presidente da Câmara, diz que Trump feriu a constituição (Crédito:Mandel Ngan / AFP)

Mesmo com acusações sérias, Trump tem o cenário favorável. O processo de impeachment funciona assim: quando uma das seis investigações da Câmara estiver concluída, será enviada ao Comitê Judiciário da Casa. Se for crível, segue ao plenário onde – por maioria simples – os representantes votam ou não pela saída do presidente. Hoje os democratas formam maioria, fator que deixa Trump com a corda no pescoço. No entanto, o julgamento da questão acontece mesmo no Senado, onde são necessários dois terços dos senadores para destituí-lo do cargo, e os republicanos – partidários de Trump – controlam a maioria. “Trump está de olho é na reeleição. O impeachment é apenas um obstáculo”, diz David Canon, cientista político da Universidade de Wisconsin.

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O apoio de republicanos a Trump ainda é alto, o que reduz a chance de removê-lo. Porém, lembra Canon, quando o processo contra Nixon – também republicano – começou, sua popularidade era maior do que a de Trump. Para o acadêmico, à medida que denúncias de abuso de poder cresceram, a popularidade se desgastou. “O partido Republicano virou às costas a Nixon, pois para a opinião pública geral Nixon tinha que sair.” Assim, caso novas denúncias surjam, o jogo pode virar para Trump. Segundo pesquisa recente da Monmouth University, do estado de Nova Jersey, 44% do público geral dos EUA querem o impedimento de Trump. Na mesma fase do processo, 38% apoiavam o de Nixon, em 1974. Seria uma questão de tempo, então, para senadores republicanos entrarem em sintonia com a população.

TRUNFO ECONÔMICO Trump, porém, tem outra cartada: a economia. Quase a totalidade dos americanos está empregada; os juros básicos estão entre 2,25% e 2,5%, desde agosto; a inflação em torno de 2%; e o país cresce desde 2010, no mais longo ciclo de expansão de sua história. Quando Nixon renunciou diante da eminente derrota no Senado, os Estados Unidos viviam uma recessão. “Presidentes geralmente se reelegem se a economia está boa. Então, Trump teria bons motivos para pensar que se reelegerá ano que vem”, diz Tara Sinclair, economista da George Washington University.

O momento, porém, é de ineditismo e não se sabe qual impacto o processo pode ter na economia. “Não há guia para saber o que acontece com um presidente impedido, com a economia em bom estado”, afirma Sinclair. Além disso, dados da produção e expectativa de consumo – termômetros para uma futura desaceleração da economia – estão aquém do esperado. Para especialistas, Trump enfrentará uma disputa acirrada nas eleições se a atividade estiver ruim em maio e julho de 2020. Portanto, mais uma vez, não importa por quais crimes seja acusado, a economia pesará na balança.


EUA voltam atrás no apoio à OCDE

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Michael Pompeo, não cumpriu a promessa feita pelo presidente Donald Trump e retirou o apoio para o Brasil entrar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado clube dos ricos. Em uma carta enviada ao presidente do organismo, Angel Gurria, Pompeo deixa claro que os EUA apoiarão somente a entrada de Argentina e Romênia. “Os EUA continuam a preferir a ampliação [de membros] em um ritmo contido”, diz o secretário em correspondência de agosto, mas só revelada na quinta-feira 10. A mensagem contradiz a promessa feita em março, quando o presidente Jair Bolsonaro visitou Washington e foi bem recebido por Trump. Em julho, o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross, esteve em São Paulo e reiterou o apoio americano.

No mesmo dia que a fala de Pompeo veio a público, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou, em um evento, que o País está pronto para ingressar na OCDE. “Estamos vivendo uma extraordinária abertura econômica. Nós e o setor privado acreditamos que isso será chave para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou. A OCDE foi fundada em 1961 e reúne 36 países. Ser membro traz a credibilidade de que o ambiente para negócios é estável e serve de selo de qualidade para investimento estrangeiro.


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