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O exército de 6 milhões de vendedores e US$ 2 bilhões de receita

Presente em 150 países, gigante dos óleos essenciais chega ao Brasil para disputar espaço num mercado de R$ 110 bilhões

Crédito: PRNewsFoto/Young Living Essential Oils, LC

Além das vendas: Jared Turner, presidente global da Young Living, quer suas próprias fazendas no Brasil para fabricar novos tipos de óleos (Crédito: PRNewsFoto/Young Living Essential Oils, LC)

Com uma receita anual de US$ 2 bilhões e um exército de 6 milhões de revendedores espalhados em mais de 150 países, a empresa americana de óleos essenciais Young Living acaba de anunciar a sua chegada ao Brasil. Até o fim deste ano, a companhia inaugura um ponto de venda na região de Jardins, em São Paulo, e passa a integrar o grupo das empresas de marketing multinível que atua no País. O modelo de vendas, no qual os consultores e membros recebem uma comissão sobre os produtos comercializados, é similar ao praticado pelas gigantes americanas Herbalife e Amway. Popularmente, o estilo é conhecido e criticado por funcionar como uma espécie de “pirâmide financeira”: para colocar mais dinheiro no bolso, o distribuidor sempre precisa recrutar novos membros. A empresa justifica que não se enquadra nessa prática, já que vende produtos em canais de varejo on-line e também em lojas físicas.

Essenciais: no portfólio da Young Living há mais de 250 diferentes variedades de óleos: apelo natural atrai consumidores (Crédito:Divulgação)

Os óleos essenciais são a marca registrada da Young Living, fundada há 25 anos em Utah, no oeste americano. “Trabalhamos com produtos orgânicos e puros desenvolvidos nas nossas próprias fazendas”, diz Jared Turner, presidente e diretor de operações. “Nosso maior diferencial é que as pessoas sabem exatamente onde os nossos óleos são produzidos, esse é o nosso maior diferencial.” A empresa fabrica itens relacionados à saúde e bem estar e tem no catálogo 250 tipos diferentes.

Ela não é a primeira americana a aportar no Brasil. No passado, a DoTerra, também sediada em Utah, chegou ao País com um modelo de negócios similar. O investimento no setor faz sentido. A consultoria Euromonitor projeta que haverá um crescimento global de quase 12% no uso de óleos essenciais até 2023. Na América Latina, a expectativa de crescimento é de cerca de 10% nos próximos quatro anos. “Vejo uma projeção positiva para os próximos anos nessa categoria”, diz Elton Morimitsu, analista sênior da Euromonitor. “Os consumidores na indústria de beleza e cuidados pessoais estão cada vez mais buscando produtos que tenham esse apelo natural nas suas formulações.”

Disputa: com faturamento de US$ 2 bilhões, a fabricante vai concorrer com as gigantes de cosméticos no Brasil

A vinda, portanto, coloca as empresas americanas na disputa pelo mercado de cosméticos, hoje dominado pelas brasileiras Natura, O Boticário, Hinode e Jequiti, e as estrangeiras Avon, L’Oréal. O setor de beleza e cuidados pessoais movimentou R$ 110 bilhões no Brasil em 2018, segundo a Euromonitor. Até 2023, a projeção é de um crescimento de 20,6%.

PLANO BRASIL Ao menos por enquanto, a Young Living vai operar no Brasil com um terço da sua linha completa. Além dos óleos naturais, chega parte da linha de nutrição, que inclui sucos, chás e cereais em barra. O investimento inicial é de US$ 2 milhões. Em um segundo momento, a Young Living pretender ter as suas próprias fazendas em solo brasileiro onde fabricará novos tipos de óleos. “Demoramos um pouco para entrar no Brasil porque o ambiente regulatório é um pouco complicado”, diz Turner. “Mas existe um potencial gigante aqui e enxergamos a nossa chegada como uma grande oportunidade.” A disputa será boa.