Revista

O estrategista sanitário

Crédito: Rodrigo Paiva

Espaço dedicado ao militar Eduardo Pazuello e às ações de lambança (ou não) do País frente à Covid-19.

UM PAÍS MORTAL E CATATÔNICO

De um lado, 27 secretários de saúde de todas as unidades federativas. De outro, o presidente e seu estrategista sanitário. Não está difícil ver quem tem razão. Ainda mais quando batemos o recorde de mortes em 24 horas: 1.840 (quarta-feira, 3). O País em mãos militares segue vergonhosamente à deriva. Na segunda-feira (1), o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass) divulgou carta aberta ao Ministério da Saúde em que pede medidas mais duras para conter a pandemia. O Conass diz o óbvio: falta “condução nacional unificada e coerente”. Quem não vê o óbvio – o impeachment – é o Congresso. Paralelamente, a Frente Nacional de Prefeitos, que reúne 61% da população brasileira e 74% do PIB, organiza a criação de um consórcio para comprar vacinas. As medidas pedidas pelo Conass:

1. Restrição em nível máximo nas regiões com ocupação de leitos acima de 85%

2. Proibição de eventos presenciais (shows, congressos, atividades religiosas…)

3. Suspensão das atividades presenciais de ensino

4. Toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h nos dias úteis e durante todo o final de semana

5. Fechamento das praias e bares

6. Adoção de trabalho remoto nos setores público e privado

7. Barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual

8. Adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos

9. Ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos

VAI NA FÉ, BARRA

Contra-almirante é o quarto nível hierárquico na Marinha do Brasil. Esse é o posto do também médico Antonio Barra Torres, presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde novembro. Em entrevista ao programa de rádio Manhã Bandeirantes ele deu uma não lição de estratégia (abaixo):

Mateus 6:34
‘Não nos inquieteis com o amanhã, basta a cada dia o seu próprio mal’.

Frase que usou para responder com fé, e não razão ou logística, sobre o cenário de baixa oferta de vacina para a população brasileira.

ERRO DE 1.050KM

Istock

Lote de 78 mil vacinas que deveria ir para o Amazonas foi entregue pelo Ministério da Saúde no Amapá, a mais de 1.000km do destino. Macapá está mais perto de Caiena, na Guiana Francesa, do que de Manaus.

“Todos concordaram que precisamos de um certificado de vacinação digital” Angela Merkel, chanceler alemã. Sobre carteiras digitais de vacinação para que as pessoas viajem pela Europa.

DISTOPIA MORAL

Joseph Schumpeter escreveu que a “posição que ocupamos no processo produtivo determina nossa visão das coisas”. Se for verdade, estamos ralados com a legião de promotores-procuradores. O Brasil em chamas e a categoria reclama da qualidade do iPhone que ganhará para trabalhar. “Não quero esmola! Que bagunça é essa?? Estão querendo nos humilhar??!!”, afirmou Marco Tulio Lustosa Caminha, procurador, em mensagem da rede interna de procuradores da República a que teve acesso a Folha de S.Paulo. O uso adolescente de interrogações e exclamações múltiplas demonstra o grau de indignação. Essa classe de servidor público chega a receber por mês R$ 100 mil com auxílios e abonos. E dois meses de férias por ano. Schumpeter não tinha ideia do que o Brasil seria capaz.

VITÓRIA SOBRE A POBREZA

Xi Jinping, presidente chinês, anunciou que o país garantiu uma “vitória completa” em sua luta contra a pobreza. A China criou outro “milagre que entrará na história”, afirmou em discurso transmitido pela televisão ao lado da cúpula dirigente de Pequim. Nos últimos oito anos, 99 milhões de residentes rurais deixaram a linha de pobreza. Reportagem da BBC diz que em 1990 havia mais de 750 milhões de pessoas no país nessa situação.

SARKOZY CONDENADO

KIRILL KALLINIKOV

Na segunda-feira (1), o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que comandou o país entre 2007 e 2012, foi condenado a três anos de prisão por corrupção e tráfico de influência. Dois anos da pena foram suspensos pelo tribunal parisense, o que poderá fazê-lo cumprir a condenação em casa, com uso de tornozeleira eletrônica. Nicolas Sarkozy nega as acusações e deve recorrer.

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